Nos noticiários de hoje da RTP-1 (a tal dos "fretes" ao governo...) mostraram uma notícia da televisão espanhola sobre a continuação das multas aos trabalhadores (médicos, enfermeiros e outros) que residem em Espanha e trabalham em Portugal, por andarem naturalmente com os seus carros de matrícula espanhola.
Lembra-me de, em Janeiro passado e durante uma cimeira luso-espanhola em Braga, o sr. primeiro-ministro, com ar de muito admirado, ter considerado essa situação inadmissível e que iria legislar devidamente na próxima reunião do governo. Disse e cumpriu. No comunicado do Conselho de Ministros lá estava a anulação da medida.
Ficámos todos muito convencidos de que as multas tinham acabado.
A notícia de hoje diz-nos que, para além de as multas se manterem, a GNR faz "emboscadas" nos acessos aos hospitais para apanhar os "infractores".
Ficámos ainda a saber que a resolução foi para a Assembleia da República, onde não se sabe quando será discutida.
Não culpo a GNR por, na qualidade de força militar, fazer emboscadas para melhor neutralizar o "inimigo".
Que o respeito pela palavra dada e contratos feitos não tem qualquer valor para alguns políticos, sabem-no sobejamente os funcionários públicos, que o sentiram na carne.
No entanto, num contexto internacional, era de esperar que se suspendesse imediatamente a aplicação da norma e se envidassem todos os esforços para cumprir a palavra dada.
Como vejo que os exemplos internacionais de gente séria como Egas Moniz de Ribadouro ou Afonso de Albuquerque não são seguidos, venho declarar ter vergonha dos políticos do meu país e pedir desculpa aos profissionais espanhóis.
terça-feira, 8 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
Campeões da gestão
A 5 jogos do fim do campeonato, o F.C. Porto é novamente campeão. Mai' nada!
Os que não têm capacidades para perceber porquê, inventam logo mil argumentos do seu cardápio de actuações, desde corrupção da arbitragem, a compadrios políticos, a Carolinas, a Marias, cafés com leite e outras especialidades de cafetaria, não conseguindo chegar ao obviamente principal - boa gestão.
Vê-se de facto em campo uma EQUIPA, sem constelações estelares, mas onde todos jogam com todos e para todos, isto é, cada um sabe exactamente o que anda lá a fazer, bem como os papéis dos outros. A isto chama-se ORGANIZAÇÃO!
Qualquer empresa, começando pelo Estado, que trabalhe nos mesmos moldes, só poderá ter êxito, mesmo sem recurso aos iluminados "excelentes", que muitas vezes desaparecem quando falta a "luz", leia-se cobertura dos padrinhos políticos.
Estamos pois, como é evidente há muitos anos, perante um caso de êxito por boa gestão.
Não percam tempo a culpá-los. Basta imitá-los!
Parabéns aos CAMPEÕES!
Os que não têm capacidades para perceber porquê, inventam logo mil argumentos do seu cardápio de actuações, desde corrupção da arbitragem, a compadrios políticos, a Carolinas, a Marias, cafés com leite e outras especialidades de cafetaria, não conseguindo chegar ao obviamente principal - boa gestão.
Vê-se de facto em campo uma EQUIPA, sem constelações estelares, mas onde todos jogam com todos e para todos, isto é, cada um sabe exactamente o que anda lá a fazer, bem como os papéis dos outros. A isto chama-se ORGANIZAÇÃO!
Qualquer empresa, começando pelo Estado, que trabalhe nos mesmos moldes, só poderá ter êxito, mesmo sem recurso aos iluminados "excelentes", que muitas vezes desaparecem quando falta a "luz", leia-se cobertura dos padrinhos políticos.
Estamos pois, como é evidente há muitos anos, perante um caso de êxito por boa gestão.
Não percam tempo a culpá-los. Basta imitá-los!
