Ouvidas as notícias sobre a indignação da FENPROF relativamente a um Manual do Aplicador para utilização dos professores encarregados de vigiar as provas de aferição dos 4.º e 6.º anos, achei exageradas as críticas e busquei na NET o dito manual. Não encontrei o de 2009, mas encontrei o de 2007. Obra notável!
Não se limita a ser um protocolo de procedimentos, que defendo na maioria das situações nas empresas, mas mais parece o script de uma peça de teatro.
Nos textos sombreados a amarelo proíbe-se o professor de tentar interpretar o que vai ler, limitando-se a ler exactamente o que é apresentado ao longo do manual.
De facto, dada a conhecida indigência cultural dos professores, seria demasiado esperar que soubessem interpretar tão rebuscados conceitos!
Mais à frente, noutro sombreado amarelo, proíbe-se o professor de ler o conteúdo da prova. Mais uma vez o autor defende o professor de se embrenhar em conceitos que ultrapassam muito as suas capacidades.
Só noto uma falha no manual: O script não contempla que o professor diga "bom dia" quando encontra os alunos à porta da sala às 9 horas e 45 minutos. É que, broncos como se sabe serem, certamente não terão tal amabilidade!
Se os "lá do alto império" me permitem uma opinião, direi que, dada a altíssima qualidade do manual, o professor passa a ser um elemento supérfluo na questão e gerador de despesas inúteis no processo.
Se é para reproduzir textualmente o que diz o manual sem o interpretar e vigiar horários e procedimentos, seria muito mais económico instalar um robot e um sistema de vigilância electrónica controlados por um vigilante de uma empresa de segurança.
As vantagens seriam consideráveis:
- O vigilante ganha muito menos que um professor
- Dava-se mais trabalho às empresas privadas, lutando contra a crise
- Os robots ainda não fazem greves
- Podia haver na porta uma célula de medida das dimensões das vestimentas
- Podia ser gravada a voz da sr.ª ministra, evitando assim qualquer possível desvio em termos de entoação da leitura.
Estavam à espera que eu criticasse o manual, era?!
domingo, 17 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A agressão e os culpados
Claro que me refiro à agressão e insultos de que foi vítima o Prof. Vital Moreira na manifestação de hoje da CGTP.
Quem são os culpados?
No coliseu de Roma, quando os cristãos eram lançados aos leões que os estraçalhavam, os culpados eram o leões?
O sr. Professor nos posts dos últimos anos do seu blogue, sem direito a comentários, tem dito dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, dos funcionários públicos em geral e de toda a gente que não diz amen ao sr. engenheiro, o que Maomé não disse do toucinho.
O PS, convidado a fazer representar-se na manifestação onde estavam maioritariamente os ofendidos pelo senhor, em vez de mandar alguém menos agressivo, foi logo mandá-lo a ele. Era previsível que não seria bem recebido. Não se estava na Assembleia, onde mentira se diz eufemisticamente inverdade. Estava-se com gente habituada a chamar os bois pelos nomes. Aconteceu!
Não estou de modo algum a justificar a agressão, que nunca será método democrático e civilizado de resolver os diferendos, mas que às vezes apetece... apetece!
Quem semeia ventos... colhe tempestades!
Quem são os culpados?
No coliseu de Roma, quando os cristãos eram lançados aos leões que os estraçalhavam, os culpados eram o leões?
O sr. Professor nos posts dos últimos anos do seu blogue, sem direito a comentários, tem dito dos professores, dos enfermeiros, dos médicos, dos funcionários públicos em geral e de toda a gente que não diz amen ao sr. engenheiro, o que Maomé não disse do toucinho.
O PS, convidado a fazer representar-se na manifestação onde estavam maioritariamente os ofendidos pelo senhor, em vez de mandar alguém menos agressivo, foi logo mandá-lo a ele. Era previsível que não seria bem recebido. Não se estava na Assembleia, onde mentira se diz eufemisticamente inverdade. Estava-se com gente habituada a chamar os bois pelos nomes. Aconteceu!
