Três notícias recentes fazem sobressair a falta de vergonha reinante no país, muito embora em estrito cumprimento da legalidade.
Não vou falar daquele livre que deu a vitória ao Benfica no jogo com o Paços de Ferreira. Esse, além de vergonha, foi um atropelo grosseiro à legalidade.
1 - Um professor, acusado de 20 crimes de abuso sexual de menores, mantém-se olimpicamente a dar aulas http://jn.sapo.pt/2007/11/04/policia_e_tribunais/professor_musica_pedia_sexo_a_alunas.html.
Diz-se que foi avisado pela DREN para ter cuidado. Como parece que durante os actos de que é acusado não contou anedotas sobre os governantes, tudo bem!
2 - Um senhor deputado do PS por Braga está muito indignado por ter sido nomeado, sem concurso, para um cargo de chefia num hospital um senhor que foi candidato do PSD a uma junta de freguesia http://jn.sapo.pt/2007/11/04/norte/nomeacao_hospital_levanta_duvidas_ps.html
Claro que não está indignado com a nomeação pelo PS, pelo PSD e pelo CDS, sem concurso, de elementos para cargos de direcção nos restantes hospitais. Deve ser distraído!
3 - Uma funcionária de uma junta de freguesia, visivelmente incapacitada, foi considerada apta para o serviço por mais uma junta médica da CGA. http://jn.sapo.pt/2007/11/05/norte/piaes_contesta_alta_funcionaria_junt.html
Segundo o "Primeiro Jornal" de hoje, da SIC, o sr. Ministro das Finanças, que tutela o assunto, com a atitude humanitária que lhe é peculiar, afirmou que o assunto estava em análise, mas que "a lei tinha sido estritamente cumprida". Pode a senhora em causa estar descansada. O facto de a lei estar a ser "estritamente cumprida" vai fazer com que não tenha dores e fique imediatamente apta para o trabalho. Quem sabe se ainda não irá a tempo para as competições de ginástica nos olímpicos de Pequim?
P.S. : Horas depois de escrever este post, vi no noticiário das 18H00 da SIC Notícias o sr. Ministro das Finanças afirmar que tinha dado ordens à CGA para rever a situação da senhora e à ADSE para manter a senhora em baixa médica até nova junta. Atitude acertada. Só acho estranho que seja o sr. ministro a determinar quem está de baixa médica. Que dirá a isto a sempre atenta Ordem dos Médicos?
Será que esta gente não tem vergonha na cara?
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Vergonha!
Depois de ler a notícia http://jn.sapo.pt/2007/10/21/porto/guineense_denuncia_acto_racista_plen.html, chego às seguintes conclusões:
- Depois de 33 anos de liberdade de informação, na cristianíssima Braga ainda há uma família (pelo menos uma!) de mentecaptos que julgam haver superioridade rácica ou pessoal num mundo minimamente decente. Só não lhes chamo bestas quadradas para não ofender os pobres animaizinhos que devem ter princípios superiores aos deles.
- A PSP descarta-se atrás do "Estado de Direito", argumentando com as referências jurídicas do costume.
- A ofendida perguntará, como eu ou qualquer outro menos versado nos insondáveis mistérios dos códigos jurídicos: então para que serve a Polícia?
- É óbvio que a culpada é a senhora guineense, que devia ter lido todos os Diários da República (e antes os Diários do Governo) desde o n.º 1 e ser, pelo menos, licenciada em Direito.
- Tenho vergonha!
- Depois de 33 anos de liberdade de informação, na cristianíssima Braga ainda há uma família (pelo menos uma!) de mentecaptos que julgam haver superioridade rácica ou pessoal num mundo minimamente decente. Só não lhes chamo bestas quadradas para não ofender os pobres animaizinhos que devem ter princípios superiores aos deles.
- A PSP descarta-se atrás do "Estado de Direito", argumentando com as referências jurídicas do costume.
- A ofendida perguntará, como eu ou qualquer outro menos versado nos insondáveis mistérios dos códigos jurídicos: então para que serve a Polícia?
