Em entrevista relativamente recente a uma estação televisiva o sr. primeiro-ministro mostrou dificuldades em compreender a razão da crítica ao governo consubstanciada na derrota nas eleições europeias.
Como gosto de ajudar quem necessita, cá vão umas dicas para o ajudar a compreender.
Uma vez que os textos muito longos são fastidiosos e a análise terá uma certa extensão, vamos dividi-la em três aspectos, constantes de outros tantos textos: Administração Pública, saúde e obras estruturantes, sendo certo que a raiz de todos os problemas está na atitude arrogante de quem pensa que, por ter maioria parlamentar, não tem satisfações a dar a ninguém e em certas dificuldades na convergência com a verdade.
Neste primeiro texto, vamos tratar da Administração Pública.
É evidente que a Administração Pública, regida por legislação estrutural produzida pelo prof. Salazar há cerca de 70 anos, necessita de uma renovação. É que essa legislação foi criada para um país que existia, com um regime que existia, num mundo que existia. Hoje tudo é diferente! Há que agilizar e actualizar. O Estado deve funcionar como uma empresa (saber-se onde se gasta o dinheiro, como e porquê), o que não implica que seja uma empresa.
Esteve bem o governo na modernização administrativa, de que até houve um ministro, há 20 anos, sem resultados visíveis. Acabar com os papéis e passos desnecessários, criação de balcões únicos, etc. Tudo isso foi muito meritório!
Para dar um ar modernaço, seguiu os passos dos governos anteriores de Durão Barroso, Ferreira Leite e Bagão Félix na perseguição a tudo o que cheirasse a funcionário público, fosse ele administrativo, médico, enfermeiro, professor, etc. Com as citadas dificuldades de convergência com a verdade, continuou a passar para a opinião pública que se tratava de uma cambada de madraços que não queriam trabalhar, nunca tinham sido avaliados e auferiam de lautos vencimentos. Não me esquece o debate com o dr. Paulo Portas, onde os dois discutiam aos berros quem tinha abatido mais funcionários ao efectivo. Parecia um tasco de pescadores a discutir os tamanhos do pescado!
A verdade é que toda esta gente, na generalidade, é trabalhadora de grande qualidade e foi sempre avaliada todos os anos (posso mostrar fotocópias das minhas). Será que é por serem malandros que o nosso Serviço Nacional de Saúde é um dos melhores do mundo? Quem o colocou neste nível foram acaso os "boys" nomeados pelos governos dos últimos nove anos?
Quanto a vencimentos, enviesando a estatística e seguindo o dr. Bagão Félix, quis demonstrar que os funcionários tinham vencimentos muito mais altos que os trabalhadores das empresas privadas. Evitando as comparações entre profissionais (tem horror aos casos concretos), usou a média. É óbvio que a média de vencimentos de um conjunto onde 50% tem formação superior, terá que ser superior à média do universo dos restantes trabalhadores. Já se compararmos profissionais equivalentes, os resultados são opostos. Recordo-me que, já em 1980, como engenheiro num hospital, ganhava o mesmo que o porteiro da CELBI ou o leitor de contadores da EDP!
Para meter esta gente "na ordem" teimou em aplicar o caricato SIADAP, herdado dos governos PSD/CDS. Como é que um sistema de avaliação desenhado obviamente para unidades de produção pode aplicar-se directamente a unidades de prestação de serviços, como são as da Administração Pública? Só a arrogância ignorante o pode impor!
E aquela ideia das cotas de classificação? Alguém admitia que num exame se dissesse aos alunos que, independentemente do que fizessem, só 5% podia ter mais de 19 e 25% mais de 18?
Que haja cotas na pirâmide das carreiras, é óbvio e ninguém contesta, embora se conheçam casos de nomeação recente de chefes de departamentos sem mais funcionários. Questões de "cartão"?!
Se não fossem as citadas arrogância e dificuldade de convergência com a verdade, certamente teria o sr. primeiro-ministro a esmagadora maioria dos funcionários a seu lado para uma modernização administrativa coerente, gradual e com êxito.
Para a próxima, falamos da saúde.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Emprego para a vida ou temporário?
