Os noticiários de hoje da RTP, além dos discursos fortes, inteligentes e humanos do novo presidente Obama, brindaram-nos, por oposição, com declarações fracas, estúpidas e desumanas de um senhor que pelos jeitos é administrador da empresa adjudicatária do serviço Saúde 24.
De resto, nos mesmos noticiários, o sr. Director-Geral da Saúde já tinha classificado os administradores de tal empresa de "incompetentes para lidar com enfermeiros".
Argumentam os enfermeiros despedidos, ao que parece por fraca produtividade, que não podem cumprir com os curtos tempos de atendimento determinados pela empresa por, em obediência à sua consciência profissional, necessitarem de recolher todo um conjunto de informações sobre os utentes, que lhes permita um aconselhamento consciente.
Argumenta o tal senhor administrador que "os operadores têm obrigação de fazer o que lhes mandam e mais nada!", mais argumentando que cumpre escrupulosamente o contratado com o Estado. Estão os profissionais de enfermagem reduzidos à condição de telefonistas de "call center"!
Ora aqui está a demonstração da ignorância do senhor: os doentes não se tratam com ordenamentos jurídicos, mas com competência profissional de quem tem competência para o fazer.
Daqui fica também uma boa amostra das consequências das parcerias público-privadas na saúde tão propagandeadas pelo governo. É sabido que às empresas só interessa o lucro e que, quando misturamos lucro com tratamento de doentes sem o devido controlo, quem perde são os doentes.
Bem podem limpar as mãos à parede!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
O estado da Nação
No debate na Assembleia da República da passada quarta-feira, houve dois factos que me deram que pensar.
Um foi anunciada a criação de um banco nacional de células estaminais. Nada mais acertado nesta ocasião. Embora de imediato possa parecer não ter grande utilidade, dada a ainda incipiente utilização da medicina molecular, é a medicina do futuro e convém que existam as reservas quando tais tratamentos se generalizarem.
Não me espanta que apareçam agora as empresas já detentoras do rendoso negócio (cerca de 1.000 € por colheita) a acusarem o Estado de concorrência desleal, como acontece com os notários.
Outro facto foi o plágio do sr. primeiro-ministro ao dr. Durão Barroso quando deselegantemente pôs em causa a legitimidade de uma deputada dos Verdes. Será que também se quer candidatar a um lugarzito na UE?
É que são tantas as semelhanças, desde a hostilidade para com os funcionários públicos, às atitudes arrogantes, que já só lhe falta arranjar um nome de peixe. Os outros nomes também já lhos chamámos todos....
Um foi anunciada a criação de um banco nacional de células estaminais. Nada mais acertado nesta ocasião. Embora de imediato possa parecer não ter grande utilidade, dada a ainda incipiente utilização da medicina molecular, é a medicina do futuro e convém que existam as reservas quando tais tratamentos se generalizarem.
Não me espanta que apareçam agora as empresas já detentoras do rendoso negócio (cerca de 1.000 € por colheita) a acusarem o Estado de concorrência desleal, como acontece com os notários.
Outro facto foi o plágio do sr. primeiro-ministro ao dr. Durão Barroso quando deselegantemente pôs em causa a legitimidade de uma deputada dos Verdes. Será que também se quer candidatar a um lugarzito na UE?
É que são tantas as semelhanças, desde a hostilidade para com os funcionários públicos, às atitudes arrogantes, que já só lhe falta arranjar um nome de peixe. Os outros nomes também já lhos chamámos todos....
sábado, 3 de janeiro de 2009
Uma réstia de esperança
Ílhavo. Hoje à tarde.
Um cão, com olhos de Husky, está enrolado no passeio, todo molhado, a tremer de sofrimento, com um olhar de quem pede ajuda. Talvez tenha sido atropelado.
Juntam-se pessoas. Uma arranja carne e água numa loja próxima. O animal devora rapidamente a carne e parece mais calmo. Outra corre à clínica veterinária ali perto. Está fechada, mas tem um número de contacto urgente. Telefona-se ao médico, que aparece passados alguns minutos. Entretanto alguém chamou também os serviços da Câmara Municipal, que não tardam.
Leva-se o corpulento cão na carrinha da Câmara para a clínica, onde é observado e medicado. O médico aconselha a que seja mantido em ambiente morno, pelo menos deitado sobre uma manta ou jornais, não havendo condições logísticas para que fique na clínica. Resta o canil camarário, mas os solícitos funcionários informam não haver mantas para o ter. Logo uma vizinha dá umas mantas velhas que tinha lá em casa. A carrinha leva-o, antes que acabe o efeito da anestesia que foi necessária.
