No ano de 1956 entraram para o 1.º ano, turma A, do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, 39 miúdos de 10 anos, entre os quais me incluo.
Seguiram os seus estudos e as mais diversas opções profissionais e nos mais diversos lugares do mundo. Passados muitos anos, um encontra outro, procuram-se antigos colegas e reúne-se toda a gente encontrável num almoço. Os almoços vão-se repetindo com frequências tendencialmente anuais e hoje foi o mais recente.
Recordam-se peripécias, professores, colegas e até já houve uma pequena recriação dos jogos da "laranjinha". Só faltou a corrida de "Dinky Toys" na visita ao velho liceu no ano do centenário! Essencialmente são momentos de boa disposição em que parece que todos recuámos 53 anos e voltámos à juventude.
Infelizmente, há 9 que não mais voltarão. Não morreram porque só morre quem é esquecido...
Um grande abraço para os que voltam e também para os outros.
sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
O triste exemplo da France Telecom
Nos últimos dias fomos surpreendidos com a notícia de 24 suicídios de trabalhadores da France Telecom em somente 18 meses. Também ouvimos testemunhos de trabalhadores a descreverem as incríveis medidas de "restruturação" da empresa, incluindo da boca do próprio gestor (?) de recursos humanos. Os trabalhadores mudam periodicamente de funções e de local de trabalho (dezenas ou centenas de quilómetros de distância), com aviso na véspera. Quem não aceitar é despedido!
O tal gestor (?) classifica os trabalhadores de malandragem que o que quer é boa vida.
Tenho a impressão de que já ouvi esta ladainha em qualquer lado...!
Como houve bronca na comunicação social, o tal senhor foi afastado das funções de gestor dos recursos humanos, mas não foi afastado do conselho de administração, o que demonstra que só cumpria a política da empresa.
Também por cá há casos semelhantes de insuportavel pressão sobre os trabalhadores que, se não se suicidam, morrem de enfartes e exaustão nas próprias instalações das empresas, esquecem compromissos familiares, andam horas à procura do carro estacionado... Infelizmente não são tão poucos casos como possa parecer!
Ora há quem chame a isto boa gestão em resposta às exigências de competitividade, necessidades de relançamento da economia, bla, bla, etc., etc..., utilizando a instabilidade do emprego como forma de pressão sobre os trabalhadores. Os negreiros usavam o chicote, mas esses eram umas bestas...
Eu chamo-lhe grossa asneira e passo a demonstrar, em face do que aprendi há 40 anos no Instituto Industrial do Porto, antecessor do ISEP, e da minha experiência profissional.
Estudava-se nessa época a disciplina de Organização Industrial, tendo como livro-base a "Introdução ao Estudo do Trabalho", da OIT.
Ensinava essse livro que, para uma empresa funcionar bem e ter boa produtividade, os trabalhadores deviam exercer as suas funções nas melhores condições ambientais possíveis, boa iluminação, cores agradáveis, posto de trabalho o mais cómodo possível em termos ergonómicos, se possível música ambiente, etc.
Para minorar a pressão da vida familiar, nos tempos do governo do prof. Marcelo Caetano, as grandes empresas (do chamado grupo A) eram obrigadas a ter creche para os filhos dos trabalhadores, cantinas e outros serviços sociais (o Estado não tinha...). As grandes plantações de chá de Moçambique, chegavam a ter escola, capela e pequeno hospital.
Qualquer pessoa que alguma vez tenha trabalhado sabe que, se o trabalho é executado nessas condições, pode até tornar-se num prazer e, não havendo fadiga, aumenta-se facilmente a produtividade. Não me parece necessário um MBA para saber isto...
Parece-me que com as teorias agora tão em voga, dizem que derivadas da globalização (tem as costas largas!), estamos em franco retrocesso social, só faltando que os negreiros voltem a usar o chicote.
Há que reagir, pois a culpa tanto é de quem executa essas políticas como de quem deixa - todos nós!
O tal gestor (?) classifica os trabalhadores de malandragem que o que quer é boa vida.
Tenho a impressão de que já ouvi esta ladainha em qualquer lado...!
Como houve bronca na comunicação social, o tal senhor foi afastado das funções de gestor dos recursos humanos, mas não foi afastado do conselho de administração, o que demonstra que só cumpria a política da empresa.