Na edição da passada 3.ª feira, dia 16, do excelente programa "Sociedade Civil" da RTP 2, o tema era "2.º emprego", onde os participantes acabaram por pôr em confronto o velho conceito do emprego para a vida e o cada vez mais praticado trabalho temporário ou de contrato a termo certo. Nada mais "fracturante"!
Entre os participantes, como sempre de elevado nível, sobressaía um gestor de recursos humanos, acérrimo defensor do trabalho a termo.
Dizia o senhor que o emprego para a vida acabou, o que é sinal de progresso, uma vez que os trabalhadores inseguros produzem mais e trabalham mais horas, o que aumenta a produtividade. O senhor Taylor da teoria do chicote e da cenoura não diria melhor! Só que o senhor Taylor morreu em 1915 e está ultrapassadote...
Outra das afirmações do citado senhor foi que o facto de haver profissões, como os enfermeiros, onde há profissionais com 4 empregos e muitos outros desempregados, é sinal positivo: é o mercado a funcionar!
E o senhor gestor de recursos humanos dizia estas coisas com o ar empolgado do fanático religioso a citar os seus dogmas...
Ora tentemos comparar as duas situações, do ponto de vista da empresa empregadora e sem preconceitos ideológico-partidários, que enviesam sempre as coisas.
Quando há uns anos uma pessoa entrava para um emprego, considerava-o desde logo "para a vida". Era uma parte da empresa, trabalho comum de vários, ia deitando o olho ao que se passava à volta, avisava de situações que considerava menos boas para o objectivo comum. Enfim, criava-se uma simbiose entre a empresa e o trabalhador, que era e se sentia mais que uma peça da máquina ou um vendedor de tempo de trabalho. O trabalhador, com um sentimento de segurança, empregava o melhor das suas capacidades nas tarefas que realizava.
Testemunhei isto na instalação do Hospital da Figueira da Foz no actual edifício da Gala em 1975 e 1976. Um grupo de pessoas, que ia gradualmente aumentando, trabalhava com entusiasmo horas e horas, sem remunerações adicionais, só para fazer o "nosso hospital". Sentíamos que aquela era a nossa casa para a vida! Chegou-se mesmo a resistir a determinações governamentais.
Na actual situação dos contratados a prazo, o trabalhador sem qualquer esperança de futuro fica na condição de mercenário ou outros vendedores do tempo e do físico. Não tem nada a ver com a empresa em que trabalha, não apresenta propostas para não "fazer ondas", produz o estritamente contratado. Inseguro, realiza as suas tarefas com o pensamento de onde arranjar o próximo emprego quando este contrato acabar. Está-se nas tintas para os resultados da empresa, com que não sente qualquer afinidade. Se lhe pagam 10 porquê trabalhar 12? Quando compro maçãs também ninguém me dá mais do que eu paguei...
Também proliferam as empresas de trabalho temporário (antigamente chamavam-se negreiros...) que vendem e alugam trabalhadores às empresas que deles necessitam, ficando com parte do salário.
A empresa, em vez de uma família, é um sítio onde um grupo de desconhecidos vende umas horas. Será que isto incentiva a produtividade?
Será muito difícil ver isto?
Entre os participantes, como sempre de elevado nível, sobressaía um gestor de recursos humanos, acérrimo defensor do trabalho a termo.
Dizia o senhor que o emprego para a vida acabou, o que é sinal de progresso, uma vez que os trabalhadores inseguros produzem mais e trabalham mais horas, o que aumenta a produtividade. O senhor Taylor da teoria do chicote e da cenoura não diria melhor! Só que o senhor Taylor morreu em 1915 e está ultrapassadote...
Outra das afirmações do citado senhor foi que o facto de haver profissões, como os enfermeiros, onde há profissionais com 4 empregos e muitos outros desempregados, é sinal positivo: é o mercado a funcionar!
E o senhor gestor de recursos humanos dizia estas coisas com o ar empolgado do fanático religioso a citar os seus dogmas...
Ora tentemos comparar as duas situações, do ponto de vista da empresa empregadora e sem preconceitos ideológico-partidários, que enviesam sempre as coisas.