Parabéns aos CAMPEÕES!
domingo, 30 de março de 2008
O engenheiro do hospital
Quando em 1969, terminados os estágios de fim de curso, procurava o primeiro emprego, soube da existência de uma vaga no Hospital de S. João e fiz a pergunta: Engenheiro num hospital?! A fazer o quê?!
Do pouco que conhecia dos hospitais só sabia da existência de uns senhores e senhoras de bata branca e que tratavam da saúde à gente. Não via a ligação das engenharias a tal ambiente.
Como tinha de arranjar emprego, lá concorri e entrei. Só então é que encontrei as respostas à minha pergunta.
A pergunta perseguiu-me durante toda a vida profissional. Quando dizia a alguém que trabalhava num hospital, lá vinha a pergunta: Engenheiro num hospital?! A fazer o quê?!
Vou tentar explicar, até porque já encontrei pessoas ligadas aos Recursos Humanos do Ministério da Saúde (princípio da década de 1980) que não sabiam, embora estivessem a elaborar quadros de pessoal para hospitais.
No caso dos Hospital de S. João, trata-se de um edifício com milhares de portas, dezenas de quilómetros de canalizações eléctricas, de águas, de esgotos, de gases medicinais, milhares de aparelhos de toda a ordem, desde os enormes aparelhos de raios X ao agrafador da secretaria. Alguém tem de tratar daquilo tudo! Terá de haver uma equipa técnica, onde cabe sem dúvida a função de engenheiro. Nos hospitais mais pequenos, tudo se mantém, evidentemente na sua devida escala.
Dizia o Prof. Eng.º Eduardo Caetano, autoridade mundial no assunto, que o funcionamento do hospital assenta em 4 "pilares": o pessoal, o material (de consumo), as instalações e os equipamentos, considerando-se instalações o edifício e tudo que lhe é solidário e equipamentos todos os artefactos que se ligam, ou não, às instalações.
Temos portanto que caberá à equipa técnica tratar de 2 dos 4 "pilares" do hospital: das instalações e dos equipamentos.
Para tal existe um serviço que tem exactamente esse nome - Serviço de Instalações e Equipamentos - cuja função é fazer a gestão e manutenção desses 2 "pilares".
Aqui começam os problemas com que os profissionais se debatem diariamente. É que se trata de uma função não existente expressamente na lei, Estatuto Hospitalar, cuja última actualização é de 1964, quando a realidade era muito diferente. Nessa altura falava-se muito vagamente de "manutenção do património", dependente dos Serviços de Aprovisionamentos e verdadeiramente um apêndice.
Era frequente, nos velhos hospitais da Misericórdia, que a função fosse exercida pelo jardineiro "jeitoso", não raramente semi-analfabeto.
Com a passagem dos hospitais das Misericórdias a públicos, decorrente do 25 de Abril, criaram-se em todos eles equipas técnicas com engenheiros, embora se mantivesse a omissão legal das respectivas funções, o que levou a que os engenheiros tivessem uma função fundamental nos hospitais - serem os culpados. Como não estão definidas as funções, não podem argumentar que qualquer problema não é com eles, desde a avaria de um equipamento até ao facto de a sopa estar fria... Logo, são os culpados!
Para além das funções de gestão da manutenção e exploração das instalações e dos equipamentos, cabem ainda ao engenheiro, sempre informalmente, funções de colaboração na escolha e aquisição de equipamentos, processos relacionados com obras, questões ambientais, etc....
Espero ter levantado um pouco o véu sob o qual estes funcionários têm vivido, numa profissão sem dúvida aliciante e exigente - estão a suportar vidas - , embora muitas vezes incompreendida, e deixo uma homenagem a todos esses meus colegas, esperando que tenha contribuído para o seu reconhecimento a nível dos restantes cidadãos.
Do pouco que conhecia dos hospitais só sabia da existência de uns senhores e senhoras de bata branca e que tratavam da saúde à gente. Não via a ligação das engenharias a tal ambiente.