Também por cá há casos semelhantes de insuportavel pressão sobre os trabalhadores que, se não se suicidam, morrem de enfartes e exaustão nas próprias instalações das empresas, esquecem compromissos familiares, andam horas à procura do carro estacionado... Infelizmente não são tão poucos casos como possa parecer!
Ora há quem chame a isto boa gestão em resposta às exigências de competitividade, necessidades de relançamento da economia, bla, bla, etc., etc..., utilizando a instabilidade do emprego como forma de pressão sobre os trabalhadores. Os negreiros usavam o chicote, mas esses eram umas bestas...
Eu chamo-lhe grossa asneira e passo a demonstrar, em face do que aprendi há 40 anos no Instituto Industrial do Porto, antecessor do ISEP, e da minha experiência profissional.
Estudava-se nessa época a disciplina de Organização Industrial, tendo como livro-base a "Introdução ao Estudo do Trabalho", da OIT.
Ensinava essse livro que, para uma empresa funcionar bem e ter boa produtividade, os trabalhadores deviam exercer as suas funções nas melhores condições ambientais possíveis, boa iluminação, cores agradáveis, posto de trabalho o mais cómodo possível em termos ergonómicos, se possível música ambiente, etc.
Para minorar a pressão da vida familiar, nos tempos do governo do prof. Marcelo Caetano, as grandes empresas (do chamado grupo A) eram obrigadas a ter creche para os filhos dos trabalhadores, cantinas e outros serviços sociais (o Estado não tinha...). As grandes plantações de chá de Moçambique, chegavam a ter escola, capela e pequeno hospital.
Qualquer pessoa que alguma vez tenha trabalhado sabe que, se o trabalho é executado nessas condições, pode até tornar-se num prazer e, não havendo fadiga, aumenta-se facilmente a produtividade. Não me parece necessário um MBA para saber isto...
Parece-me que com as teorias agora tão em voga, dizem que derivadas da globalização (tem as costas largas!), estamos em franco retrocesso social, só faltando que os negreiros voltem a usar o chicote.
Há que reagir, pois a culpa tanto é de quem executa essas políticas como de quem deixa - todos nós!
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Uma ajudinha ao sr. primeiro-ministro (3) - O TGV
Entre as grandes confusões geradas pelas declarações dos senhores membros do governo e demais políticos do PS está o projecto TGV.
Todas as explicações dadas são óptimas razões para não se construir tal projecto. Parece que andam afanosamente a praticar o seu desporto preferido - o tiro no pé!
Ora vejamos o que se argumenta:
1 - Se os espanhóis têm, também nós temos de ter! Ora aqui está um argumento parolo, provinciano, saloio, bimbo. Um verdadeiro atentado à inteligência!
2 - Leva os passageiros em menos meia hora de Lisboa ao Porto e menos umas duas horas de Lisboa a Madrid, sendo complemento ao novo aeroporto. Também não é explicação inteligente para justificar tal encargo.
Vejamos agora o que deveria ter sido feito.
Deveria ter sido explicado às pessoas (a grande maioria leiga em matéria de economia de transportes) que, para aumentar a competitividade das nossas exportações, devemos utilizar todos os meios de transporte de modo sinérgico e complementar, sendo que, em termos terrestres, o ferroviário é o mais económico e ecológico.
Por outro lado, a nossa rede ferroviária, com mais de 100 anos, está superlotada e sem ligação para além de Espanha (enquanto tiver compatibilidade com Espanha), por diferença das bitolas (largura entre carris) com as restantes redes europeias.
As contas de superlotação, por exemplo da linha do Norte, são muito simples de fazer: a diferença de tempo mínima de segurança entre dois comboios é de 2 minutos, o que leva a que não possam passar num troço de via mais de 30 comboios por hora, o que daria, sem paragens, 720 comboios por dia. Ora, com todas as paragens dos ronceiros urbanos e regionais, já lá passam 600 comboios por dia. Mais é muito difícil!
A dr.ª Ana Paula Vitorino tentou explicar isto, mas depressa se calou. Se calhar foi repreendida por estar a tirar os pés da linha de tiro...
Visto haver vantagens na utilização do transporte ferroviário e estar demonstrada a sobrelotação das vias existentes, é óbvia a necessidade de construir novas vias para a circulação das mercadorias.
A construirem-se novas vias, claro que serão com ligação às redes europeias e visão nos comboios de alta velocidade do futuro e não para os ronceiros a vapor do sec. XIX.
