No passado domingo terminou o campeonato de futebol e aconteceu o facto inédito de a respectiva taça ter sido entregue ao campeão, Benfica, menos de meia hora depois do jogo.
Comparando com a época anterior, em que a taça foi entregue ao campeão, Porto, mais de 6 meses depois do jogo, temos de nos congratular com a melhoria do desempenho da Liga de Futebol, indicativo dos abissais ganhos de produtividade característicos do Portugal actual.
Mas há mais para nos orgulharmos e cimentar a nossa esperança num futuro promissor.
Ao mesmo tempo que terminava o jogo Benfica - Rio Ave, em Lisboa, terminava no Funchal o jogo Nacional - Braga, que também poderia determinar o Braga como campeão.
Certamente que a Liga de Clubes, fazendo jus à honestidade, probidade, transparência e isenção de que deu sobejas provas ao longo da época, não deixou de pôr a hipótese de o campeão ser o Braga e de lhe ser entregue a respectiva taça com a mesma celeridade.
Aqui surge o facto que justifica o nosso júbilo e esperança no choque tecnológico. É que a entrega da taça no Funchal cerca de meia hora depois do jogo só era possível com teletransporte, aquela coisa que aparece nos filmes de ficção científica. Certamente a técnica já está em avançado desenvolvimento (talvez na PT...) e era a oportunidade de mais um teste e apresentação pública da mais uma vitória tecnológica.
Lamento não ter sido assim, pois aumentaria a credibilidade da nossa economia e talvez evitasse o esbulho de que vamos ser vítimas.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Insegurança nas pescas
Nos últimos tempos têm-se sucedido acidentes com barcos de pesca, uns artesanais outros com certa sofisticação, com a infeliz consequência da morte de vários pescadores.
Uma das características comuns a estas mortes é a falta de uso de coletes de salvação por parte dos pescadores. Entrevistado por uma televisão um pescador disse que os barcos tinham os coletes por ser obrigatório, mas que ninguém os usava por ser impossível trabalhar com eles vestidos. E mostrou um dos coletes. De facto, com aquilo vestido nem um café se consegue tomar em condições e muito menos trabalhar. Mais disse que os coletes bons eram muito caros e, se o governo quisesse que os usassem, que desse subsídios para isso.
Ora cá está uma das causas de muitos acidentes nos mais diversos domínios, desde casa à estradas, construção civil, oficinas, etc. Há a ideia de que o material de segurança, incluindo o simples cinto do carro, só se usa para agradar aos fiscais e não para salvar a nossa vida. Também está nessas declarações a ideia de que o governo tem de pagar as actividades privadas. Lembrei-me logo dos táxis a exigirem sistemas de protecção que não querem pagar, etc. Não me admira que a seguir se insurjam contra a existência dos serviços públicos que pagariam os tais subsídios...
Intrigado com a história dos coletes, fui à Net procurar os preços dos fatos insufláveis para uso profissional e encontrei-os, com certificação e aprovação oficial, desde os 30 euros, insufláveis à boca, até menos de 300 euros, com insuflação automática, luzes de alerta, etc. Isto para venda ao público! Será que uma vida não vale 30 euros?
Vê-se que a falta de utilização dos coletes que promovem a segurança sem estorvarem o trabalho só acontece por ignorância ou aquele espírito portuga do "artista" que é o maior da rua dele.
As companhias de seguros, a quem se deve a maior parte do que está feito em matéria de segurança no trabalho, podiam ter um papel fundamental na solução deste problema. Oferecerem um colete insuflável por cada seguro de vida de pescador, introduzindo uma cláusula de não pagamento de qualquer indemnização por morte, caso o acidentado não tivesse o colete vestido.
Quando a informação não chega, tem de se usar outros métodos.
Uma das características comuns a estas mortes é a falta de uso de coletes de salvação por parte dos pescadores. Entrevistado por uma televisão um pescador disse que os barcos tinham os coletes por ser obrigatório, mas que ninguém os usava por ser impossível trabalhar com eles vestidos. E mostrou um dos coletes. De facto, com aquilo vestido nem um café se consegue tomar em condições e muito menos trabalhar. Mais disse que os coletes bons eram muito caros e, se o governo quisesse que os usassem, que desse subsídios para isso.