Quando há uns anos uma pessoa entrava para um emprego, considerava-o desde logo "para a vida". Era uma parte da empresa, trabalho comum de vários, ia deitando o olho ao que se passava à volta, avisava de situações que considerava menos boas para o objectivo comum. Enfim, criava-se uma simbiose entre a empresa e o trabalhador, que era e se sentia mais que uma peça da máquina ou um vendedor de tempo de trabalho. O trabalhador, com um sentimento de segurança, empregava o melhor das suas capacidades nas tarefas que realizava.
Testemunhei isto na instalação do Hospital da Figueira da Foz no actual edifício da Gala em 1975 e 1976. Um grupo de pessoas, que ia gradualmente aumentando, trabalhava com entusiasmo horas e horas, sem remunerações adicionais, só para fazer o "nosso hospital". Sentíamos que aquela era a nossa casa para a vida! Chegou-se mesmo a resistir a determinações governamentais.
Na actual situação dos contratados a prazo, o trabalhador sem qualquer esperança de futuro fica na condição de mercenário ou outros vendedores do tempo e do físico. Não tem nada a ver com a empresa em que trabalha, não apresenta propostas para não "fazer ondas", produz o estritamente contratado. Inseguro, realiza as suas tarefas com o pensamento de onde arranjar o próximo emprego quando este contrato acabar. Está-se nas tintas para os resultados da empresa, com que não sente qualquer afinidade. Se lhe pagam 10 porquê trabalhar 12? Quando compro maçãs também ninguém me dá mais do que eu paguei...
Também proliferam as empresas de trabalho temporário (antigamente chamavam-se negreiros...) que vendem e alugam trabalhadores às empresas que deles necessitam, ficando com parte do salário.
A empresa, em vez de uma família, é um sítio onde um grupo de desconhecidos vende umas horas. Será que isto incentiva a produtividade?
Será muito difícil ver isto?
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Orgulho e vergonha
Alguém na RTP teve a feliz ideia de apresentar um programa - As 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo - que nos mostrou património edificado e classificado pela UNESCO, de cuja existência certamente 99% dos portugueses nem desconfiava, mas também o sentimento das populações locais relativamente à memória dos portugueses.
Da minha experiência, a maioria dessa gente desconhece totalmente que haja um país chamado Portugal, salvo os que se interessam pelo futebol, mas para todos há uma profunda memória dos Portugueses como povo, às vezes mítico. É assim, nomeadamente no Oriente.
Claro que a constatação desta memória positiva nos deve encher de orgulho. Afinal, desfeito materialmente o império, parece que restou qualquer coisa de muito mais válida que o ouro do Brasil ou o comércio da Índia. Os nossos antepassados deixaram uma aura de respeito, admiração e amizade nos mais distantes lugares da Terra. Resta-nos ser dignos da herança!
Aqui é que começa a vergonha... Ouvimos as queixas das gentes de Diu, de Goa, de Malaca, e eu ouvi os de Singapura, fartos de implorar aos governos portugueses, um livro, uma cassete de música (fui testemunha!), uma simples resposta a uma carta e... nada!
Para os incompetentes e ignorantes que nos têm governado, como dali não chegam subsídios nem negociatas imediatos, não é coisa que mereça resposta.
Se algumas respostas houve foram de alguns padres, como o padre Manuel Teixeira, transmontano, o padre Lancelote Rodrigues, malaqueiro, ou D. Domingos Lam, bispo de Macau, chinês, e do último governador de Macau, general Rocha Vieira, que apoiaram dentro das suas possibilidades alguns grupos de descendentes dos portugueses de há 300 anos, nomeadamente em Malaca e Singapura.
Nesses grupos, como o Eurasian Association de Singapura, ainda hoje os mais velhos ensinam semanalmente aos mais novos o Português que sabem - Papiar Kristang - mistura do português de há 300 anos com o malaio, mantêm uma gastronomia de origem portuguesa, cantam as músicas portuguesas de que se lembram e mantêm orgulhosamente nas paredes da associação quadros com as árvores genealógicas das principais famílias, com o português na base. Dizem-se portugueses como afirmação social.
Esta gente, que não é propriamente pedinte, mas influente na economia e no meio social, por exemplo, de Singapura, podia ser muito útil à nossa economia se os nossos governantes tivessem olhos para ver. Bem sei que não jogam futebol, mas são gente que muito poderia ajudar os "parentes", se eles tivessem a amabilidade de lhes dar a mínima atenção.