É esta a grande questão! Se passa lá ou não o comboio de passageiros que leva uns senhores de Lisboa a ir tomar café ao Porto em menos meia hora é supérfluo e irrelevante.
Todas as explicações dadas são óptimas razões para não se construir tal projecto. Parece que andam afanosamente a praticar o seu desporto preferido - o tiro no pé!
Ora vejamos o que se argumenta:
1 - Se os espanhóis têm, também nós temos de ter! Ora aqui está um argumento parolo, provinciano, saloio, bimbo. Um verdadeiro atentado à inteligência!
2 - Leva os passageiros em menos meia hora de Lisboa ao Porto e menos umas duas horas de Lisboa a Madrid, sendo complemento ao novo aeroporto. Também não é explicação inteligente para justificar tal encargo.
Vejamos agora o que deveria ter sido feito.
Deveria ter sido explicado às pessoas (a grande maioria leiga em matéria de economia de transportes) que, para aumentar a competitividade das nossas exportações, devemos utilizar todos os meios de transporte de modo sinérgico e complementar, sendo que, em termos terrestres, o ferroviário é o mais económico e ecológico.
Por outro lado, a nossa rede ferroviária, com mais de 100 anos, está superlotada e sem ligação para além de Espanha (enquanto tiver compatibilidade com Espanha), por diferença das bitolas (largura entre carris) com as restantes redes europeias.
As contas de superlotação, por exemplo da linha do Norte, são muito simples de fazer: a diferença de tempo mínima de segurança entre dois comboios é de 2 minutos, o que leva a que não possam passar num troço de via mais de 30 comboios por hora, o que daria, sem paragens, 720 comboios por dia. Ora, com todas as paragens dos ronceiros urbanos e regionais, já lá passam 600 comboios por dia. Mais é muito difícil!
A dr.ª Ana Paula Vitorino tentou explicar isto, mas depressa se calou. Se calhar foi repreendida por estar a tirar os pés da linha de tiro...
Visto haver vantagens na utilização do transporte ferroviário e estar demonstrada a sobrelotação das vias existentes, é óbvia a necessidade de construir novas vias para a circulação das mercadorias.
A construirem-se novas vias, claro que serão com ligação às redes europeias e visão nos comboios de alta velocidade do futuro e não para os ronceiros a vapor do sec. XIX.
É esta a grande questão! Se passa lá ou não o comboio de passageiros que leva uns senhores de Lisboa a ir tomar café ao Porto em menos meia hora é supérfluo e irrelevante.
domingo, 23 de agosto de 2009
Sacrossanta estupidez!
Acabo de ver no noticiário das 22 horas da RTP 2 uma reportagem sobre o lamentável desastre da queda de uma arriba no Algarve, onde se entrevistavam algumas pessoas espapaçadas debaixo de uma arriba, mesmo junto a um sinal triangular de perigo de queda de pedras, com o aviso "Perigo de queda de pedras" escrito em português, inglês e outra língua que agora não me recordo.
Perguntados sobre se não tinham consciência do perigo que corriam, um respondeu "Também era muito azar que fosse cair agora. Nós portugueses somos assim! Também nas estradas há sinais de perigo e nós passamos na mesma...". Outra afirmava "A responsabilidade não é minha. O governo é que deve impedir que nós aqui estejamos!"
Perante estas respostas, só se pode concluir que os portugueses não precisam de inimigos. São um povo suicida e que gosta de chicote nas costas para andar direitinho na manada.
Claro que não me admira ver amanhã as mesmas pessoas queixarem-se de excessos de zelo da polícia, dos radares-armadilha, das câmaras de vigilância e outros atropelos à liberdade individual. A verdade é que não merecem outra coisa.
Espero que não representem a maioria do nosso povo, mas uma minoria aberrante.
Eu não me sinto representado!
Perguntados sobre se não tinham consciência do perigo que corriam, um respondeu "Também era muito azar que fosse cair agora. Nós portugueses somos assim! Também nas estradas há sinais de perigo e nós passamos na mesma...". Outra afirmava "A responsabilidade não é minha. O governo é que deve impedir que nós aqui estejamos!"
Perante estas respostas, só se pode concluir que os portugueses não precisam de inimigos. São um povo suicida e que gosta de chicote nas costas para andar direitinho na manada.
