quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O pânico da insegurança

Nos últimos dias a comunicação social tem dado a imagem de que o país entrou em pânico por causa de umas escaramuças entre mafiosos da noite.

Até na que devia ser circunspecta Assembleia da República, os deputados dos PSD e do CDS esvoaçavam e cacarejavam mais que as galinhas da minha amiga Cristina quando entrou uma cria de milhafre lá no quintal. Dizem que os velhos (agora diz-se séniors) têm medo de sair à rua, as criancinhas estão amedrontadas em casa, as pessoas deslocam-se agachadas por trás dos muros... Enfim, qualquer coisa como Chicago nos tempos do Al Capone.

Assentada toda esta poeira comunicacional (a Maddie já não rende e as histórias das meninas adoptadas estão por pouco!) e politiqueira, há que ter calma e reduzir as coisas às devidas proporções.

Parece que há uns ajustes de contas entre grupos mais ou menos mafiosos. Ora isto acontece em circuito fechado, não afectando os estranhos ao meio, a menos que haja incompetência nos atiradores.

Situação semelhante é normal há muitos anos em Macau, que não deixa, por isso, de ser uma cidade muito mais segura para o pacato cidadão que qualquer vilória de Portugal. Uma senhora pode andar livremente na rua a qualquer hora do dia ou da noite, sem que alguém se atreva sequer a dirigir-lhe a palavra. Às vezes lá dão umas facadas ou uns tiros num rival, mas, como é serviço de profissionais, ninguém mais é atingido. Não há danos colaterais. São mais eficientes que os americanos no Iraque ou os israelitas na Palestina!

Por esse lado, não há portanto razões para o pânico que se quer estabelecer.

Perigosos, sim, são os bandos de miúdos armados e com medo (talvez mais que as vítimas). Esses, com o medo, podem disparar mesmo a sério e sem profissionalismo. Frente a esses, nada de armar em herói, pois não há nada mais inútil que um herói morto.

Claro que devemos tomar as nossas precauções contra esses criminosos "baratos", mas não há razões para viver em terror e, muito menos, em pânico.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Coincidências fantásticas

Alguém do Ministério das Finanças decidiu que os aposentados descontariam para a ADSE nas pensões correspondentes aos 13.º e 14.º meses, o que não se passa com os funcionários do activo. Perguntado, pelas organizações sindicais, se esse procedimento ia ser estendido aos funcionários do activo, um sr. secretário de estado disse "nem pensar! A redacção referente aos subsídios não é a mesma para os pensionistas e funcionários do activo". Isto é: alguém, certamente muito bem pago, andou a escabichar os textos legais a procurar onde poderia sacar mais uns trocos.

Uma comissária da PSP disse ontem num programa televisivo que uma das técnicas dos assaltantes era mandarem miúdos tocar às campainhas à procura de casas onde não estivesse ninguém, onde seria mais fácil o assalto.

Ontem foi notícia de relevo a intenção do governo de impôr um imposto de 0.05 € por cada saco de plástico fornecido nas lojas. Claro que a notícia gerou uma série de reacções pouco favoráveis à ideia, até porque as lojas já pagam uma taxa para a reciclagem (seria um imposto duplo, como o IVA sobre o IA), e lá apareceu um sr. secretário de estado (outro...) a dizer que nada disso, que se tratou somente de uma pergunta ao comércio e que a ideia já tinha sido abandonada há semanas.

Uma das técnicas de esquiva dos carteiristas quando são pressentidos é dizerem: "desculpe! Desiquilibrei-me e meti-lhe a mão no bolso por engano".

Hoje foi a ideia da ERSE de fazer os consumidores pagarem os novos contadores com telecontagem, que evitam às fornecedoras pagarem aos funcionários da leitura. Era como se o Jumbo quisesse que pagássemos uma taxa pela utilização das novas caixas self-pay, que lhes poupam pessoal.

Soube-se também hoje que, à luz da nova legislação criminal, os criminosos que não sejam apanhados em flagrante, não podem ser detidos. O polícia tem do os convidar a comparecer no tribunal em determinado dia e hora (não sei se o convite terá de ser formal e com letras douradas!). Só se declinarem o amável convite é que poderão ser detidos.

Há muitos anos, um oficial da GNR explicou-me que as leis são feitas pelos poderosos para manterem o poder.

Há coincidências fantásticas.... Não há?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Cuidado!

A notícia http://dn.sapo.pt/2007/12/04/sociedade/ordem_fala_violencia_psicologica_ama.html dá muito que pensar.

Longe de mim imaginar isto a acontecer num qualquer hospital E.P.E., mas outros poderão imaginar e tentar...

O que me admira é a impunidade com que estas coisas acontecem. Há relatórios, pareceres, tribunais, mas ninguém dá um murro na mesa (ou nos cornos de alguém) e muda a situação.
Então para que serve a firmeza arrogante do sr. ministro?