Talvez porque haja afinal algum governante com vergonha na cara, vi declarações da presidente do Instituto Camões (mas porque é que um organismo eminentemente cultural tem de estar no Ministério dos Negócios Estrangeiros?!), dr.ª Simonetta Luz Afonso, no sentido da criação de um leitor itinerante para apoio a essas comunidades.
A missão não podia estar melhor entregue. A dr.ª Simonetta é profunda conhecedora da situação da herança portuguesa no Oriente e certamente envidará todos os esforços para "limpar" a imagem de Portugal e dos portugueses e colaborar com tão generosas gentes, desde que lhe sejam facultados meios, claro.
É que já houve uma embaixadora, hoje deputada europeia, que fechou a embaixada por não lhe darem verbas para o simples telefone. Esteve meses a pagar do bolso dela!
Espero que sejam dados todos os meios a essa missão e que afastem dela os diplomatas. É que cada um deve fazer o que sabe e o resultado da intervenção diplomática está à vista...
Da minha experiência, a maioria dessa gente desconhece totalmente que haja um país chamado Portugal, salvo os que se interessam pelo futebol, mas para todos há uma profunda memória dos Portugueses como povo, às vezes mítico. É assim, nomeadamente no Oriente.
Claro que a constatação desta memória positiva nos deve encher de orgulho. Afinal, desfeito materialmente o império, parece que restou qualquer coisa de muito mais válida que o ouro do Brasil ou o comércio da Índia. Os nossos antepassados deixaram uma aura de respeito, admiração e amizade nos mais distantes lugares da Terra. Resta-nos ser dignos da herança!
Aqui é que começa a vergonha... Ouvimos as queixas das gentes de Diu, de Goa, de Malaca, e eu ouvi os de Singapura, fartos de implorar aos governos portugueses, um livro, uma cassete de música (fui testemunha!), uma simples resposta a uma carta e... nada!
Para os incompetentes e ignorantes que nos têm governado, como dali não chegam subsídios nem negociatas imediatos, não é coisa que mereça resposta.
Se algumas respostas houve foram de alguns padres, como o padre Manuel Teixeira, transmontano, o padre Lancelote Rodrigues, malaqueiro, ou D. Domingos Lam, bispo de Macau, chinês, e do último governador de Macau, general Rocha Vieira, que apoiaram dentro das suas possibilidades alguns grupos de descendentes dos portugueses de há 300 anos, nomeadamente em Malaca e Singapura.
Nesses grupos, como o Eurasian Association de Singapura, ainda hoje os mais velhos ensinam semanalmente aos mais novos o Português que sabem - Papiar Kristang - mistura do português de há 300 anos com o malaio, mantêm uma gastronomia de origem portuguesa, cantam as músicas portuguesas de que se lembram e mantêm orgulhosamente nas paredes da associação quadros com as árvores genealógicas das principais famílias, com o português na base. Dizem-se portugueses como afirmação social.
Esta gente, que não é propriamente pedinte, mas influente na economia e no meio social, por exemplo, de Singapura, podia ser muito útil à nossa economia se os nossos governantes tivessem olhos para ver. Bem sei que não jogam futebol, mas são gente que muito poderia ajudar os "parentes", se eles tivessem a amabilidade de lhes dar a mínima atenção.
Talvez porque haja afinal algum governante com vergonha na cara, vi declarações da presidente do Instituto Camões (mas porque é que um organismo eminentemente cultural tem de estar no Ministério dos Negócios Estrangeiros?!), dr.ª Simonetta Luz Afonso, no sentido da criação de um leitor itinerante para apoio a essas comunidades.
A missão não podia estar melhor entregue. A dr.ª Simonetta é profunda conhecedora da situação da herança portuguesa no Oriente e certamente envidará todos os esforços para "limpar" a imagem de Portugal e dos portugueses e colaborar com tão generosas gentes, desde que lhe sejam facultados meios, claro.
É que já houve uma embaixadora, hoje deputada europeia, que fechou a embaixada por não lhe darem verbas para o simples telefone. Esteve meses a pagar do bolso dela!