Claro que não me admira ver amanhã as mesmas pessoas queixarem-se de excessos de zelo da polícia, dos radares-armadilha, das câmaras de vigilância e outros atropelos à liberdade individual. A verdade é que não merecem outra coisa.
Espero que não representem a maioria do nosso povo, mas uma minoria aberrante.
Eu não me sinto representado!
sábado, 1 de agosto de 2009
Uma ajudinha ao sr. primeiro-ministro (2) - Saúde
Como prometido, cá vai uma ajudinha para perceber o que correu mal relativamente à saúde.
Neste caso temos duas situações principais, não falando dos casos dos médicos e enfermeiros enquanto funcionários, já tratados no post anterior: as maternidades e as urgências.
Desde já devo dizer que concordo com o encerramento de serviços sem condições e sem casuística que justifique a sua existência. O problema foi o método...
No caso das maternidades, nomeou-se uma comissão científica, como é de bom tom, que produziu um estudo onde se propunham as maternidades a encerrar e a manter-se, responsabilizando-se estas pelo trabalho das encerradas.
Acontece que, não pondo em causa o valor científico dos senhores professores doutores membros da comissão, falta ao trabalho uma característica fundamental para ser científico - não é repetível!
No trabalho não se discriminam as condições de cada maternidade, uma a uma, para se concluir estar ou não dentro dos parâmetros exigidos. Foi-se simplesmente pela casuística e localização, que se confundiu com qualidade, omitindo todo o resto.
Chegou-se ao facto incrível e ridículo de o sr. ministro entregar ao Serviço de Obstetrícia de um hospital o Prémio Educação 2005/06 pelo projecto Preparação Parental para o Nascimento e, no dia seguinte, o mesmo sr. ministro encerrar o mesmo serviço por, com base no tal trabalho "científico", não ter qualidade.
Esse serviço, que tinha laboratório permanente 2 pisos abaixo, bloco operatório na porta em frente e equipas de anestesia e cirurgia permanentemente disponíveis, encerrou. Ficou aberta uma maternidade, na capital de distrito, sem laboratório e sem equipa cirúrgica permanente.
Se houvesse a frontalidade de dizer que, em face da casuística, a análise custo-benefício era desfavorável à manutenção do funcionamento, toda a gente perceberia.
Se um restaurante com cerca de 30 trabalhadores só servir uma refeição por dia, toda a gente percebe que é insustentável e terá de fechar.
Por outro lado, houve a pressa arrogante de impor os encerramentos, sem cuidar antecipadamente de dotar as maternidades que se mantinham com os meios de instalações, equipamentos e pessoal necessários para assistir os novos utentes. Vi situações em que enfermarias para 2 camas tinham 4, devido ao novo afluxo.
Quanto às Urgências, o processo foi semelhante.
Neste caso, a comissão produziu um trabalho bem justificado e repetível. Só falhou em não atender a que 60 km na A1 às 23H00, não é o mesmo que 60 km nas estradas da Pampilhosa da Serra à mesma hora, com neve ou nevoeiro.
As populações e a comunicação social confundiam SAP com Urgência. Para quem nunca viu uma Urgência a sério, é fácil estar convencido que um SAP lhe pode salvar a vida.
Não houve o cuidado de informar as pessoas de que os médicos e enfermeiros dos SAP faziam "milagres" todos os dias para atenderem decentemente os utentes, em condições deploráveis de instalações, sem equipamentos e sem qualquer tipo de apoio profissional. Vi alguns onde o equipamento era um esfigmomanómetro, um estetoscópio e um "diagnostic set".
Nestas condições, nem o NOBEL da medicina tinha meios de diagnosticar fosse o que fosse...
Como nestas coisas da saúde o sentimento de segurança é fundamental, faltou fazer as transformações de modo gradual e colocar os meios alternativos nos locais antes dos encerramentos, dando assim confiança aos utentes.
Numa corrida de estafetas, o atleta que recebe o testemunho acompanha o companheiro que lho passa até que estejam à mesma velocidade. Assim deveria ter sido!
Neste caso temos duas situações principais, não falando dos casos dos médicos e enfermeiros enquanto funcionários, já tratados no post anterior: as maternidades e as urgências.
Desde já devo dizer que concordo com o encerramento de serviços sem condições e sem casuística que justifique a sua existência. O problema foi o método...