Um dos presentes paga ao médico, que só aceitou o valor dos medicamentos aplicados.
Digam lá que, neste início de um ano que se prevê difícil, isto não é uma réstia de esperança!
À mesma hora a que, na Faixa de Gaza, homens, ainda parentes, se matavam barbaramente, em Ílhavo gera-se uma corrente de solidariedade em volta de um pobre cão. A Câmara e os moradores juntam os braços para minorar o sofrimento do "irmão cão", sem perguntar quem paga o quê ou a quem pertence o cão.
É este espírito que pode salvar o mundo. Vamos cultivá-lo!
Um cão, com olhos de Husky, está enrolado no passeio, todo molhado, a tremer de sofrimento, com um olhar de quem pede ajuda. Talvez tenha sido atropelado.
Juntam-se pessoas. Uma arranja carne e água numa loja próxima. O animal devora rapidamente a carne e parece mais calmo. Outra corre à clínica veterinária ali perto. Está fechada, mas tem um número de contacto urgente. Telefona-se ao médico, que aparece passados alguns minutos. Entretanto alguém chamou também os serviços da Câmara Municipal, que não tardam.
Leva-se o corpulento cão na carrinha da Câmara para a clínica, onde é observado e medicado. O médico aconselha a que seja mantido em ambiente morno, pelo menos deitado sobre uma manta ou jornais, não havendo condições logísticas para que fique na clínica. Resta o canil camarário, mas os solícitos funcionários informam não haver mantas para o ter. Logo uma vizinha dá umas mantas velhas que tinha lá em casa. A carrinha leva-o, antes que acabe o efeito da anestesia que foi necessária.
Um dos presentes paga ao médico, que só aceitou o valor dos medicamentos aplicados.
Digam lá que, neste início de um ano que se prevê difícil, isto não é uma réstia de esperança!
À mesma hora a que, na Faixa de Gaza, homens, ainda parentes, se matavam barbaramente, em Ílhavo gera-se uma corrente de solidariedade em volta de um pobre cão. A Câmara e os moradores juntam os braços para minorar o sofrimento do "irmão cão", sem perguntar quem paga o quê ou a quem pertence o cão.
É este espírito que pode salvar o mundo. Vamos cultivá-lo!
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Do Natal e suas mensagens
Estamos naquela época do ano em que quase todos os povos do hemisfério Norte festejam o solstício de Inverno e consequente renovação da Natureza com os dias a crescerem. É a festa do Sol e da luz.
A Igreja Cristã escolheu esta época para situar o nascimento de Cristo, associado à nova luz do mundo. É irrelevante a data exacta do nascimento. O importante é a sua mensagem e os seus actos.
Também é a época em que tradicionalmente se festejam a família e a solidariedade, desdobrando-se os políticos em apologias dos velhinhos, a que não ligaram peva todo o ano, dos desempregados, cujo desemprego não quiseram evitar a bem da economia, e dos meninos coitadinhos, mas a cujos pais não se dão as condições para deles cuidarem.
De entre todas as já fastidiosas, por repetidas, mensagens, sobressaiu uma, curiosamente de um "inimigo" do cristianismo, o islâmico fundamentalista presidente do Irão, que pôs a pergunta que todos os que se intitulam cristãos deveriam pôr a cada hora do dia: "Se Cristo vivesse agora, que posição tomaria perante os problemas actuais?"
Por uma pergunta semelhante foi S. Francisco de Assis considerado herético, escapando por pouco à correspondente execução.
Sim. Que posição tomaria ao ver a sua doutrina transformada em Igreja institucional pelo imperador Constantino para servir de cimento agregador do império a desmoronar-se. Não seria "dar a César o que é de Deus"?
Que posição tomaria ao ver praticar em seu nome os roubos, violações e atrocidades dos cruzados medievais que, em nome da religião, só pretendiam o saque e as honrarias cavaleirescas?
Que posição tomaria ao ver, em seu nome, os genocídios da Santa Inquisição?
Que posição tomaria perante empresários que se intitulam seus fervorosos servidores e não esitam em roubar escandalosamente aqueles que neles confiam?
Certamente apoiaria homens como Francisco de Assis, António Vieira e os padres da "Igreja da Libertação" da América do Sul.