- É óbvio que a culpada é a senhora guineense, que devia ter lido todos os Diários da República (e antes os Diários do Governo) desde o n.º 1 e ser, pelo menos, licenciada em Direito.
- Tenho vergonha!
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Professores, espiritismo e espaço-tempo
De há uns meses para cá, temos tido notícias de factos verdadeiramente extraordinários, envolvendo os professores.
Tais factos, por estarem muito fora do que seria de considerar normal nos dias de hoje, merecem que os analisemos.
Comecemos por enumerá-los:
- Caso de bufaria na DREN;
- Atitude feudal da sr.ª ministra e demais dirigentes do Ministério da Educação;
- Atitude corporativa e retrógrada do Sindicato dos Professores, ao não aceitar como normal que a carreira docente tenha uma estrutura hierárquica, como todas as outras da Função Pública incluindo os docentes do ensino superior, confundindo igualdade com igualitarismo, como se estivéssemos no PREC de 1975;
- Declarações do sr. Primeiro-Ministro, considerando todos os que não concordam com ele como comunistas;
- Visita preventiva da PSP ao Sindicato dos Professores, na Covilhã;
- Justificação da sr,ª Governadora Civil de Castelo Branco, afirmando que aquela visita era perfeitamente normal em véspera de visita de membros do governo.
Analisando estes factos, surgem-me, como em qualquer estudo, duas hipóteses que mutuamente se excluem:
- HIPÓTESE A: Os membros do governo em questão não são democratas e defendem atitudes próprias de regimes totalitários e a direcção do Sindicato dos Professores é composta por pessoas totalmente fora da realidade de um estado democraticamente organizado.
- HIPÓTESE B: Estamos perante fenómenos de mediunismo e de enrugamento do contínuo espaço-tempo.
A hipótese A deve obviamente ser rejeitada, por absurda, ridícula e sem qualquer relação com a realidade.
Já a hipótese B é muito mais plausível. De facto, tudo leva a crer que haja fenómenos de mediunismo (possessão por espíritos) e perigoso enrugamento do contínuo espaço-tempo. Se não, vejamos:
MEDIUNISMO- As declarações do sr, primeiro-ministro em Montemor-o-Velho, atribuindo a qualidade de comunistas a todos os que mostravam desagrado pela governação. Pelo que foi dito, não era certamente o responsavel máximo pelo P.S. que estava a falar. Devia estar possuído pelo espírito daquele senhor de Santa Comba, cujo espírito deve pairar pelas margens do Dão e do Mondego, e que dizia a mesma coisa.
Também os polícias que foram visitar o Sindicato na Covilhã deviam estar possuídos por espíritos de antigos agentes da PIDE, que por ali andavam quando a Covilhã era um importante centro operário, com a perigosa vizinhança do Jornal do Fundão.
ENRUGAMENTO DO ESPAÇO-TEMPO - Aqui cabem os casos de bufaria, atitudes feudais da sr.ª ministra da Educação e demais dirigentes do ministério, atitude retrógrada do Sindicato dos Professores e justificação da sr.ª Governadora Civil de Castelo Branco e todos os factos obviamente fora do tempo actual. Não há dúvida que o contínuo espaço-tempo deve estar enrugado como um papel que se enruga na mão, fazendo coincidir pontos da folha que normalmente estariam muito afastados.
Não sei se Einstein previu esta hipótese, mas parece-me merecer ser tema de uma tese de doutoramento (há piores...).
Como tal estudo exigirá cientistas do mais alto gabarito, proponho desde já licenciados pelas universidades Independente, Moderna e Internacional.
Tais factos, por estarem muito fora do que seria de considerar normal nos dias de hoje, merecem que os analisemos.