Não estou de modo algum a justificar a agressão, que nunca será método democrático e civilizado de resolver os diferendos, mas que às vezes apetece... apetece!
Quem semeia ventos... colhe tempestades!
A gripe - Um procedimento exemplar
A ameaça da gripe, agora classificada de A para descanso dos pobres suínos, caiu nos noticiários como a proximidade do juizo final.
Falou-se da probabilidade de dezenas de milhões de mortos, enfim, uma catástrofe!
Do governo esperava-se, e alguma imprensa exigia, daquelas acções de grande espectáculo, que dão sempre a ideia de grande eficiência. Por exemplo, o governo egípcio mandou abater todos os porcos do país. Como os porcos nada tinham a ver com o assunto, a não ser o nome do virus, aí está uma acção espectacular, mas perfeitamente estúpida.
Estou-me a recordar do relativamente recente caso da gripe das aves em que, para dar ideia de grande preocupação, se ordenou a existência de salas de "isolamento" em todas as urgências hospitalares. Como uma sala de isolamento é uma unidade complicada impossível de fazer em poucos dias e, mesmo assim, implica grandes verbas, chamou-se "sala de isolamento" a uma qualquer sala em que a porta se pudesse manter fechada. Aqui está um exemplo de uma grossa asneira de grande impacto mediático.
Ao contrário, a nossa ministra da Saúde, com a serenidade que lhe é peculiar, organizou um esquema funcional e eficaz, sem alardes nem populismos mediáticos, que podem dar grandes títulos mas também originar enormes asneiras.
Organizou-se a resposta em 4 centros devidamente equipados, diminuiu-se a possibilidade de contágio afastando as pessoas das perigosíssimas salas de espera das unidades de saúde, assegurou-se o acesso a toda a gente com ambulâncias próprias e infundiu-se a calma e a confiança fundamentais em casos destes. E fundamentalmente mantém-se a população devidamente informada e vai-se adequando a resposta às solicitações da situação.
Grande exemplo para outros ministros...
Falou-se da probabilidade de dezenas de milhões de mortos, enfim, uma catástrofe!
Do governo esperava-se, e alguma imprensa exigia, daquelas acções de grande espectáculo, que dão sempre a ideia de grande eficiência. Por exemplo, o governo egípcio mandou abater todos os porcos do país. Como os porcos nada tinham a ver com o assunto, a não ser o nome do virus, aí está uma acção espectacular, mas perfeitamente estúpida.
Estou-me a recordar do relativamente recente caso da gripe das aves em que, para dar ideia de grande preocupação, se ordenou a existência de salas de "isolamento" em todas as urgências hospitalares. Como uma sala de isolamento é uma unidade complicada impossível de fazer em poucos dias e, mesmo assim, implica grandes verbas, chamou-se "sala de isolamento" a uma qualquer sala em que a porta se pudesse manter fechada. Aqui está um exemplo de uma grossa asneira de grande impacto mediático.
Ao contrário, a nossa ministra da Saúde, com a serenidade que lhe é peculiar, organizou um esquema funcional e eficaz, sem alardes nem populismos mediáticos, que podem dar grandes títulos mas também originar enormes asneiras.
Organizou-se a resposta em 4 centros devidamente equipados, diminuiu-se a possibilidade de contágio afastando as pessoas das perigosíssimas salas de espera das unidades de saúde, assegurou-se o acesso a toda a gente com ambulâncias próprias e infundiu-se a calma e a confiança fundamentais em casos destes. E fundamentalmente mantém-se a população devidamente informada e vai-se adequando a resposta às solicitações da situação.
Grande exemplo para outros ministros...
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Um santo incómodo
Realizam-se no próximo domingo, dia 26, as cerimónias de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, figura histórica Nuno Álvares Pereira.
A notícia passa despercebida, por não se tratar das notáveis celebridades da "Caras" nem das tertúlias da SIC. Claro que interessa muito mais ao país saber se uma dessas celebridades está ou não constipada.