Como tinha de arranjar emprego, lá concorri e entrei. Só então é que encontrei as respostas à minha pergunta.
A pergunta perseguiu-me durante toda a vida profissional. Quando dizia a alguém que trabalhava num hospital, lá vinha a pergunta: Engenheiro num hospital?! A fazer o quê?!
Vou tentar explicar, até porque já encontrei pessoas ligadas aos Recursos Humanos do Ministério da Saúde (princípio da década de 1980) que não sabiam, embora estivessem a elaborar quadros de pessoal para hospitais.
No caso dos Hospital de S. João, trata-se de um edifício com milhares de portas, dezenas de quilómetros de canalizações eléctricas, de águas, de esgotos, de gases medicinais, milhares de aparelhos de toda a ordem, desde os enormes aparelhos de raios X ao agrafador da secretaria. Alguém tem de tratar daquilo tudo! Terá de haver uma equipa técnica, onde cabe sem dúvida a função de engenheiro. Nos hospitais mais pequenos, tudo se mantém, evidentemente na sua devida escala.
Dizia o Prof. Eng.º Eduardo Caetano, autoridade mundial no assunto, que o funcionamento do hospital assenta em 4 "pilares": o pessoal, o material (de consumo), as instalações e os equipamentos, considerando-se instalações o edifício e tudo que lhe é solidário e equipamentos todos os artefactos que se ligam, ou não, às instalações.
Temos portanto que caberá à equipa técnica tratar de 2 dos 4 "pilares" do hospital: das instalações e dos equipamentos.
Para tal existe um serviço que tem exactamente esse nome - Serviço de Instalações e Equipamentos - cuja função é fazer a gestão e manutenção desses 2 "pilares".
Aqui começam os problemas com que os profissionais se debatem diariamente. É que se trata de uma função não existente expressamente na lei, Estatuto Hospitalar, cuja última actualização é de 1964, quando a realidade era muito diferente. Nessa altura falava-se muito vagamente de "manutenção do património", dependente dos Serviços de Aprovisionamentos e verdadeiramente um apêndice.
Era frequente, nos velhos hospitais da Misericórdia, que a função fosse exercida pelo jardineiro "jeitoso", não raramente semi-analfabeto.
Com a passagem dos hospitais das Misericórdias a públicos, decorrente do 25 de Abril, criaram-se em todos eles equipas técnicas com engenheiros, embora se mantivesse a omissão legal das respectivas funções, o que levou a que os engenheiros tivessem uma função fundamental nos hospitais - serem os culpados. Como não estão definidas as funções, não podem argumentar que qualquer problema não é com eles, desde a avaria de um equipamento até ao facto de a sopa estar fria... Logo, são os culpados!
Para além das funções de gestão da manutenção e exploração das instalações e dos equipamentos, cabem ainda ao engenheiro, sempre informalmente, funções de colaboração na escolha e aquisição de equipamentos, processos relacionados com obras, questões ambientais, etc....
Espero ter levantado um pouco o véu sob o qual estes funcionários têm vivido, numa profissão sem dúvida aliciante e exigente - estão a suportar vidas - , embora muitas vezes incompreendida, e deixo uma homenagem a todos esses meus colegas, esperando que tenha contribuído para o seu reconhecimento a nível dos restantes cidadãos.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Avaliações
O tema avaliações está indubitavelmente na moda. No entanto, parece-me que lhe dão um significado parcial e, a meu ver, menor.
A meu ver, avaliação é aquele acto através do qual analisamos a nossa actuação, ou a de outros, no sentido de determinarmos o que está bem, o que está menos bem e o que está errado, com vista a emendar o que esteja mal e menos bem para melhorar a actuação. Passada esta fase, a avaliação também pode servir para distribuir os avaliados numa tabela de mérito.
Este acto é tão importante para o desempenho profissional, que os cursos de enfermagem têm uma disciplina chamada "Prática Reflexiva", que trata de uma auto-avaliação contínua dos profissionais em todas as suas actuações.