Ora cá está uma das causas de muitos acidentes nos mais diversos domínios, desde casa à estradas, construção civil, oficinas, etc. Há a ideia de que o material de segurança, incluindo o simples cinto do carro, só se usa para agradar aos fiscais e não para salvar a nossa vida. Também está nessas declarações a ideia de que o governo tem de pagar as actividades privadas. Lembrei-me logo dos táxis a exigirem sistemas de protecção que não querem pagar, etc. Não me admira que a seguir se insurjam contra a existência dos serviços públicos que pagariam os tais subsídios...
Intrigado com a história dos coletes, fui à Net procurar os preços dos fatos insufláveis para uso profissional e encontrei-os, com certificação e aprovação oficial, desde os 30 euros, insufláveis à boca, até menos de 300 euros, com insuflação automática, luzes de alerta, etc. Isto para venda ao público! Será que uma vida não vale 30 euros?
Vê-se que a falta de utilização dos coletes que promovem a segurança sem estorvarem o trabalho só acontece por ignorância ou aquele espírito portuga do "artista" que é o maior da rua dele.
As companhias de seguros, a quem se deve a maior parte do que está feito em matéria de segurança no trabalho, podiam ter um papel fundamental na solução deste problema. Oferecerem um colete insuflável por cada seguro de vida de pescador, introduzindo uma cláusula de não pagamento de qualquer indemnização por morte, caso o acidentado não tivesse o colete vestido.
Quando a informação não chega, tem de se usar outros métodos.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A lição da Madeira
Tenho acompanhado com solidária preocupação os trágicos acontecimentos das inundações na Madeira.
De toda esta tragédia surge o dr. Alberto João Jardim, que víamos como alguém situado entre o "cromo" e o "palhaço rico", como um verdadeiro homem de estado.
Perguntado no sábado á tarde, por uma jornalista naturalmente habituada às manifestações de preocupação folclórica que geralmente acompanham estas situações, porque não o tinha visto na baixa do Funchal, respondeu que o lugar dele era a coordenar as operações de socorro no gabinete e não a posar para a fotografia. O Marquês de Pombal não diria melhor! Atitude digna de um verdadeiro "comandante"!
Por outro lado, outros responsáveis políticos madeirenses, e não só, de quem se esperaria que exortassem os seus seguidores a juntar os seus esforços aos do governo regional na prestação dos necessários socorros, divertiam-se a culpar o governo de toda a situação e a tentar arrecadar dividendos políticos da situação.
Infelizmente, estes últimos retratam bem a actuação habitual dos nossos politiqueiros, mais interessados em arrecadar uns votitos que em servir o povo, surgindo o dr. Alberto João, mais uma vez, como "outsider", mas desta vez muito pela positiva...
De toda esta tragédia surge o dr. Alberto João Jardim, que víamos como alguém situado entre o "cromo" e o "palhaço rico", como um verdadeiro homem de estado.
Perguntado no sábado á tarde, por uma jornalista naturalmente habituada às manifestações de preocupação folclórica que geralmente acompanham estas situações, porque não o tinha visto na baixa do Funchal, respondeu que o lugar dele era a coordenar as operações de socorro no gabinete e não a posar para a fotografia. O Marquês de Pombal não diria melhor! Atitude digna de um verdadeiro "comandante"!
Por outro lado, outros responsáveis políticos madeirenses, e não só, de quem se esperaria que exortassem os seus seguidores a juntar os seus esforços aos do governo regional na prestação dos necessários socorros, divertiam-se a culpar o governo de toda a situação e a tentar arrecadar dividendos políticos da situação.
Infelizmente, estes últimos retratam bem a actuação habitual dos nossos politiqueiros, mais interessados em arrecadar uns votitos que em servir o povo, surgindo o dr. Alberto João, mais uma vez, como "outsider", mas desta vez muito pela positiva...
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Fui roubado
Não! Não vou falar dos escandalosos vencimentos dos "boys" partidários sem o mínimo de qualificações colocados em importantes e rendosos lugares em empresas controladas pelo Estado. Vou falar de ladrões baratos.
Quando na terça-feira regressava do carnaval de Ovar, no parque da estação da CP de Aveiro, notei algo estranho no espelho esquerdo do meu carro: o vidro espelhado não estava lá! Como não havia estilhaços de vidro no chão, concluí que o espelho tinha sido meticulosamente desmontado e subtraído, presumivelmente furtado (temos de ter muito cuidado com as palavras...).
O artista (não lhe chamo ladrão para não ser processado por ofensa ao bom nome e imagem social do presumível subtractor...) sabia o que estava a fazer, mas, talvez devido a má posição do carro, partiu um terminal do circuito de aquecimento da peça que levou. Espero que não me exija indemnização por isso...