Comecemos por enumerá-los:
- Caso de bufaria na DREN;
- Atitude feudal da sr.ª ministra e demais dirigentes do Ministério da Educação;
- Atitude corporativa e retrógrada do Sindicato dos Professores, ao não aceitar como normal que a carreira docente tenha uma estrutura hierárquica, como todas as outras da Função Pública incluindo os docentes do ensino superior, confundindo igualdade com igualitarismo, como se estivéssemos no PREC de 1975;
- Declarações do sr. Primeiro-Ministro, considerando todos os que não concordam com ele como comunistas;
- Visita preventiva da PSP ao Sindicato dos Professores, na Covilhã;
- Justificação da sr,ª Governadora Civil de Castelo Branco, afirmando que aquela visita era perfeitamente normal em véspera de visita de membros do governo.
Analisando estes factos, surgem-me, como em qualquer estudo, duas hipóteses que mutuamente se excluem:
- HIPÓTESE A: Os membros do governo em questão não são democratas e defendem atitudes próprias de regimes totalitários e a direcção do Sindicato dos Professores é composta por pessoas totalmente fora da realidade de um estado democraticamente organizado.
- HIPÓTESE B: Estamos perante fenómenos de mediunismo e de enrugamento do contínuo espaço-tempo.
A hipótese A deve obviamente ser rejeitada, por absurda, ridícula e sem qualquer relação com a realidade.
Já a hipótese B é muito mais plausível. De facto, tudo leva a crer que haja fenómenos de mediunismo (possessão por espíritos) e perigoso enrugamento do contínuo espaço-tempo. Se não, vejamos:
MEDIUNISMO- As declarações do sr, primeiro-ministro em Montemor-o-Velho, atribuindo a qualidade de comunistas a todos os que mostravam desagrado pela governação. Pelo que foi dito, não era certamente o responsavel máximo pelo P.S. que estava a falar. Devia estar possuído pelo espírito daquele senhor de Santa Comba, cujo espírito deve pairar pelas margens do Dão e do Mondego, e que dizia a mesma coisa.
Também os polícias que foram visitar o Sindicato na Covilhã deviam estar possuídos por espíritos de antigos agentes da PIDE, que por ali andavam quando a Covilhã era um importante centro operário, com a perigosa vizinhança do Jornal do Fundão.
ENRUGAMENTO DO ESPAÇO-TEMPO - Aqui cabem os casos de bufaria, atitudes feudais da sr.ª ministra da Educação e demais dirigentes do ministério, atitude retrógrada do Sindicato dos Professores e justificação da sr.ª Governadora Civil de Castelo Branco e todos os factos obviamente fora do tempo actual. Não há dúvida que o contínuo espaço-tempo deve estar enrugado como um papel que se enruga na mão, fazendo coincidir pontos da folha que normalmente estariam muito afastados.
Não sei se Einstein previu esta hipótese, mas parece-me merecer ser tema de uma tese de doutoramento (há piores...).
Como tal estudo exigirá cientistas do mais alto gabarito, proponho desde já licenciados pelas universidades Independente, Moderna e Internacional.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Os professores e os incentivos à natalidade
Aquilo que disse no post "Educação feudal" caiu-me em casa.
A minha nora, educadora de infância com um filho de 12 meses de idade, foi colocada num Jardim de Infância numa freguesia, de cuja existência nem desconfiava, a 120 km da residência.
Até aqui nada de anormal, dentro da "normalidade" do nomadismo dos professores.
Quando ela, dada a grande dificuldade, risco e custo de deslocação diária de 240 km, se preparava para alugar um alojamento lá na terra e colocar o filho numa creche, chegou à conclusão de que a creche mais próxima fica a 16 km e pertence a uns senhores a quem a A.S.A.E. já encerrou uma outra creche por falta de condições de higiene. Resumindo, não há creche.
Em 2 períodos de 6 horas que passei nessa localidade percebi porque é que não há nem haverá creche. Falta "massa crítica". Não há bebés!
Para solucionar o problema, uma vez que, com a aproximação do Inverno, cada vez o acesso à localidade será mais difícil, solicitou superiormente autorização para levar o filho para o Jardim de Infância. Foi-lhe negada a autorização.