Temos, portanto, que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.
Parece-me que o governo esqueceu o aspecto de valorização profissional da avaliação, para lhe dar só o aspecto de pontuar os avaliados para acções de promoção ou castigo. Trata-se de trocar um valor de ética profissional pela concorrência, sem dúvida mais actual. É como no futebol: não interessa se a equipa joga bem ou não; interessa é passar a eliminatória.
As televisões mostraram o porta-voz do P.S., dr. Vitalino Canas, perguntado se na reunião do partido tinham analisado o que tinha corrido mal nos 3 anos de governo, afirmar em jeito de quem nunca se engana e raramente tem dúvidas: - "Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal"!
Já tinhamos concluído que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.....
A meu ver, avaliação é aquele acto através do qual analisamos a nossa actuação, ou a de outros, no sentido de determinarmos o que está bem, o que está menos bem e o que está errado, com vista a emendar o que esteja mal e menos bem para melhorar a actuação. Passada esta fase, a avaliação também pode servir para distribuir os avaliados numa tabela de mérito.
Este acto é tão importante para o desempenho profissional, que os cursos de enfermagem têm uma disciplina chamada "Prática Reflexiva", que trata de uma auto-avaliação contínua dos profissionais em todas as suas actuações.
Temos, portanto, que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.
Parece-me que o governo esqueceu o aspecto de valorização profissional da avaliação, para lhe dar só o aspecto de pontuar os avaliados para acções de promoção ou castigo. Trata-se de trocar um valor de ética profissional pela concorrência, sem dúvida mais actual. É como no futebol: não interessa se a equipa joga bem ou não; interessa é passar a eliminatória.
As televisões mostraram o porta-voz do P.S., dr. Vitalino Canas, perguntado se na reunião do partido tinham analisado o que tinha corrido mal nos 3 anos de governo, afirmar em jeito de quem nunca se engana e raramente tem dúvidas: - "Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal"!
Já tinhamos concluído que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.....
quinta-feira, 6 de março de 2008
Associações de ideias
A senhora Ministra da Educação acaba de afirmar, em entrevista à RTP 1, que os professores não têm grande razão de queixa no caso das avaliações, pois basta terem BOM para progredirem na carreira, ao contrário dos restantes funcionários que, se tiverem BOM, nunca mais progridem e, os que tenham classificação superior a BOM, só progridem se houver verba.
A afirmação foi da senhora ministra, não foi da Ana Avoila. Ela lá saberá os meandros destas coisas!
A propósito de avaliações, foi hoje noticiado que um funcionário (desculpem, agora diz-se "trabalhadores do emprego público" - Lei 12-A/2008, de 27 de Fevereiro) que tenha duas classificações negativas será sujeito a uma acção de formação e, se não tiver aproveitamento, será objecto de inquérito e processo disciplinar tendente ao despedimento.
Lembrou-me o que se passou em Moçambique logo após a independência: quem não alinhasse activamente com os novos governantes, ia para um campo de reabilitação (trabalhos forçados). Se após o tratamento continuasse a não alinhar, era fuzilado.
Afinal os trabalhadores do emprego público não se podem queixar muito. Ainda não se fala em fuzilamentos!
Também foi hoje noticiado que passa a constituir falta grave o facto de um trabalhador não denunciar erros de um colega, o que poderá levar à situação do parágrafo anterior.
Lá me veio à ideia aquela cena dos colaboracionistas durante a guerra 39-45. Até o pai denunciavam!
Foi aí que percebi porque é que os dirigentes dos hospitais que passaram a S.A./E.P.E. começaram a tratar os funcionários por "colaboradores". Já deviam saber desta proposta!
A nossa cabeça faz cada associação!!!!
A afirmação foi da senhora ministra, não foi da Ana Avoila. Ela lá saberá os meandros destas coisas!