Espero que sejam dados todos os meios a essa missão e que afastem dela os diplomatas. É que cada um deve fazer o que sabe e o resultado da intervenção diplomática está à vista...
domingo, 17 de maio de 2009
O Manual do Aplicador
Ouvidas as notícias sobre a indignação da FENPROF relativamente a um Manual do Aplicador para utilização dos professores encarregados de vigiar as provas de aferição dos 4.º e 6.º anos, achei exageradas as críticas e busquei na NET o dito manual. Não encontrei o de 2009, mas encontrei o de 2007. Obra notável!
Não se limita a ser um protocolo de procedimentos, que defendo na maioria das situações nas empresas, mas mais parece o script de uma peça de teatro.
Nos textos sombreados a amarelo proíbe-se o professor de tentar interpretar o que vai ler, limitando-se a ler exactamente o que é apresentado ao longo do manual.
De facto, dada a conhecida indigência cultural dos professores, seria demasiado esperar que soubessem interpretar tão rebuscados conceitos!
Mais à frente, noutro sombreado amarelo, proíbe-se o professor de ler o conteúdo da prova. Mais uma vez o autor defende o professor de se embrenhar em conceitos que ultrapassam muito as suas capacidades.
Só noto uma falha no manual: O script não contempla que o professor diga "bom dia" quando encontra os alunos à porta da sala às 9 horas e 45 minutos. É que, broncos como se sabe serem, certamente não terão tal amabilidade!
Se os "lá do alto império" me permitem uma opinião, direi que, dada a altíssima qualidade do manual, o professor passa a ser um elemento supérfluo na questão e gerador de despesas inúteis no processo.
Se é para reproduzir textualmente o que diz o manual sem o interpretar e vigiar horários e procedimentos, seria muito mais económico instalar um robot e um sistema de vigilância electrónica controlados por um vigilante de uma empresa de segurança.
As vantagens seriam consideráveis:
- O vigilante ganha muito menos que um professor
- Dava-se mais trabalho às empresas privadas, lutando contra a crise
- Os robots ainda não fazem greves
- Podia haver na porta uma célula de medida das dimensões das vestimentas
- Podia ser gravada a voz da sr.ª ministra, evitando assim qualquer possível desvio em termos de entoação da leitura.
Estavam à espera que eu criticasse o manual, era?!
Não se limita a ser um protocolo de procedimentos, que defendo na maioria das situações nas empresas, mas mais parece o script de uma peça de teatro.
Nos textos sombreados a amarelo proíbe-se o professor de tentar interpretar o que vai ler, limitando-se a ler exactamente o que é apresentado ao longo do manual.
De facto, dada a conhecida indigência cultural dos professores, seria demasiado esperar que soubessem interpretar tão rebuscados conceitos!
Mais à frente, noutro sombreado amarelo, proíbe-se o professor de ler o conteúdo da prova. Mais uma vez o autor defende o professor de se embrenhar em conceitos que ultrapassam muito as suas capacidades.
Só noto uma falha no manual: O script não contempla que o professor diga "bom dia" quando encontra os alunos à porta da sala às 9 horas e 45 minutos. É que, broncos como se sabe serem, certamente não terão tal amabilidade!
Se os "lá do alto império" me permitem uma opinião, direi que, dada a altíssima qualidade do manual, o professor passa a ser um elemento supérfluo na questão e gerador de despesas inúteis no processo.
Se é para reproduzir textualmente o que diz o manual sem o interpretar e vigiar horários e procedimentos, seria muito mais económico instalar um robot e um sistema de vigilância electrónica controlados por um vigilante de uma empresa de segurança.
As vantagens seriam consideráveis:
- O vigilante ganha muito menos que um professor
- Dava-se mais trabalho às empresas privadas, lutando contra a crise
- Os robots ainda não fazem greves
- Podia haver na porta uma célula de medida das dimensões das vestimentas
- Podia ser gravada a voz da sr.ª ministra, evitando assim qualquer possível desvio em termos de entoação da leitura.
Estavam à espera que eu criticasse o manual, era?!
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A agressão e os culpados
Claro que me refiro à agressão e insultos de que foi vítima o Prof. Vital Moreira na manifestação de hoje da CGTP.
Quem são os culpados?
No coliseu de Roma, quando os cristãos eram lançados aos leões que os estraçalhavam, os culpados eram o leões?