Perante esta situação, solicito que alguém me responda às seguintes questões:
- O Ministério da Educação pertence ao mesmo Governo que alardeia recentes incentivos à natalidade?
- Depois de se aproveitarem os incentivos, que se faz aos bebés filhos de professoras? Metem-se num saco e deitam-se ao poço, como faziam aos gatos?
- Será que é o modo de se livrarem das professoras, que poderão ter de acabar por se demitir, contribuindo assim para a "reforma da Administração Pública"?
- Ainda haverá neste país algum político com um mínimo de coerência e vergonha na cara?
A minha nora, educadora de infância com um filho de 12 meses de idade, foi colocada num Jardim de Infância numa freguesia, de cuja existência nem desconfiava, a 120 km da residência.
Até aqui nada de anormal, dentro da "normalidade" do nomadismo dos professores.
Quando ela, dada a grande dificuldade, risco e custo de deslocação diária de 240 km, se preparava para alugar um alojamento lá na terra e colocar o filho numa creche, chegou à conclusão de que a creche mais próxima fica a 16 km e pertence a uns senhores a quem a A.S.A.E. já encerrou uma outra creche por falta de condições de higiene. Resumindo, não há creche.
Em 2 períodos de 6 horas que passei nessa localidade percebi porque é que não há nem haverá creche. Falta "massa crítica". Não há bebés!
Para solucionar o problema, uma vez que, com a aproximação do Inverno, cada vez o acesso à localidade será mais difícil, solicitou superiormente autorização para levar o filho para o Jardim de Infância. Foi-lhe negada a autorização.
Perante esta situação, solicito que alguém me responda às seguintes questões:
- O Ministério da Educação pertence ao mesmo Governo que alardeia recentes incentivos à natalidade?
- Depois de se aproveitarem os incentivos, que se faz aos bebés filhos de professoras? Metem-se num saco e deitam-se ao poço, como faziam aos gatos?
- Será que é o modo de se livrarem das professoras, que poderão ter de acabar por se demitir, contribuindo assim para a "reforma da Administração Pública"?
- Ainda haverá neste país algum político com um mínimo de coerência e vergonha na cara?
A A.S.A.E. e os hospitais
Hoje foi notícia de manchete o encerramento das cozinhas de 3 hospitais pela A.S.A.E..
Não ponho minimamente em causa as razões dos encerramentos que, certamente, só pecarão por defeito.
As causas são a extinção compulsiva, há mais de 10 anos, das cozinhas hospitalares, entregues à exploração de privados, cujo objectivo óbvio e natural é a obtenção das maiores receitas com as menores despesas, aliada a décadas de falta de investimento em tudo o que não dê notícia de abertura de telejornal.
Interessante é o facto de, tanto a A.S.A.E. como a Inspecção do Ambiente, só actuarem sobre os hospitais depois de passarem a empresas e não enquanto serviços da Administração Central.
Isto é, passaram-se os hospitais a empresas para desorçamentar as respectivas despesas (sempre o sacana do défice!) e agora aplicam-se-lhe coimas para ainda sacar mais uns trocos para as receitas do orçamento.
Não me lembra de ver noticiado que as inspecções tenham actuado sobre quartéis ou estabelecimentos prisionais, onde certamente encontrariam sobejas razões de acção.
Porque será que , tanto os edifícios militares como os da segurança, ficaram isentos das obrigações da nova legislação da certificação energética?
A defesa da saúde pública e do ambiente é só parcial?
Não ponho minimamente em causa as razões dos encerramentos que, certamente, só pecarão por defeito.
As causas são a extinção compulsiva, há mais de 10 anos, das cozinhas hospitalares, entregues à exploração de privados, cujo objectivo óbvio e natural é a obtenção das maiores receitas com as menores despesas, aliada a décadas de falta de investimento em tudo o que não dê notícia de abertura de telejornal.
Interessante é o facto de, tanto a A.S.A.E. como a Inspecção do Ambiente, só actuarem sobre os hospitais depois de passarem a empresas e não enquanto serviços da Administração Central.