No caso das maternidades, nomeou-se uma comissão científica, como é de bom tom, que produziu um estudo onde se propunham as maternidades a encerrar e a manter-se, responsabilizando-se estas pelo trabalho das encerradas.
Acontece que, não pondo em causa o valor científico dos senhores professores doutores membros da comissão, falta ao trabalho uma característica fundamental para ser científico - não é repetível!
No trabalho não se discriminam as condições de cada maternidade, uma a uma, para se concluir estar ou não dentro dos parâmetros exigidos. Foi-se simplesmente pela casuística e localização, que se confundiu com qualidade, omitindo todo o resto.
Chegou-se ao facto incrível e ridículo de o sr. ministro entregar ao Serviço de Obstetrícia de um hospital o Prémio Educação 2005/06 pelo projecto Preparação Parental para o Nascimento e, no dia seguinte, o mesmo sr. ministro encerrar o mesmo serviço por, com base no tal trabalho "científico", não ter qualidade.
Esse serviço, que tinha laboratório permanente 2 pisos abaixo, bloco operatório na porta em frente e equipas de anestesia e cirurgia permanentemente disponíveis, encerrou. Ficou aberta uma maternidade, na capital de distrito, sem laboratório e sem equipa cirúrgica permanente.
Se houvesse a frontalidade de dizer que, em face da casuística, a análise custo-benefício era desfavorável à manutenção do funcionamento, toda a gente perceberia.
Se um restaurante com cerca de 30 trabalhadores só servir uma refeição por dia, toda a gente percebe que é insustentável e terá de fechar.
Por outro lado, houve a pressa arrogante de impor os encerramentos, sem cuidar antecipadamente de dotar as maternidades que se mantinham com os meios de instalações, equipamentos e pessoal necessários para assistir os novos utentes. Vi situações em que enfermarias para 2 camas tinham 4, devido ao novo afluxo.
Quanto às Urgências, o processo foi semelhante.
Neste caso, a comissão produziu um trabalho bem justificado e repetível. Só falhou em não atender a que 60 km na A1 às 23H00, não é o mesmo que 60 km nas estradas da Pampilhosa da Serra à mesma hora, com neve ou nevoeiro.
As populações e a comunicação social confundiam SAP com Urgência. Para quem nunca viu uma Urgência a sério, é fácil estar convencido que um SAP lhe pode salvar a vida.
Não houve o cuidado de informar as pessoas de que os médicos e enfermeiros dos SAP faziam "milagres" todos os dias para atenderem decentemente os utentes, em condições deploráveis de instalações, sem equipamentos e sem qualquer tipo de apoio profissional. Vi alguns onde o equipamento era um esfigmomanómetro, um estetoscópio e um "diagnostic set".
Nestas condições, nem o NOBEL da medicina tinha meios de diagnosticar fosse o que fosse...
Como nestas coisas da saúde o sentimento de segurança é fundamental, faltou fazer as transformações de modo gradual e colocar os meios alternativos nos locais antes dos encerramentos, dando assim confiança aos utentes.
Numa corrida de estafetas, o atleta que recebe o testemunho acompanha o companheiro que lho passa até que estejam à mesma velocidade. Assim deveria ter sido!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Uma ajudinha ao sr. primeiro-ministro (1) - Administração Pública
Em entrevista relativamente recente a uma estação televisiva o sr. primeiro-ministro mostrou dificuldades em compreender a razão da crítica ao governo consubstanciada na derrota nas eleições europeias.
Como gosto de ajudar quem necessita, cá vão umas dicas para o ajudar a compreender.
Uma vez que os textos muito longos são fastidiosos e a análise terá uma certa extensão, vamos dividi-la em três aspectos, constantes de outros tantos textos: Administração Pública, saúde e obras estruturantes, sendo certo que a raiz de todos os problemas está na atitude arrogante de quem pensa que, por ter maioria parlamentar, não tem satisfações a dar a ninguém e em certas dificuldades na convergência com a verdade.
Neste primeiro texto, vamos tratar da Administração Pública.
É evidente que a Administração Pública, regida por legislação estrutural produzida pelo prof. Salazar há cerca de 70 anos, necessita de uma renovação. É que essa legislação foi criada para um país que existia, com um regime que existia, num mundo que existia. Hoje tudo é diferente! Há que agilizar e actualizar. O Estado deve funcionar como uma empresa (saber-se onde se gasta o dinheiro, como e porquê), o que não implica que seja uma empresa.
