quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O dia em que fui preso

Faz hoje 54 anos, tinha eu 10 anos, que fui preso pelo hediondo crime de prática desportiva na via pública sem a respectiva licença.

Foi na Rua da Igreja de Paranhos a chegar ao Largo do Campolindo. Estávamos 4 putos a jogar a laranjinha, quando apareceram 3 polícias (nesse tempo ainda havia muitos a pé...) que nos prenderam.

Para os menos versados nestas coisas do desporto passo a informar que a laranjinha se jogava com um bocado de casca de laranja, que se lançava com a mão. Portas de garagem, uma de cada lado da rua, eram as balizas. O resto já devem saber: muda aos 6, acaba aos 12. Era uma espécie de handebol do desenrasca!

Fomos levados para a esquadra, ali próxima, e valeu-me ter aparecido o bom do sr. José Paulo, pai do meu amigo Zeto, e pagar a multa de 16$50 (naquele tempo dava para um bom almoço...), para eu me ver livre daquilo.

Nunca mais me esqueceu o 18 de Fevereiro! Nunca mais acreditei em polícias de bom senso nem na inteligência das leis...

4 comentários:

ATITUDES disse...

É engraçado. o meu pai ainda andava a festejar o aniversário ocorrido no dia 15. Afinal a prenda não foi recebida mas dada.
Julguei que ias falar da outra vez que foste preso por andar de bicicleta, num caminho entre campos agricultas, onde só passavam carros de bois, mas que se chamava Rua da Asprela.
J. Paulo

Guimaraes disse...

Nessa da bicicleta não fui preso. Ia sendo multado.
Tinha eu 13 anos, lá por 1959, e andava a treinar andar de bicicleta para tirar a carta aos 14, num caminho entre campos de cultivo onde só passavam carros de bois e a cavalaria da GNR, que ia do Largo da Igreja de Paranhos à Circunvalação seguindo para S. Mamede. Eis que aparece um polícia, com aspecto de já ir "quentinho" e me pede a carta. Respondi-lhe que não tinha e que num caminho do campo não era preciso. O homem pareceu ofendidíssimo, afirmando com solenidade que aquilo não era um caminho, era a Rua da Asprela. Por acaso ainda é, mas agora já cabe um carro!
Depois de muita conversa lá me perdoou. Era de bom vinho...!

António Agostinho disse...

Os problemas com a qualidade da justiça já vêm de longe neste cantinho â beira mar plantado!..


Um abraço

Anónimo disse...

Aqui no Brasil até hoje o governo é pós-graduado em fazer leis toscas. Somos os melhores alunos de portugual neste quesito.