Claro que não apresentei queixa, temendo que algum juiz me obrigasse a pagar ao artista o tempo gasto em tão meticuloso trabalho.
Quando na terça-feira regressava do carnaval de Ovar, no parque da estação da CP de Aveiro, notei algo estranho no espelho esquerdo do meu carro: o vidro espelhado não estava lá! Como não havia estilhaços de vidro no chão, concluí que o espelho tinha sido meticulosamente desmontado e subtraído, presumivelmente furtado (temos de ter muito cuidado com as palavras...).
O artista (não lhe chamo ladrão para não ser processado por ofensa ao bom nome e imagem social do presumível subtractor...) sabia o que estava a fazer, mas, talvez devido a má posição do carro, partiu um terminal do circuito de aquecimento da peça que levou. Espero que não me exija indemnização por isso...
Claro que não apresentei queixa, temendo que algum juiz me obrigasse a pagar ao artista o tempo gasto em tão meticuloso trabalho.
O dia em que fui preso
Faz hoje 54 anos, tinha eu 10 anos, que fui preso pelo hediondo crime de prática desportiva na via pública sem a respectiva licença.
Foi na Rua da Igreja de Paranhos a chegar ao Largo do Campolindo. Estávamos 4 putos a jogar a laranjinha, quando apareceram 3 polícias (nesse tempo ainda havia muitos a pé...) que nos prenderam.
Para os menos versados nestas coisas do desporto passo a informar que a laranjinha se jogava com um bocado de casca de laranja, que se lançava com a mão. Portas de garagem, uma de cada lado da rua, eram as balizas. O resto já devem saber: muda aos 6, acaba aos 12. Era uma espécie de handebol do desenrasca!
Fomos levados para a esquadra, ali próxima, e valeu-me ter aparecido o bom do sr. José Paulo, pai do meu amigo Zeto, e pagar a multa de 16$50 (naquele tempo dava para um bom almoço...), para eu me ver livre daquilo.
Nunca mais me esqueceu o 18 de Fevereiro! Nunca mais acreditei em polícias de bom senso nem na inteligência das leis...
Foi na Rua da Igreja de Paranhos a chegar ao Largo do Campolindo. Estávamos 4 putos a jogar a laranjinha, quando apareceram 3 polícias (nesse tempo ainda havia muitos a pé...) que nos prenderam.
Para os menos versados nestas coisas do desporto passo a informar que a laranjinha se jogava com um bocado de casca de laranja, que se lançava com a mão. Portas de garagem, uma de cada lado da rua, eram as balizas. O resto já devem saber: muda aos 6, acaba aos 12. Era uma espécie de handebol do desenrasca!
Fomos levados para a esquadra, ali próxima, e valeu-me ter aparecido o bom do sr. José Paulo, pai do meu amigo Zeto, e pagar a multa de 16$50 (naquele tempo dava para um bom almoço...), para eu me ver livre daquilo.
Nunca mais me esqueceu o 18 de Fevereiro! Nunca mais acreditei em polícias de bom senso nem na inteligência das leis...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Licenciaturas de segunda?
Os enfermeiros estão em greve e quero daqui exprimir-lhes o meu apoio e dar uma ajudinha solidária, pois também eu fui considerado "licenciado de segunda" pelo Ministério da Saúde.
Há cerca de 10 anos que o curso de enfermagem é uma licenciatura, com todas as exigências de acesso e estudo de qualquer outra licenciatura (daquelas "a sério"!).
Acontece que, profissionalmente e em termos de remuneração na carreira, o Estado se recusa a considerá-los técnicos superiores (licenciados), considerando-os como técnicos (bacharéis).
Comigo passou-se o mesmo, pois tendo entrado como bacharel e tendo-me licenciado, ao fim do 23 anos ainda não me tinham considerado técnico superior.
Houve em 1999 uma legislação para reclassificação dos funcionários que tivessem habilitações superiores às correspondentes à categoria em que estavam, mas estava com uma redacção tal, que só os "amigos" passaram.
Actualmente, com o fim dos bacharelatos, os bacharéis das carreiras gerais da Função Pública passaram a técnicos superiores, o que não aconteceu com os enfermeiros licenciados.