Por outro lado, trata-se de uma personalidade incómoda aos poderes constituídos, tal como Aristides Sousa Mendes, pois deu-se ao desplante de ter coluna vertebral e obedecer a valores, o que constitui muito mau exemplo nos tempos que vão correndo.
Filho do prior do Crato (um dos 26 conhecidos...), tentou realizar sempre o melhor dos ideais da cavalaria medieval em que foi educado. Como chefe militar nunca permitiu que os seus homens se dedicassem às pilhagens e violações que eram normais por parte dos vencedores de batalhas.
Sendo descendente, não herdeiro primogénito, de um poderoso senhor feudal, não hesitou em se juntar e chefiar as massas populares famintas e os ainda incipientes burgueses contra o poder feudal representado por D. João de Castela e pelo seu próprio irmão.
Também não será muito simpático à Igreja mais tradicional, pois não se tratou de um dos santinhos apalermados com os olhos em êxtase para o céu que nos servem nos altares, mas de um homem vertical, com ideias muito firmes, que não se limitava a "adorar", antes a pôr em prática os valores da doutrina cristã.
Conta-se que, terminada a fase das guerras com Castela, entrou em dissidência política com o seu amigo rei D. João I e, havendo um almoço de estado para que não o convidaram, entrou na sala e simplesmente virou a mesa com tudo o que tinha em cima.
Digam lá se, para santo e para político, não é incómodo e mau exemplo!?
A notícia passa despercebida, por não se tratar das notáveis celebridades da "Caras" nem das tertúlias da SIC. Claro que interessa muito mais ao país saber se uma dessas celebridades está ou não constipada.
Por outro lado, trata-se de uma personalidade incómoda aos poderes constituídos, tal como Aristides Sousa Mendes, pois deu-se ao desplante de ter coluna vertebral e obedecer a valores, o que constitui muito mau exemplo nos tempos que vão correndo.
Filho do prior do Crato (um dos 26 conhecidos...), tentou realizar sempre o melhor dos ideais da cavalaria medieval em que foi educado. Como chefe militar nunca permitiu que os seus homens se dedicassem às pilhagens e violações que eram normais por parte dos vencedores de batalhas.
Sendo descendente, não herdeiro primogénito, de um poderoso senhor feudal, não hesitou em se juntar e chefiar as massas populares famintas e os ainda incipientes burgueses contra o poder feudal representado por D. João de Castela e pelo seu próprio irmão.
Também não será muito simpático à Igreja mais tradicional, pois não se tratou de um dos santinhos apalermados com os olhos em êxtase para o céu que nos servem nos altares, mas de um homem vertical, com ideias muito firmes, que não se limitava a "adorar", antes a pôr em prática os valores da doutrina cristã.
Conta-se que, terminada a fase das guerras com Castela, entrou em dissidência política com o seu amigo rei D. João I e, havendo um almoço de estado para que não o convidaram, entrou na sala e simplesmente virou a mesa com tudo o que tinha em cima.
Digam lá se, para santo e para político, não é incómodo e mau exemplo!?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
O S. João fez 50 anos...
Pois é. Já lá vão 50 anos!
Lembro-me perfeitamente do dia da inauguração daquele edifício que sempre tinha conhecido de ver das traseiras da minha casa e que me habituei a ouvir designar por "Hospital da Cidade".
Era uma coisa, para nós, digna de ficção científica. Tinha o luxo de uma travesseirinha com altifalante em cada cama, para que o doente pudesse ouvir cómoda e privadamente rádio ou música, a partir da emissão central do hospital. Também havia um sistema de antenas que circundavam o edifício e que permitiam chamar algumas pessoas, médicos e enfermeiros-chefes, através de um alarme tipo esferográfica que tinham no bolso da bata. Os assim alertados dirigiam-se ao telefone interno mais próximo a contactavam a central, que lhes transmitia a mensagem pretendida. Isto há 50 anos, era obra! Tinha um consumo de electricidade semelhante ao da cidade de Braga!