Pensemos nisto e certamente contribuiremos para um melhor 2009.
FELIZ ANO NOVO!
A Igreja Cristã escolheu esta época para situar o nascimento de Cristo, associado à nova luz do mundo. É irrelevante a data exacta do nascimento. O importante é a sua mensagem e os seus actos.
Também é a época em que tradicionalmente se festejam a família e a solidariedade, desdobrando-se os políticos em apologias dos velhinhos, a que não ligaram peva todo o ano, dos desempregados, cujo desemprego não quiseram evitar a bem da economia, e dos meninos coitadinhos, mas a cujos pais não se dão as condições para deles cuidarem.
De entre todas as já fastidiosas, por repetidas, mensagens, sobressaiu uma, curiosamente de um "inimigo" do cristianismo, o islâmico fundamentalista presidente do Irão, que pôs a pergunta que todos os que se intitulam cristãos deveriam pôr a cada hora do dia: "Se Cristo vivesse agora, que posição tomaria perante os problemas actuais?"
Por uma pergunta semelhante foi S. Francisco de Assis considerado herético, escapando por pouco à correspondente execução.
Sim. Que posição tomaria ao ver a sua doutrina transformada em Igreja institucional pelo imperador Constantino para servir de cimento agregador do império a desmoronar-se. Não seria "dar a César o que é de Deus"?
Que posição tomaria ao ver praticar em seu nome os roubos, violações e atrocidades dos cruzados medievais que, em nome da religião, só pretendiam o saque e as honrarias cavaleirescas?
Que posição tomaria ao ver, em seu nome, os genocídios da Santa Inquisição?
Que posição tomaria perante empresários que se intitulam seus fervorosos servidores e não esitam em roubar escandalosamente aqueles que neles confiam?
Certamente apoiaria homens como Francisco de Assis, António Vieira e os padres da "Igreja da Libertação" da América do Sul.
Pensemos nisto e certamente contribuiremos para um melhor 2009.
FELIZ ANO NOVO!
sábado, 29 de novembro de 2008
Vamos falar de avaliações e carreiras
Desde 2002 que os sucessivos governos se têm afadigado a injectar na população a "verdade oficial" de que anteriormente os funcionários públicos não eram avaliados e que agora surge a salvação da Pátria e, quem sabe, do próprio planeta, com o estabelecimento do sistema SIADAP, o sistema de avaliação dos professores e respectivas cotas (questão de fé!).
Ora vamos lá analisar a verdade dos factos. É que eu aprendi a não gostar de verdades oficiais.
Antes do governo do dr. Barroso, os funcionários eram já avaliados há muitos anos. Todos os anos as chefias preenchiam uma ficha de avaliação dos seus subordinados, onde eram avaliados os parâmetros qualidade de trabalho, quantidade de trabalho, aperfeiçoamento, assiduidade e pontualidade, responsabilidade, iniciativa e criatividade, relações com o público, relações humanas no trabalho, respeito pela segurança, conservação do material e capacidade de direcção, sendo retirados os parâmetros que não se aplicavam ao funcionário em concreto.
A cada parâmetro correspondiam 5 perguntas objectivas, que permitiam a classificação de 1 a 10. Ao fim, fazia-se a média das classificações, sendo que se classificava de BOM quem tivesse 6 ou mais e MUITO BOM acima de 9.
Só quem fosse classificado de BOM poderia progredir na carreira, tanto a nível de escalões (que substituíram as diuturnidades e a que asneaticamente chamam de promoções automáticas) quer de acesso a concurso para promoção. O MUITO BOM implicava diminuição de 1 ano no tempo na categoria para ter acesso a concurso de promoção.
Nesse tempo, que se teima em classificar de "balda", as promoções na carreira eram por concurso e não por cartão partidário ou simpatia das chefias.
Claro que se poderá arguir que 60% é pouco para se ser considerado BOM. Concordo plenamente com os que assim pensarem. Deveria ter-se criado a classificação de SUFICIENTE entre os 50 e os 70% e o BOM só daí para cima.
O governo do dr. Barroso, com a responsabilidade directa da dr.ª Ferreira Leite (que nunca esqueça!), na sua fúria privatista, impôs a aplicação de um sistema vindo da indústria e do comércio, o SIADAP, que nunca se conseguiu aplicar decentemente e duvido muito que se consiga. É que os objectivos de uma actividade privada, obviamente virada para o lucro e para fazer o cliente consumir o mais possível, não podem aplicar-se a serviços públicos, cuja função é servir as necessidades dos utentes com a máxima economia possível.