Esteve bem o governo na modernização administrativa, de que até houve um ministro, há 20 anos, sem resultados visíveis. Acabar com os papéis e passos desnecessários, criação de balcões únicos, etc. Tudo isso foi muito meritório!
Para dar um ar modernaço, seguiu os passos dos governos anteriores de Durão Barroso, Ferreira Leite e Bagão Félix na perseguição a tudo o que cheirasse a funcionário público, fosse ele administrativo, médico, enfermeiro, professor, etc. Com as citadas dificuldades de convergência com a verdade, continuou a passar para a opinião pública que se tratava de uma cambada de madraços que não queriam trabalhar, nunca tinham sido avaliados e auferiam de lautos vencimentos. Não me esquece o debate com o dr. Paulo Portas, onde os dois discutiam aos berros quem tinha abatido mais funcionários ao efectivo. Parecia um tasco de pescadores a discutir os tamanhos do pescado!
A verdade é que toda esta gente, na generalidade, é trabalhadora de grande qualidade e foi sempre avaliada todos os anos (posso mostrar fotocópias das minhas). Será que é por serem malandros que o nosso Serviço Nacional de Saúde é um dos melhores do mundo? Quem o colocou neste nível foram acaso os "boys" nomeados pelos governos dos últimos nove anos?
Quanto a vencimentos, enviesando a estatística e seguindo o dr. Bagão Félix, quis demonstrar que os funcionários tinham vencimentos muito mais altos que os trabalhadores das empresas privadas. Evitando as comparações entre profissionais (tem horror aos casos concretos), usou a média. É óbvio que a média de vencimentos de um conjunto onde 50% tem formação superior, terá que ser superior à média do universo dos restantes trabalhadores. Já se compararmos profissionais equivalentes, os resultados são opostos. Recordo-me que, já em 1980, como engenheiro num hospital, ganhava o mesmo que o porteiro da CELBI ou o leitor de contadores da EDP!
Para meter esta gente "na ordem" teimou em aplicar o caricato SIADAP, herdado dos governos PSD/CDS. Como é que um sistema de avaliação desenhado obviamente para unidades de produção pode aplicar-se directamente a unidades de prestação de serviços, como são as da Administração Pública? Só a arrogância ignorante o pode impor!
E aquela ideia das cotas de classificação? Alguém admitia que num exame se dissesse aos alunos que, independentemente do que fizessem, só 5% podia ter mais de 19 e 25% mais de 18?
Que haja cotas na pirâmide das carreiras, é óbvio e ninguém contesta, embora se conheçam casos de nomeação recente de chefes de departamentos sem mais funcionários. Questões de "cartão"?!
Se não fossem as citadas arrogância e dificuldade de convergência com a verdade, certamente teria o sr. primeiro-ministro a esmagadora maioria dos funcionários a seu lado para uma modernização administrativa coerente, gradual e com êxito.
Para a próxima, falamos da saúde.
Como gosto de ajudar quem necessita, cá vão umas dicas para o ajudar a compreender.
Uma vez que os textos muito longos são fastidiosos e a análise terá uma certa extensão, vamos dividi-la em três aspectos, constantes de outros tantos textos: Administração Pública, saúde e obras estruturantes, sendo certo que a raiz de todos os problemas está na atitude arrogante de quem pensa que, por ter maioria parlamentar, não tem satisfações a dar a ninguém e em certas dificuldades na convergência com a verdade.
Neste primeiro texto, vamos tratar da Administração Pública.
É evidente que a Administração Pública, regida por legislação estrutural produzida pelo prof. Salazar há cerca de 70 anos, necessita de uma renovação. É que essa legislação foi criada para um país que existia, com um regime que existia, num mundo que existia. Hoje tudo é diferente! Há que agilizar e actualizar. O Estado deve funcionar como uma empresa (saber-se onde se gasta o dinheiro, como e porquê), o que não implica que seja uma empresa.
Esteve bem o governo na modernização administrativa, de que até houve um ministro, há 20 anos, sem resultados visíveis. Acabar com os papéis e passos desnecessários, criação de balcões únicos, etc. Tudo isso foi muito meritório!