Passados alguns anos, tanto eu como a minha mulher iniciámos lá as nossas carreiras profissionais.
Nessa altura, o hospital era dirigido pelo provedor dr. João Rodrigues, que deu tanto de si ao novo projecto que lhe chamavam "hospital do João".
Foi uma autêntica revolução naquela zona de Paranhos. Abriram-se os acessos ao hospital. O autocarro da carreira E, que inicialmente se dirigia a Contumil, via Paranhos, passou a dirigir-se ao novo hospital. Também a carreira D, pelas Antas, passou a servir o hospital. Depois foi o L, para a Maia.
No próximo sábado vamos ter o prazer de participar numa parte da festa de aniversário daquela casa que também já sentimos nossa.
Como na cantiga dos parabéns, pr'ó "menino João" uma salva de palmas...!
Lembro-me perfeitamente do dia da inauguração daquele edifício que sempre tinha conhecido de ver das traseiras da minha casa e que me habituei a ouvir designar por "Hospital da Cidade".
Era uma coisa, para nós, digna de ficção científica. Tinha o luxo de uma travesseirinha com altifalante em cada cama, para que o doente pudesse ouvir cómoda e privadamente rádio ou música, a partir da emissão central do hospital. Também havia um sistema de antenas que circundavam o edifício e que permitiam chamar algumas pessoas, médicos e enfermeiros-chefes, através de um alarme tipo esferográfica que tinham no bolso da bata. Os assim alertados dirigiam-se ao telefone interno mais próximo a contactavam a central, que lhes transmitia a mensagem pretendida. Isto há 50 anos, era obra! Tinha um consumo de electricidade semelhante ao da cidade de Braga!
Passados alguns anos, tanto eu como a minha mulher iniciámos lá as nossas carreiras profissionais.
Nessa altura, o hospital era dirigido pelo provedor dr. João Rodrigues, que deu tanto de si ao novo projecto que lhe chamavam "hospital do João".
Foi uma autêntica revolução naquela zona de Paranhos. Abriram-se os acessos ao hospital. O autocarro da carreira E, que inicialmente se dirigia a Contumil, via Paranhos, passou a dirigir-se ao novo hospital. Também a carreira D, pelas Antas, passou a servir o hospital. Depois foi o L, para a Maia.
No próximo sábado vamos ter o prazer de participar numa parte da festa de aniversário daquela casa que também já sentimos nossa.
Como na cantiga dos parabéns, pr'ó "menino João" uma salva de palmas...!
domingo, 12 de abril de 2009
A guerra dos genéricos
Recentemente voltou às primeiras páginas da imprensa o conflito que envolve a Associação Nacional de Farmácias (ANF), a Ordem dos Médicos e o Governo acerca do fornecimento mais ou menos livre de genéricos pelas farmácias.
Como o tema envolve o dinheiro dos utentes, e do Estado, é fácil criar divisões demagógicas extremadas sobre o assunto. Uns dizem que os genéricos são a melhor coisa do mundo e fonte de enormes economias para as finanças do SNS. Outros, pelo contrário, diabolizam tais medicamentos só faltando dizer que são feitos atrás da porta nos acampamentos ciganos.
O Zé utente e pagante fica perfeitamente baralhado sem saber em quem acreditar, uma vez que já tem larga experiência de qualquer dos contendores lhe enfiar memoráveis barretes.
Pessoalmente, devo já dizer que defendo a utilização dos genéricos sempre que possível e em unidose.
Sabem que há países (por exemplo a Tailândia) onde as farmácias só existem nos hospitais, onde termina o circuito do doente, e em sistema uniodose? Vi isso em hospitais de empresas multinacionais do ramo, não se tratando portanto de delírios socialistas.
Com alguns anos de experiência na Saúde, vou tentar explicar a situação.