Imaginem-se no lugar da vítima e a ouvirem "consolações" jurídicas, legais, moralistas e outras...

sábado, 1 de dezembro de 2007

A crise da verticalidade

Dia de greve da Função Pública (agora parece que se diz "emprego público"). O governo e o coro do PS afadigam-se a mostrar verticalidade e firmeza perante as pretensões dos trabalhadores. Queremos, podemos e mandamos!
Ao mesmo tempo vê-se deputados do PSD e do CDS, que ainda há 2 anos, insultavam os funcionários de tudo quanto havia de pior, virem agora na pele de grandes defensores dos ofendidos trabalhadores. Verticalidade flácida e falta de vergonha na cara!
No mesmo dia, lê-se a notícia http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=310780&visual=26&rss=0
É a vez do coro do PS, do PSD e do CDS demonstrarem a mais perfeita falta de verticalidade e sentido nacional.
Talvez seja para agradecerem ao sr. Bush a posição de não querer o ensino do Português nas escolas americanas.
De facto, dado o conhecido gabarito intelectual do senhor em causa, devemos estar gratos por não querer misturar-se connosco. Vade retro!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Ainda o acidente da A-23

De tudo aquilo que foi noticiado acerca do acidente, há um aspecto que, embora não tenha impacto mediático, deve ser realçado - o funcionamento do sistema de socorro.

Os socorros apareceram em tempo útil e quantidade e qualidade suficientes. A PSP e GNR abriram corredores de emergência até aos hospitais de evacuação. Nos hospitais foram tomadas as medidas adequadas, afastando os meios de comunicação social para local onde não estorvassem a actividade assistencial.

Há um aspecto, noticiado por uma das TVs, que não deve passar em claro: os funcionários do Hospital de Castelo Branco (os mesmos que os governos, desde 2002, querem demonstrar serem uma malandragem que não quer trabalhar e que só com "chicote e cenoura" funciona) apresentaram-se voluntariamente nos seus locais de trabalho para tornarem possível a eficácia da assistência. Certamente que não estavam em regime de prevenção e duvido que exijam o pagamento do trabalho prestado.

É uma coisa que os senhores políticos nunca serão capazes de perceber. Há quem tenha sentimentos e não trabalhe exclusivamente por dinheiro!

Não sendo caso para parabéns, uma vez que não se trata de um acto festivo, devemos prestar o nosso reconhecimento a todos que prestaram o socorro e aos que o coordenaram e que prepararam os planos de emergência, já que uma acção destas não resulta de improvisos.

Legalidades....

Foi noticiado que a GNR de Oliveira de Frades notificou os Bombeiros Voluntários locais de que não poderiam tocar a sirene de alerta durante a noite, porque infringia a lei do ruído, tendo havido queixas de habitantes.

Os bombeiros não têm outra maneira de alertar os voluntários para uma emergência. Pode ser o sucedâneo do medieval sino a rebate, mas é o que há!
Pessoalmente, defendo que os bombeiros devem ser estatais, como a PSP ou a GNR, sendo os voluntários, a existirem, meramente complementares.

A GNR cumpre o seu dever, aplicando estritamente os preceitos legais. Há uns anos, um capitão da BT da GNR opinou para uma TV que a "tolerância zero" não era solução para a sinistralidade rodoviária. Logo o ministro da Administração Interna da época veio dizer que "um capitão da GNR é pago para cumprir a lei e não para pensar". Ficamos esclarecidos...

Não me admira que a lei fosse traduzida automaticamente de um país onde nem se admita a hipótese de os bombeiros serem voluntários. Recentemente, perante as constantes emendas ao Código do Processo Penal, com expressão em Francês e Inglês, fico com as mais sérias dúvidas...

Consequências do "estado de direito"....

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A greve na Função Pública

Quando já se anuncia mais uma greve, como expressão do mais que justificado protesto dos funcionários perante um governo prepotente e insensível, venho fazer uma reflexão sobre a utilidade desta forma de luta no caso da Função Pública e de outros sectores de serviços de utilidade social.

Se procurarmos perceber qual a génese da greve como forma de luta dos trabalhadores, somos levados à era industrial, como forma de pressionar o patronato.
Os lucros do patrão são resultado da venda da produção. Se não produzirmos, o patrão vê os seus lucros diminuídos e tentará um acordo com os trabalhadores que, embora lhe diminua eventualmente os lucros, ainda lhe deixa alguns.
Em resumo, a greve prejudica o patrão, mas poderá trazer benefícios aos trabalhadores.

Vejamos agora o caso das greves de serviços públicos. Embora o "patrão" seja o Povo, a greve é contra o "feitor da quinta", isto é, o governo.
Neste caso, os utentes dos serviços não são atendidos, o que lhes poderá acarretar grandes prejuízos. Estou a ver as pessoas de aldeias que se levantam de madrugada para irem à consulta a uma cidade, gastam uma importância considerável em transportes e vêem os seus propósitos gorados. Claro que não culparão o governo, mas sim os grevistas.
O governo, com a habitual insensibilidade social, está-se nas tintas e até poupa uns trocos em energia eléctrica e papel.
Os grevistas não ganham os dias de greve. O governo arrecada uns milhões de euros.
Resumindo, neste caso, a greve não afecta aqueles que se querem afectar, mas os próprios grevistas e o Povo, que não merece, embora possa dar um grande espectáculo na comunicação social.

É portanto necessário arranjar uma forma de luta que "doa" ao governo e não prejudique os utentes.
Que tal, se em determinada semana se cumprissem estritamente as leis e os regulamentos? Como muitos são contraditórios e desadaptados da actualidade e da realidade, iria criar-se um "nó cego" que, esse sim, iria doer muito ao governo.