Para dar um ar modernaço, seguiu os passos dos governos anteriores de Durão Barroso, Ferreira Leite e Bagão Félix na perseguição a tudo o que cheirasse a funcionário público, fosse ele administrativo, médico, enfermeiro, professor, etc. Com as citadas dificuldades de convergência com a verdade, continuou a passar para a opinião pública que se tratava de uma cambada de madraços que não queriam trabalhar, nunca tinham sido avaliados e auferiam de lautos vencimentos. Não me esquece o debate com o dr. Paulo Portas, onde os dois discutiam aos berros quem tinha abatido mais funcionários ao efectivo. Parecia um tasco de pescadores a discutir os tamanhos do pescado!
A verdade é que toda esta gente, na generalidade, é trabalhadora de grande qualidade e foi sempre avaliada todos os anos (posso mostrar fotocópias das minhas). Será que é por serem malandros que o nosso Serviço Nacional de Saúde é um dos melhores do mundo? Quem o colocou neste nível foram acaso os "boys" nomeados pelos governos dos últimos nove anos?
Quanto a vencimentos, enviesando a estatística e seguindo o dr. Bagão Félix, quis demonstrar que os funcionários tinham vencimentos muito mais altos que os trabalhadores das empresas privadas. Evitando as comparações entre profissionais (tem horror aos casos concretos), usou a média. É óbvio que a média de vencimentos de um conjunto onde 50% tem formação superior, terá que ser superior à média do universo dos restantes trabalhadores. Já se compararmos profissionais equivalentes, os resultados são opostos. Recordo-me que, já em 1980, como engenheiro num hospital, ganhava o mesmo que o porteiro da CELBI ou o leitor de contadores da EDP!
Para meter esta gente "na ordem" teimou em aplicar o caricato SIADAP, herdado dos governos PSD/CDS. Como é que um sistema de avaliação desenhado obviamente para unidades de produção pode aplicar-se directamente a unidades de prestação de serviços, como são as da Administração Pública? Só a arrogância ignorante o pode impor!
E aquela ideia das cotas de classificação? Alguém admitia que num exame se dissesse aos alunos que, independentemente do que fizessem, só 5% podia ter mais de 19 e 25% mais de 18?
Que haja cotas na pirâmide das carreiras, é óbvio e ninguém contesta, embora se conheçam casos de nomeação recente de chefes de departamentos sem mais funcionários. Questões de "cartão"?!
Se não fossem as citadas arrogância e dificuldade de convergência com a verdade, certamente teria o sr. primeiro-ministro a esmagadora maioria dos funcionários a seu lado para uma modernização administrativa coerente, gradual e com êxito.
Para a próxima, falamos da saúde.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Emprego para a vida ou temporário?
Na edição da passada 3.ª feira, dia 16, do excelente programa "Sociedade Civil" da RTP 2, o tema era "2.º emprego", onde os participantes acabaram por pôr em confronto o velho conceito do emprego para a vida e o cada vez mais praticado trabalho temporário ou de contrato a termo certo. Nada mais "fracturante"!
Entre os participantes, como sempre de elevado nível, sobressaía um gestor de recursos humanos, acérrimo defensor do trabalho a termo.
Dizia o senhor que o emprego para a vida acabou, o que é sinal de progresso, uma vez que os trabalhadores inseguros produzem mais e trabalham mais horas, o que aumenta a produtividade. O senhor Taylor da teoria do chicote e da cenoura não diria melhor! Só que o senhor Taylor morreu em 1915 e está ultrapassadote...
Outra das afirmações do citado senhor foi que o facto de haver profissões, como os enfermeiros, onde há profissionais com 4 empregos e muitos outros desempregados, é sinal positivo: é o mercado a funcionar!
E o senhor gestor de recursos humanos dizia estas coisas com o ar empolgado do fanático religioso a citar os seus dogmas...
Ora tentemos comparar as duas situações, do ponto de vista da empresa empregadora e sem preconceitos ideológico-partidários, que enviesam sempre as coisas.
Quando há uns anos uma pessoa entrava para um emprego, considerava-o desde logo "para a vida". Era uma parte da empresa, trabalho comum de vários, ia deitando o olho ao que se passava à volta, avisava de situações que considerava menos boas para o objectivo comum. Enfim, criava-se uma simbiose entre a empresa e o trabalhador, que era e se sentia mais que uma peça da máquina ou um vendedor de tempo de trabalho. O trabalhador, com um sentimento de segurança, empregava o melhor das suas capacidades nas tarefas que realizava.