Isto é, passaram-se os hospitais a empresas para desorçamentar as respectivas despesas (sempre o sacana do défice!) e agora aplicam-se-lhe coimas para ainda sacar mais uns trocos para as receitas do orçamento.
Não me lembra de ver noticiado que as inspecções tenham actuado sobre quartéis ou estabelecimentos prisionais, onde certamente encontrariam sobejas razões de acção.
Porque será que , tanto os edifícios militares como os da segurança, ficaram isentos das obrigações da nova legislação da certificação energética?
A defesa da saúde pública e do ambiente é só parcial?
sábado, 15 de setembro de 2007
As contas dos hospitais S.A./E.P.E.
Antes de mais, e em jeito de declaração de interesses, quero afirmar que não nutro o mínimo de simpatia pela figura dos hospitais S.A./E.P.E., cuja instituição arruinou as minhas aspirações de progressão na carreira e de vir para a reforma com mais uns "trocos" na pensão.
Com a instituição dessa nova modalidade, o descaramento partidário, que já vinha dos tempos da ministra Beleza, tomou novo alento, tendo o poder nos hospitais sido ocupado pelos afilhados partidários, alguns com curriculum de levarem empresas à falência, e distribuindo lugares por quantos "jotas" apareciam, com ultrapassagem de funcionários de carreira com algumas décadas de serviço.
Na semana passada esteve muito em destaque o facto de alguns hospitais E.P.E. apresentarem lucros.
Não posso acreditar!
O último caso de hospital estatal com lucros de que me recordo foi há cerca de 25 anos, um hospital que transferia todos os doentes que apareciam na Urgência (nem saíam das ambulâncias) e imputava tratamentos na Urgência a todos. Como os financiamentos eram "à peça", tinha lucros.
Acredito que tenham reduzido bastante as dívidas.
Seja dito em abono da verdade que nos hospitais da Administração Central nunca se fizeram contas devidamente. A contabilidade analítica era, em grande parte, feita "a olho", interessando que, no final, o número correspondente às receitas fosse rigorosamente igual ao correspondente às despesas, não interessando como nem porquê. Julgo que esta situação se mantenha na maioria dos serviços públicos. Quem avalia se reparar uma cadeira é mais caro que comprar uma nova?
Também é verdade que a legislação das despesas, feita ainda em grande parte pelo dr. Salazar, há 70 anos, para um país, um regime e um mundo que existiam na altura, empurra muitas vezes para situações absurdas em termos económicos.
Por exemplo, se um serviço público necessita urgentemente de uma viatura, não pode comprar sem inscrição no PIDDAC, levando a aquisição para um prazo de cerca de 2 anos, se correr bem. Resta a hipótese de tentar o recurso a uma viatura do parque de apreendidos da P.J., alguns com anos de abandono. Obtido o carro, procede-se às reparações necessárias para que possa circular. Chega a gastar-se 5.000 € numa viatura que comercialmente não vale 2.000. Mas cumpriu-se a lei e os regulamentos e ficaram todos muito contentes com a poupança!
Se os serviços públicos funcionassem como empresas (não necessitam de o ser), haveria quem fizesse as contas mínimas, com poupanças efectivas e melhoria do malfadado défice.
Por isso acredito na diminuição das dívidas dos hospitais E.P.E..
Essa diminuição poderia ainda ser maior se pagassem aos seus fornecedores a 30 dias efectivos (cerca de 30% de poupança), embora isso estragasse o negócio parasita das empresas de facturing.
Outra consequência, nefasta e delapidadora dos dinheiros públicos, das dificuldades do processo de aquisição de equipamentos, foi o deixarem estabelecer, na década de 1990, o sistema de instalação de equipamentos de laboratório contra-consumo. Como o sistema não permitia que se renovassem os equipamentos de análises clínicas ao ritmo das necessidades da medicina, decorrentes do aparecimento de novos exames a um ritmo similar ao do desenvolvimento da informática, os laboratórios fornecedores de reagentes propuseram o fornecimento "gratuito" dos equipamentos sempre os mais modernos, calibrados para só funcionarem com os reagentes deles, com um contrato de fornecimento de reagentes aos hospitais, ao preço que o laboratório determinava e com quantidades mínimas de consumo. Espartilhados entre a infracção das sacrossantas leis de aquisição de bens e a transformação dos laboratórios em museus, os hospitais aceitaram.