O sr. Professor nos posts dos últimos anos do seu blogue, sem direito a comentários, tem dito dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, dos funcionários públicos em geral e de toda a gente que não diz amen ao sr. engenheiro, o que Maomé não disse do toucinho.
O PS, convidado a fazer representar-se na manifestação onde estavam maioritariamente os ofendidos pelo senhor, em vez de mandar alguém menos agressivo, foi logo mandá-lo a ele. Era previsível que não seria bem recebido. Não se estava na Assembleia, onde mentira se diz eufemisticamente inverdade. Estava-se com gente habituada a chamar os bois pelos nomes. Aconteceu!
Não estou de modo algum a justificar a agressão, que nunca será método democrático e civilizado de resolver os diferendos, mas que às vezes apetece... apetece!
Quem semeia ventos... colhe tempestades!
Quem são os culpados?
No coliseu de Roma, quando os cristãos eram lançados aos leões que os estraçalhavam, os culpados eram o leões?
O sr. Professor nos posts dos últimos anos do seu blogue, sem direito a comentários, tem dito dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, dos funcionários públicos em geral e de toda a gente que não diz amen ao sr. engenheiro, o que Maomé não disse do toucinho.
O PS, convidado a fazer representar-se na manifestação onde estavam maioritariamente os ofendidos pelo senhor, em vez de mandar alguém menos agressivo, foi logo mandá-lo a ele. Era previsível que não seria bem recebido. Não se estava na Assembleia, onde mentira se diz eufemisticamente inverdade. Estava-se com gente habituada a chamar os bois pelos nomes. Aconteceu!
Não estou de modo algum a justificar a agressão, que nunca será método democrático e civilizado de resolver os diferendos, mas que às vezes apetece... apetece!
Quem semeia ventos... colhe tempestades!
A gripe - Um procedimento exemplar
A ameaça da gripe, agora classificada de A para descanso dos pobres suínos, caiu nos noticiários como a proximidade do juizo final.
Falou-se da probabilidade de dezenas de milhões de mortos, enfim, uma catástrofe!
Do governo esperava-se, e alguma imprensa exigia, daquelas acções de grande espectáculo, que dão sempre a ideia de grande eficiência. Por exemplo, o governo egípcio mandou abater todos os porcos do país. Como os porcos nada tinham a ver com o assunto, a não ser o nome do virus, aí está uma acção espectacular, mas perfeitamente estúpida.
Estou-me a recordar do relativamente recente caso da gripe das aves em que, para dar ideia de grande preocupação, se ordenou a existência de salas de "isolamento" em todas as urgências hospitalares. Como uma sala de isolamento é uma unidade complicada impossível de fazer em poucos dias e, mesmo assim, implica grandes verbas, chamou-se "sala de isolamento" a uma qualquer sala em que a porta se pudesse manter fechada. Aqui está um exemplo de uma grossa asneira de grande impacto mediático.
Ao contrário, a nossa ministra da Saúde, com a serenidade que lhe é peculiar, organizou um esquema funcional e eficaz, sem alardes nem populismos mediáticos, que podem dar grandes títulos mas também originar enormes asneiras.
Organizou-se a resposta em 4 centros devidamente equipados, diminuiu-se a possibilidade de contágio afastando as pessoas das perigosíssimas salas de espera das unidades de saúde, assegurou-se o acesso a toda a gente com ambulâncias próprias e infundiu-se a calma e a confiança fundamentais em casos destes. E fundamentalmente mantém-se a população devidamente informada e vai-se adequando a resposta às solicitações da situação.
Grande exemplo para outros ministros...
Falou-se da probabilidade de dezenas de milhões de mortos, enfim, uma catástrofe!
Do governo esperava-se, e alguma imprensa exigia, daquelas acções de grande espectáculo, que dão sempre a ideia de grande eficiência. Por exemplo, o governo egípcio mandou abater todos os porcos do país. Como os porcos nada tinham a ver com o assunto, a não ser o nome do virus, aí está uma acção espectacular, mas perfeitamente estúpida.
Estou-me a recordar do relativamente recente caso da gripe das aves em que, para dar ideia de grande preocupação, se ordenou a existência de salas de "isolamento" em todas as urgências hospitalares. Como uma sala de isolamento é uma unidade complicada impossível de fazer em poucos dias e, mesmo assim, implica grandes verbas, chamou-se "sala de isolamento" a uma qualquer sala em que a porta se pudesse manter fechada. Aqui está um exemplo de uma grossa asneira de grande impacto mediático.