Testemunhei isto na instalação do Hospital da Figueira da Foz no actual edifício da Gala em 1975 e 1976. Um grupo de pessoas, que ia gradualmente aumentando, trabalhava com entusiasmo horas e horas, sem remunerações adicionais, só para fazer o "nosso hospital". Sentíamos que aquela era a nossa casa para a vida! Chegou-se mesmo a resistir a determinações governamentais.
Na actual situação dos contratados a prazo, o trabalhador sem qualquer esperança de futuro fica na condição de mercenário ou outros vendedores do tempo e do físico. Não tem nada a ver com a empresa em que trabalha, não apresenta propostas para não "fazer ondas", produz o estritamente contratado. Inseguro, realiza as suas tarefas com o pensamento de onde arranjar o próximo emprego quando este contrato acabar. Está-se nas tintas para os resultados da empresa, com que não sente qualquer afinidade. Se lhe pagam 10 porquê trabalhar 12? Quando compro maçãs também ninguém me dá mais do que eu paguei...
Também proliferam as empresas de trabalho temporário (antigamente chamavam-se negreiros...) que vendem e alugam trabalhadores às empresas que deles necessitam, ficando com parte do salário.
A empresa, em vez de uma família, é um sítio onde um grupo de desconhecidos vende umas horas. Será que isto incentiva a produtividade?
Será muito difícil ver isto?
Entre os participantes, como sempre de elevado nível, sobressaía um gestor de recursos humanos, acérrimo defensor do trabalho a termo.
Dizia o senhor que o emprego para a vida acabou, o que é sinal de progresso, uma vez que os trabalhadores inseguros produzem mais e trabalham mais horas, o que aumenta a produtividade. O senhor Taylor da teoria do chicote e da cenoura não diria melhor! Só que o senhor Taylor morreu em 1915 e está ultrapassadote...
Outra das afirmações do citado senhor foi que o facto de haver profissões, como os enfermeiros, onde há profissionais com 4 empregos e muitos outros desempregados, é sinal positivo: é o mercado a funcionar!
E o senhor gestor de recursos humanos dizia estas coisas com o ar empolgado do fanático religioso a citar os seus dogmas...
Ora tentemos comparar as duas situações, do ponto de vista da empresa empregadora e sem preconceitos ideológico-partidários, que enviesam sempre as coisas.
Quando há uns anos uma pessoa entrava para um emprego, considerava-o desde logo "para a vida". Era uma parte da empresa, trabalho comum de vários, ia deitando o olho ao que se passava à volta, avisava de situações que considerava menos boas para o objectivo comum. Enfim, criava-se uma simbiose entre a empresa e o trabalhador, que era e se sentia mais que uma peça da máquina ou um vendedor de tempo de trabalho. O trabalhador, com um sentimento de segurança, empregava o melhor das suas capacidades nas tarefas que realizava.
Testemunhei isto na instalação do Hospital da Figueira da Foz no actual edifício da Gala em 1975 e 1976. Um grupo de pessoas, que ia gradualmente aumentando, trabalhava com entusiasmo horas e horas, sem remunerações adicionais, só para fazer o "nosso hospital". Sentíamos que aquela era a nossa casa para a vida! Chegou-se mesmo a resistir a determinações governamentais.
Na actual situação dos contratados a prazo, o trabalhador sem qualquer esperança de futuro fica na condição de mercenário ou outros vendedores do tempo e do físico. Não tem nada a ver com a empresa em que trabalha, não apresenta propostas para não "fazer ondas", produz o estritamente contratado. Inseguro, realiza as suas tarefas com o pensamento de onde arranjar o próximo emprego quando este contrato acabar. Está-se nas tintas para os resultados da empresa, com que não sente qualquer afinidade. Se lhe pagam 10 porquê trabalhar 12? Quando compro maçãs também ninguém me dá mais do que eu paguei...
Também proliferam as empresas de trabalho temporário (antigamente chamavam-se negreiros...) que vendem e alugam trabalhadores às empresas que deles necessitam, ficando com parte do salário.
A empresa, em vez de uma família, é um sítio onde um grupo de desconhecidos vende umas horas. Será que isto incentiva a produtividade?
Será muito difícil ver isto?
Subscrever:
Mensagens (Atom)