Hoje, só pertencem aos hospitais os equipamentos de análises que não utilizam reagentes e não é possível adquirir equipamentos "abertos" (que utilizem reagentes de qualquer marca).
Posso afirmar que uma lâmpada de halogéneo, que custa 5 € em qualquer supermercado, passou a custar 500 €, porque vem inserida num suporte calibrado para determinado equipamento.
Começam a perceber donde vem o défice da saúde?
Isto são só algumas pontas de muitos "icebergs" existentes e decorrentes do facto de, na Administração Pública, não se fazerem contas, a ponto de os fornecedores estranharem quando alguém lhes demonstra por a+b que nos estão a tentar enganar. Já me responderam: Mas ninguém faz essas contas!!!!
Com a instituição dessa nova modalidade, o descaramento partidário, que já vinha dos tempos da ministra Beleza, tomou novo alento, tendo o poder nos hospitais sido ocupado pelos afilhados partidários, alguns com curriculum de levarem empresas à falência, e distribuindo lugares por quantos "jotas" apareciam, com ultrapassagem de funcionários de carreira com algumas décadas de serviço.
Na semana passada esteve muito em destaque o facto de alguns hospitais E.P.E. apresentarem lucros.
Não posso acreditar!
O último caso de hospital estatal com lucros de que me recordo foi há cerca de 25 anos, um hospital que transferia todos os doentes que apareciam na Urgência (nem saíam das ambulâncias) e imputava tratamentos na Urgência a todos. Como os financiamentos eram "à peça", tinha lucros.
Acredito que tenham reduzido bastante as dívidas.
Seja dito em abono da verdade que nos hospitais da Administração Central nunca se fizeram contas devidamente. A contabilidade analítica era, em grande parte, feita "a olho", interessando que, no final, o número correspondente às receitas fosse rigorosamente igual ao correspondente às despesas, não interessando como nem porquê. Julgo que esta situação se mantenha na maioria dos serviços públicos. Quem avalia se reparar uma cadeira é mais caro que comprar uma nova?
Também é verdade que a legislação das despesas, feita ainda em grande parte pelo dr. Salazar, há 70 anos, para um país, um regime e um mundo que existiam na altura, empurra muitas vezes para situações absurdas em termos económicos.
Por exemplo, se um serviço público necessita urgentemente de uma viatura, não pode comprar sem inscrição no PIDDAC, levando a aquisição para um prazo de cerca de 2 anos, se correr bem. Resta a hipótese de tentar o recurso a uma viatura do parque de apreendidos da P.J., alguns com anos de abandono. Obtido o carro, procede-se às reparações necessárias para que possa circular. Chega a gastar-se 5.000 € numa viatura que comercialmente não vale 2.000. Mas cumpriu-se a lei e os regulamentos e ficaram todos muito contentes com a poupança!
Se os serviços públicos funcionassem como empresas (não necessitam de o ser), haveria quem fizesse as contas mínimas, com poupanças efectivas e melhoria do malfadado défice.
Por isso acredito na diminuição das dívidas dos hospitais E.P.E..
Essa diminuição poderia ainda ser maior se pagassem aos seus fornecedores a 30 dias efectivos (cerca de 30% de poupança), embora isso estragasse o negócio parasita das empresas de facturing.