Têm portanto estes profissionais toda a razão no seu protesto,
Será que a razão é a dúvida de um escriba de um jornal da Figueira da Foz, que há 10 anos protestava contra a licenciatura dos enfermeiros com esta inteligente justificação: "então depois a quem é que eu chamo doutor?"?
Há cerca de 10 anos que o curso de enfermagem é uma licenciatura, com todas as exigências de acesso e estudo de qualquer outra licenciatura (daquelas "a sério"!).
Acontece que, profissionalmente e em termos de remuneração na carreira, o Estado se recusa a considerá-los técnicos superiores (licenciados), considerando-os como técnicos (bacharéis).
Comigo passou-se o mesmo, pois tendo entrado como bacharel e tendo-me licenciado, ao fim do 23 anos ainda não me tinham considerado técnico superior.
Houve em 1999 uma legislação para reclassificação dos funcionários que tivessem habilitações superiores às correspondentes à categoria em que estavam, mas estava com uma redacção tal, que só os "amigos" passaram.
Actualmente, com o fim dos bacharelatos, os bacharéis das carreiras gerais da Função Pública passaram a técnicos superiores, o que não aconteceu com os enfermeiros licenciados.
Têm portanto estes profissionais toda a razão no seu protesto,
Será que a razão é a dúvida de um escriba de um jornal da Figueira da Foz, que há 10 anos protestava contra a licenciatura dos enfermeiros com esta inteligente justificação: "então depois a quem é que eu chamo doutor?"?
sábado, 23 de janeiro de 2010
Da qualidade das leis à discussão da avaliação
O Expresso de hoje noticia que leis mal feitas custam 7,5 mil milhões de euros ao país, cerca de metade do défice do sector Estado, havendo a opinião de um especialista de que esta avaliação está feita por baixo.
Claro que falta contabilizar os custos de funcionamento da Assembleia da República, cuja função é exactamente legislar.
A ser verdade o noticiado, parece demonstrar-se incompetência total de quem legisla e de quem promulga as leis.
Nesta conformidade, e no contexto das discussões sobre avaliações de funcionários públicos, surge-me a dúvida: afinal quem é que tem legitimidade moral para avaliar quem?
Mais se informa que as leis não são feitas pelos deputados (não foram eleitos para isso?), mas encomendadas, e principescamente pagas, a escritórios de advogados.
De tudo isto, e sempre no sentido de ajudar, surge-me uma ideia, que talvez concorresse para a diminuição do tal défice.
A Assembleia da República passaria a funcionar num T2, com um staff constituído pelo Presidente (fica sempre bem um presidente!) e uma equipa administrativa que soubesse fazer escorreitamente concursos para elaboração das leis. O palácio de S. Bento seria vendido ou arrendado para hotel de charme. Os deputados, incapazes de fazer aquilo para que foram eleitos, seriam dispensados e as votações seriam efectuadas por votação electrónica a partir das sedes dos partidos, cabendo a cada um o número de votos correspondente aos deputados eleitos (assim a modos que a assembleia-geral do Benfica).
Já viram o dinheirão que se poupava, obtendo-se os mesmos efeitos?
Por favor não culpem das asneiras os editores do Diário da República!
Claro que falta contabilizar os custos de funcionamento da Assembleia da República, cuja função é exactamente legislar.
A ser verdade o noticiado, parece demonstrar-se incompetência total de quem legisla e de quem promulga as leis.
Nesta conformidade, e no contexto das discussões sobre avaliações de funcionários públicos, surge-me a dúvida: afinal quem é que tem legitimidade moral para avaliar quem?
Mais se informa que as leis não são feitas pelos deputados (não foram eleitos para isso?), mas encomendadas, e principescamente pagas, a escritórios de advogados.
De tudo isto, e sempre no sentido de ajudar, surge-me uma ideia, que talvez concorresse para a diminuição do tal défice.
A Assembleia da República passaria a funcionar num T2, com um staff constituído pelo Presidente (fica sempre bem um presidente!) e uma equipa administrativa que soubesse fazer escorreitamente concursos para elaboração das leis. O palácio de S. Bento seria vendido ou arrendado para hotel de charme. Os deputados, incapazes de fazer aquilo para que foram eleitos, seriam dispensados e as votações seriam efectuadas por votação electrónica a partir das sedes dos partidos, cabendo a cada um o número de votos correspondente aos deputados eleitos (assim a modos que a assembleia-geral do Benfica).
Já viram o dinheirão que se poupava, obtendo-se os mesmos efeitos?
Por favor não culpem das asneiras os editores do Diário da República!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