A propósito de avaliações, foi hoje noticiado que um funcionário (desculpem, agora diz-se "trabalhadores do emprego público" - Lei 12-A/2008, de 27 de Fevereiro) que tenha duas classificações negativas será sujeito a uma acção de formação e, se não tiver aproveitamento, será objecto de inquérito e processo disciplinar tendente ao despedimento.
Lembrou-me o que se passou em Moçambique logo após a independência: quem não alinhasse activamente com os novos governantes, ia para um campo de reabilitação (trabalhos forçados). Se após o tratamento continuasse a não alinhar, era fuzilado.
Afinal os trabalhadores do emprego público não se podem queixar muito. Ainda não se fala em fuzilamentos!
Também foi hoje noticiado que passa a constituir falta grave o facto de um trabalhador não denunciar erros de um colega, o que poderá levar à situação do parágrafo anterior.
Lá me veio à ideia aquela cena dos colaboracionistas durante a guerra 39-45. Até o pai denunciavam!
Foi aí que percebi porque é que os dirigentes dos hospitais que passaram a S.A./E.P.E. começaram a tratar os funcionários por "colaboradores". Já deviam saber desta proposta!
A nossa cabeça faz cada associação!!!!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Upgrades à portuguesa
Significando "upgrade" melhoramento ou subida de categoria, quero falar de alguns destes actos que testemunhei e de outros que faço votos não venha a testemunhar.
Na década de 1950 os comboios ainda tinham 3 classes - 1.ª, 2.ª e 3.ª - indicadas nas carruagens por 1, 2, 3 ou I, II, III (a chamada primeira entre parêntesis). A 1.ª classe tinha bastante conforto, com estofos macios e instalações sanitárias. A 2.ª tinha estofos mais duros, como os comboios urbanos actuais, e também instalações sanitárias, enquanto a 3.ª tinha bancos de madeira e, na maioria dos casos, não tinha instalações sanitárias.
Como apontamento sociológico, esta divisão dirigia-se às três grandes divisões da sociedade - classe alta, média e baixa - a ponto de, enquanto militares, os oficiais só poderem andar em 1.ª classe, os sargentos em 2.ª e as praças em 3.ª.
Nos anos 60, considerou-se que esta estrutura era digna de países primitivos e decidiu-se actualizar o país, acabando com a 3.ª classe. Claro que, com a nossa proverbial argúcia empresarial, não se atiraram as velhas carruagens para a sucata. Pintou-se um 2 ou apagou-se um I, onde estava um 3 ou um III, fazendo-se assim uma considerável melhoria (upgrade) na qualidade dos comboios e na vida dos portugueses.
Anos mais tarde, foi a febre da promoção de aldeias a vilas e de vilas a cidades. Em dezenas de casos, passou-se como nos comboios. Muitas dessas terras têm as mesmas condições - e cada vez menos - que anteriormente, mas somos um país tão desenvolvido, que quase não tem aldeias.
Agora, fala-se na "promoção" das pensões e motéis a hotéis. Claro que "pensão", é de país atrasado. E depois é de difícil tradução para os turistas. A designação é muito diferente da inglesa. Simplifica-se, e melhoram-se as condições (?) com o nome de "hotel".
O que temo é que se esteja a passar um processo semelhante com o ensino.
É que, o banco ser de madeira, a terra mudar de nome só porque se chamava Vila ou a chafarica chamar-se hotel, só é anedótico. Aldrabar no ensino é trágico para o futuro de todos nós.....
Na década de 1950 os comboios ainda tinham 3 classes - 1.ª, 2.ª e 3.ª - indicadas nas carruagens por 1, 2, 3 ou I, II, III (a chamada primeira entre parêntesis). A 1.ª classe tinha bastante conforto, com estofos macios e instalações sanitárias. A 2.ª tinha estofos mais duros, como os comboios urbanos actuais, e também instalações sanitárias, enquanto a 3.ª tinha bancos de madeira e, na maioria dos casos, não tinha instalações sanitárias.