Todos sabemos que a indústria farmacêutica constitui um dos potentados mundiais, chegando a pôr e depor governos, e que fica prejudicada com a entrada no mercado dos genéricos, que não são mais que os seus produtos cujo prazo de registo reservado já expirou. Os sucessivos governos, desde há mais de 30 anos, deixaram que esta indústria se apoderasse do sistema de saúde, dominando actualmente os equipamentos de análises e a quase exclusividade da formação contínua dos médicos, para além de ser credora de muitos milhões de euros ao Estado.
Por outro lado, as farmácias comerciais, também credoras de milhões de euros ao Estado, seu maior cliente, estão interessadas na venda dos genéricos (diz-se que a ANF é sócia de uma produtora de genéricos), até para aumentarem as vendas devido à baixa de preço. Nem a indústria nem as farmácias parecem particularmente interessadas na unidose, que lhes baixaria substancialmente os lucros.
A ministra da Saúde tem a infelicidade de estar, neste caso, na situação do fiambre na sande. De um lado, a toda poderosa indústria, a quem deve milhões e que a pode deixar de um dia para outro sem análises e sem medicamentos. Por outro lado, as farmácias, a quem também deve milhões, e que têm toda a facilidade de conquistar a simpatia dos utentes (são votos!), com a promessa de preços mais baixos. Aqui as farmácias estão numa situação mais fraca, uma vez que, sendo o Estado o seu maior cliente, se não lhe venderem fecham a porta.
Claro que os genéricos, devidamente controlados e em unidose fazem parte de uma solução para baixar os custos do SNS.
Em defesa do SNS temos o dever de apoiar a ministra nesta situação.
Como o tema envolve o dinheiro dos utentes, e do Estado, é fácil criar divisões demagógicas extremadas sobre o assunto. Uns dizem que os genéricos são a melhor coisa do mundo e fonte de enormes economias para as finanças do SNS. Outros, pelo contrário, diabolizam tais medicamentos só faltando dizer que são feitos atrás da porta nos acampamentos ciganos.
O Zé utente e pagante fica perfeitamente baralhado sem saber em quem acreditar, uma vez que já tem larga experiência de qualquer dos contendores lhe enfiar memoráveis barretes.
Pessoalmente, devo já dizer que defendo a utilização dos genéricos sempre que possível e em unidose.
Sabem que há países (por exemplo a Tailândia) onde as farmácias só existem nos hospitais, onde termina o circuito do doente, e em sistema uniodose? Vi isso em hospitais de empresas multinacionais do ramo, não se tratando portanto de delírios socialistas.
Com alguns anos de experiência na Saúde, vou tentar explicar a situação.
Todos sabemos que a indústria farmacêutica constitui um dos potentados mundiais, chegando a pôr e depor governos, e que fica prejudicada com a entrada no mercado dos genéricos, que não são mais que os seus produtos cujo prazo de registo reservado já expirou. Os sucessivos governos, desde há mais de 30 anos, deixaram que esta indústria se apoderasse do sistema de saúde, dominando actualmente os equipamentos de análises e a quase exclusividade da formação contínua dos médicos, para além de ser credora de muitos milhões de euros ao Estado.
Por outro lado, as farmácias comerciais, também credoras de milhões de euros ao Estado, seu maior cliente, estão interessadas na venda dos genéricos (diz-se que a ANF é sócia de uma produtora de genéricos), até para aumentarem as vendas devido à baixa de preço. Nem a indústria nem as farmácias parecem particularmente interessadas na unidose, que lhes baixaria substancialmente os lucros.
A ministra da Saúde tem a infelicidade de estar, neste caso, na situação do fiambre na sande. De um lado, a toda poderosa indústria, a quem deve milhões e que a pode deixar de um dia para outro sem análises e sem medicamentos. Por outro lado, as farmácias, a quem também deve milhões, e que têm toda a facilidade de conquistar a simpatia dos utentes (são votos!), com a promessa de preços mais baixos. Aqui as farmácias estão numa situação mais fraca, uma vez que, sendo o Estado o seu maior cliente, se não lhe venderem fecham a porta.