Outra consequência, nefasta e delapidadora dos dinheiros públicos, das dificuldades do processo de aquisição de equipamentos, foi o deixarem estabelecer, na década de 1990, o sistema de instalação de equipamentos de laboratório contra-consumo. Como o sistema não permitia que se renovassem os equipamentos de análises clínicas ao ritmo das necessidades da medicina, decorrentes do aparecimento de novos exames a um ritmo similar ao do desenvolvimento da informática, os laboratórios fornecedores de reagentes propuseram o fornecimento "gratuito" dos equipamentos sempre os mais modernos, calibrados para só funcionarem com os reagentes deles, com um contrato de fornecimento de reagentes aos hospitais, ao preço que o laboratório determinava e com quantidades mínimas de consumo. Espartilhados entre a infracção das sacrossantas leis de aquisição de bens e a transformação dos laboratórios em museus, os hospitais aceitaram.
Hoje, só pertencem aos hospitais os equipamentos de análises que não utilizam reagentes e não é possível adquirir equipamentos "abertos" (que utilizem reagentes de qualquer marca).
Posso afirmar que uma lâmpada de halogéneo, que custa 5 € em qualquer supermercado, passou a custar 500 €, porque vem inserida num suporte calibrado para determinado equipamento.
Começam a perceber donde vem o défice da saúde?
Isto são só algumas pontas de muitos "icebergs" existentes e decorrentes do facto de, na Administração Pública, não se fazerem contas, a ponto de os fornecedores estranharem quando alguém lhes demonstra por a+b que nos estão a tentar enganar. Já me responderam: Mas ninguém faz essas contas!!!!
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Educação feudal
O Ministério da Educação acabou de dar mais uma prova de actuação com desprezo pelos professores, numa atitude que só pode classificar-se de feudal. A Senhora dispõe e os servos (atentos, veneradores e obrigados) executam.
Aconteceu com o concurso de colocação de professores, cujos resultados saíram cerca das 21H00 do dia 31 de Agosto, sexta-feira. Os professores deveriam apresentar-se nos locais que lhes foram destinados na manhã do dia 3 de Setembro, segunda-feira seguinte.
Muitos teriam de se deslocar muitas dezenas, até centenas, de quilómetros das suas residências, para terras de cuja existência provavelmente nem desconfiariam.
Trata-se de gente, provavelmente com família, cuja deslocação implica procura de alojamento, colocação dos filhos em escolas e creches, etc.
Claro que nada disto afecta os dirigentes do Ministério da Educação, residentes em Lisboa (os que são da "província" nem querem que lhes lembre!), para quem o país só existe entre a Ota e Alcochete. Dentro deste espaço, dada a proximidade, não existem os problemas citados.
Por outro lado, os professores são uma classe perigosa, que apresenta o risco de alguns quererem ensinar os alunos a pensar.
Sabemos que foi o pensamento do Renascimento que acabou com o feudalismo.
Assim, estas atitudes autoritárias e prepotentes do Ministério da Educação parecem ser uma reacção de auto-defesa de uma classe política que se imagina a viver nos tempos feudais.
Aconteceu com o concurso de colocação de professores, cujos resultados saíram cerca das 21H00 do dia 31 de Agosto, sexta-feira. Os professores deveriam apresentar-se nos locais que lhes foram destinados na manhã do dia 3 de Setembro, segunda-feira seguinte.
Muitos teriam de se deslocar muitas dezenas, até centenas, de quilómetros das suas residências, para terras de cuja existência provavelmente nem desconfiariam.
Trata-se de gente, provavelmente com família, cuja deslocação implica procura de alojamento, colocação dos filhos em escolas e creches, etc.
Claro que nada disto afecta os dirigentes do Ministério da Educação, residentes em Lisboa (os que são da "província" nem querem que lhes lembre!), para quem o país só existe entre a Ota e Alcochete. Dentro deste espaço, dada a proximidade, não existem os problemas citados.
Por outro lado, os professores são uma classe perigosa, que apresenta o risco de alguns quererem ensinar os alunos a pensar.
Sabemos que foi o pensamento do Renascimento que acabou com o feudalismo.
Assim, estas atitudes autoritárias e prepotentes do Ministério da Educação parecem ser uma reacção de auto-defesa de uma classe política que se imagina a viver nos tempos feudais.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