Ao contrário, a nossa ministra da Saúde, com a serenidade que lhe é peculiar, organizou um esquema funcional e eficaz, sem alardes nem populismos mediáticos, que podem dar grandes títulos mas também originar enormes asneiras.
Organizou-se a resposta em 4 centros devidamente equipados, diminuiu-se a possibilidade de contágio afastando as pessoas das perigosíssimas salas de espera das unidades de saúde, assegurou-se o acesso a toda a gente com ambulâncias próprias e infundiu-se a calma e a confiança fundamentais em casos destes. E fundamentalmente mantém-se a população devidamente informada e vai-se adequando a resposta às solicitações da situação.
Grande exemplo para outros ministros...
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Um santo incómodo
Realizam-se no próximo domingo, dia 26, as cerimónias de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, figura histórica Nuno Álvares Pereira.
A notícia passa despercebida, por não se tratar das notáveis celebridades da "Caras" nem das tertúlias da SIC. Claro que interessa muito mais ao país saber se uma dessas celebridades está ou não constipada.
Por outro lado, trata-se de uma personalidade incómoda aos poderes constituídos, tal como Aristides Sousa Mendes, pois deu-se ao desplante de ter coluna vertebral e obedecer a valores, o que constitui muito mau exemplo nos tempos que vão correndo.
Filho do prior do Crato (um dos 26 conhecidos...), tentou realizar sempre o melhor dos ideais da cavalaria medieval em que foi educado. Como chefe militar nunca permitiu que os seus homens se dedicassem às pilhagens e violações que eram normais por parte dos vencedores de batalhas.
Sendo descendente, não herdeiro primogénito, de um poderoso senhor feudal, não hesitou em se juntar e chefiar as massas populares famintas e os ainda incipientes burgueses contra o poder feudal representado por D. João de Castela e pelo seu próprio irmão.
Também não será muito simpático à Igreja mais tradicional, pois não se tratou de um dos santinhos apalermados com os olhos em êxtase para o céu que nos servem nos altares, mas de um homem vertical, com ideias muito firmes, que não se limitava a "adorar", antes a pôr em prática os valores da doutrina cristã.
Conta-se que, terminada a fase das guerras com Castela, entrou em dissidência política com o seu amigo rei D. João I e, havendo um almoço de estado para que não o convidaram, entrou na sala e simplesmente virou a mesa com tudo o que tinha em cima.
Digam lá se, para santo e para político, não é incómodo e mau exemplo!?
A notícia passa despercebida, por não se tratar das notáveis celebridades da "Caras" nem das tertúlias da SIC. Claro que interessa muito mais ao país saber se uma dessas celebridades está ou não constipada.
Por outro lado, trata-se de uma personalidade incómoda aos poderes constituídos, tal como Aristides Sousa Mendes, pois deu-se ao desplante de ter coluna vertebral e obedecer a valores, o que constitui muito mau exemplo nos tempos que vão correndo.
Filho do prior do Crato (um dos 26 conhecidos...), tentou realizar sempre o melhor dos ideais da cavalaria medieval em que foi educado. Como chefe militar nunca permitiu que os seus homens se dedicassem às pilhagens e violações que eram normais por parte dos vencedores de batalhas.
Sendo descendente, não herdeiro primogénito, de um poderoso senhor feudal, não hesitou em se juntar e chefiar as massas populares famintas e os ainda incipientes burgueses contra o poder feudal representado por D. João de Castela e pelo seu próprio irmão.
Também não será muito simpático à Igreja mais tradicional, pois não se tratou de um dos santinhos apalermados com os olhos em êxtase para o céu que nos servem nos altares, mas de um homem vertical, com ideias muito firmes, que não se limitava a "adorar", antes a pôr em prática os valores da doutrina cristã.
Conta-se que, terminada a fase das guerras com Castela, entrou em dissidência política com o seu amigo rei D. João I e, havendo um almoço de estado para que não o convidaram, entrou na sala e simplesmente virou a mesa com tudo o que tinha em cima.
Digam lá se, para santo e para político, não é incómodo e mau exemplo!?
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