Claro que os genéricos, devidamente controlados e em unidose fazem parte de uma solução para baixar os custos do SNS.
Em defesa do SNS temos o dever de apoiar a ministra nesta situação.
quinta-feira, 12 de março de 2009
O caso do comboio da Figueira
Depois de ler o post http://palavras-cruzadas.blogspot.com/2009/03/ligacao-ferroviaria-figueira-da-foz.html, tendo sido durante vários anos utente do mesmo vai-vem, não resisto a comentar.
Vejamos o que se passou:
Umas senhoras recolheram durante a viagem assinaturas para um abaixo-assinado de protesto contra os recorrentes atrasos na linha Figueira da Foz - Coimbra. O revisor chamou a polícia, que respondeu à chamada, identificando as senhoras à chegada à Figueira da Foz, como organizadoras de um movimento, pelos vistos uma infracção legal.
Claro que logo apareceram os comentadores com acusações de fascismo, acção pidesca, etc., que só podem ser fruto de mentes seguidoras de ideias comunistas, anarquistas e outras ideias subversivas, bem como de organizadoras de campanhas negras.
Vejamos do que, em minha opinião, se trata:
A CP ( ou lá como se chama agora a empresa dos comboios), conhecedora do estado deficitário do turismo da Figueira da Foz e sabendo o chamariz de multidões que são as reconstituições históricas, resolveu dar uma ajudinha.
Já imaginaram as multidões que se deslocarão à Figueira, vindas da Austrália, Canadá, quiçá do Burkina-Faso, para verem e andarem num comboio que consegue fazer os míseros 50 Km da Figueira a Coimbra no tempo de 1h 06m, à estonteante velocidade média de 45 Km/h?
Assim, resolveram dar essa prenda à Figueira, com um comboio de há 50 anos atrás.
Então acreditam que um revisor, em 2009, ia chamar a polícia por alguém andar a recolher assinaturas? Claro que é uma reconstitução de algum "bufo" de há 50 anos!
Acreditam que a PSP da Figueira da Foz, a braços com traficantes de droga e outra bandidagem às dúzias, ia perder tempo a atender uma denúncia de "organização de movimento"? Obviamente que não. Os senhores fardados eram figurantes da já referida reconstituição!
Estão esclarecidos?
Vejamos o que se passou:
Umas senhoras recolheram durante a viagem assinaturas para um abaixo-assinado de protesto contra os recorrentes atrasos na linha Figueira da Foz - Coimbra. O revisor chamou a polícia, que respondeu à chamada, identificando as senhoras à chegada à Figueira da Foz, como organizadoras de um movimento, pelos vistos uma infracção legal.
Claro que logo apareceram os comentadores com acusações de fascismo, acção pidesca, etc., que só podem ser fruto de mentes seguidoras de ideias comunistas, anarquistas e outras ideias subversivas, bem como de organizadoras de campanhas negras.
Vejamos do que, em minha opinião, se trata:
A CP ( ou lá como se chama agora a empresa dos comboios), conhecedora do estado deficitário do turismo da Figueira da Foz e sabendo o chamariz de multidões que são as reconstituições históricas, resolveu dar uma ajudinha.
Já imaginaram as multidões que se deslocarão à Figueira, vindas da Austrália, Canadá, quiçá do Burkina-Faso, para verem e andarem num comboio que consegue fazer os míseros 50 Km da Figueira a Coimbra no tempo de 1h 06m, à estonteante velocidade média de 45 Km/h?
Assim, resolveram dar essa prenda à Figueira, com um comboio de há 50 anos atrás.
Então acreditam que um revisor, em 2009, ia chamar a polícia por alguém andar a recolher assinaturas? Claro que é uma reconstitução de algum "bufo" de há 50 anos!
Acreditam que a PSP da Figueira da Foz, a braços com traficantes de droga e outra bandidagem às dúzias, ia perder tempo a atender uma denúncia de "organização de movimento"? Obviamente que não. Os senhores fardados eram figurantes da já referida reconstituição!
Estão esclarecidos?
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