Como apontamento sociológico, esta divisão dirigia-se às três grandes divisões da sociedade - classe alta, média e baixa - a ponto de, enquanto militares, os oficiais só poderem andar em 1.ª classe, os sargentos em 2.ª e as praças em 3.ª.
Nos anos 60, considerou-se que esta estrutura era digna de países primitivos e decidiu-se actualizar o país, acabando com a 3.ª classe. Claro que, com a nossa proverbial argúcia empresarial, não se atiraram as velhas carruagens para a sucata. Pintou-se um 2 ou apagou-se um I, onde estava um 3 ou um III, fazendo-se assim uma considerável melhoria (upgrade) na qualidade dos comboios e na vida dos portugueses.
Anos mais tarde, foi a febre da promoção de aldeias a vilas e de vilas a cidades. Em dezenas de casos, passou-se como nos comboios. Muitas dessas terras têm as mesmas condições - e cada vez menos - que anteriormente, mas somos um país tão desenvolvido, que quase não tem aldeias.
Agora, fala-se na "promoção" das pensões e motéis a hotéis. Claro que "pensão", é de país atrasado. E depois é de difícil tradução para os turistas. A designação é muito diferente da inglesa. Simplifica-se, e melhoram-se as condições (?) com o nome de "hotel".
O que temo é que se esteja a passar um processo semelhante com o ensino.
É que, o banco ser de madeira, a terra mudar de nome só porque se chamava Vila ou a chafarica chamar-se hotel, só é anedótico. Aldrabar no ensino é trágico para o futuro de todos nós.....
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
O carnaval do Porto
Não achando graça nenhuma aos arremedos foleiros do carnaval brasileiro que vai sendo prática realizar em Portugal, vi anunciado um carnaval "à moda antiga" no Porto, e lá fui eu.
Comecei por almoçar na incortornável Travessa dos Congregados, onde tive a recordação duma tradição da casa dos meus pais, de que já não me lembrava: no carnaval come-se orelheira fumada com feijão branco. Claro que não resisti, nem às papas de sarrabulho (qualquer dia, lembram-se que ofendem as directivas da CE), rematando com um pudim francês bastante parecido com o que a minha mãe fazia.
Cumprida a primeira parte da tradição, lá fomos para a festa na Avenida. Uma peça de teatro, com actores e humor do Porto, talvez na linha da velha "Voz dos Ridículos". Um texto que o Gil Vicente não desdenharia de assinar! Actores com um desempenho que se via que era por gosto e não por "frete profissional". Gente bem disposta e que transmitia alegria à imensa plateia.
Demonstrou-se que um acto cultural não tem de ser chato nem elitista e que, para ser do agrado popular, não é necessário ser ordinário nem populista.
Parabéns aos autores, aos actores e aos organizadores!
Se para o ano houver mais, lá estarei...
Comecei por almoçar na incortornável Travessa dos Congregados, onde tive a recordação duma tradição da casa dos meus pais, de que já não me lembrava: no carnaval come-se orelheira fumada com feijão branco. Claro que não resisti, nem às papas de sarrabulho (qualquer dia, lembram-se que ofendem as directivas da CE), rematando com um pudim francês bastante parecido com o que a minha mãe fazia.
Cumprida a primeira parte da tradição, lá fomos para a festa na Avenida. Uma peça de teatro, com actores e humor do Porto, talvez na linha da velha "Voz dos Ridículos". Um texto que o Gil Vicente não desdenharia de assinar! Actores com um desempenho que se via que era por gosto e não por "frete profissional". Gente bem disposta e que transmitia alegria à imensa plateia.
Demonstrou-se que um acto cultural não tem de ser chato nem elitista e que, para ser do agrado popular, não é necessário ser ordinário nem populista.
Parabéns aos autores, aos actores e aos organizadores!
Se para o ano houver mais, lá estarei...
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