Por outro lado, com a finalidade óbvia de escolher quem progride na carreira, criaram-se as famigeradas "cotas" de avaliação, que introduzem logo à partida um enviesamento na seriedade do sistema. Quando se impõem limites à quantidade de determinada classificação, está-se logo a introduzir a mais abjecta injustiça.
Se à entrada de um exame um professor dissesse aos examinandos: "- Independentemente do que fizerem, só 25% é que podem ter mais que 16", que lhe chamavam? Eu chamava-lhe vigarista!
Argumentam os defensores de tão estranha coisa que, se não fosse assim, eram todos promovidos. Asneira! Todas as carreiras tinham determinado número de lugares em cada categoria. Como havia concursos, só os melhores eram promovidos, se e quando houvesse vagas.
Claro que concordo que todas as carreiras tenham diversas categorias, incluindo os professores, uma vez que, como é natural, as pessoas vão aumentando as suas competências com a experiência profissional. Não conheço nenhum exército só de generais...
Julgo ter contribuído para a reposição da verdade, sendo que os factos que relato podem ser verificados por qualquer um que o queira fazer. É só ir ver às leis.
Ora vamos lá analisar a verdade dos factos. É que eu aprendi a não gostar de verdades oficiais.
Antes do governo do dr. Barroso, os funcionários eram já avaliados há muitos anos. Todos os anos as chefias preenchiam uma ficha de avaliação dos seus subordinados, onde eram avaliados os parâmetros qualidade de trabalho, quantidade de trabalho, aperfeiçoamento, assiduidade e pontualidade, responsabilidade, iniciativa e criatividade, relações com o público, relações humanas no trabalho, respeito pela segurança, conservação do material e capacidade de direcção, sendo retirados os parâmetros que não se aplicavam ao funcionário em concreto.
A cada parâmetro correspondiam 5 perguntas objectivas, que permitiam a classificação de 1 a 10. Ao fim, fazia-se a média das classificações, sendo que se classificava de BOM quem tivesse 6 ou mais e MUITO BOM acima de 9.
Só quem fosse classificado de BOM poderia progredir na carreira, tanto a nível de escalões (que substituíram as diuturnidades e a que asneaticamente chamam de promoções automáticas) quer de acesso a concurso para promoção. O MUITO BOM implicava diminuição de 1 ano no tempo na categoria para ter acesso a concurso de promoção.
Nesse tempo, que se teima em classificar de "balda", as promoções na carreira eram por concurso e não por cartão partidário ou simpatia das chefias.
Claro que se poderá arguir que 60% é pouco para se ser considerado BOM. Concordo plenamente com os que assim pensarem. Deveria ter-se criado a classificação de SUFICIENTE entre os 50 e os 70% e o BOM só daí para cima.
O governo do dr. Barroso, com a responsabilidade directa da dr.ª Ferreira Leite (que nunca esqueça!), na sua fúria privatista, impôs a aplicação de um sistema vindo da indústria e do comércio, o SIADAP, que nunca se conseguiu aplicar decentemente e duvido muito que se consiga. É que os objectivos de uma actividade privada, obviamente virada para o lucro e para fazer o cliente consumir o mais possível, não podem aplicar-se a serviços públicos, cuja função é servir as necessidades dos utentes com a máxima economia possível.
Por outro lado, com a finalidade óbvia de escolher quem progride na carreira, criaram-se as famigeradas "cotas" de avaliação, que introduzem logo à partida um enviesamento na seriedade do sistema. Quando se impõem limites à quantidade de determinada classificação, está-se logo a introduzir a mais abjecta injustiça.
Se à entrada de um exame um professor dissesse aos examinandos: "- Independentemente do que fizerem, só 25% é que podem ter mais que 16", que lhe chamavam? Eu chamava-lhe vigarista!
Argumentam os defensores de tão estranha coisa que, se não fosse assim, eram todos promovidos. Asneira! Todas as carreiras tinham determinado número de lugares em cada categoria. Como havia concursos, só os melhores eram promovidos, se e quando houvesse vagas.
Claro que concordo que todas as carreiras tenham diversas categorias, incluindo os professores, uma vez que, como é natural, as pessoas vão aumentando as suas competências com a experiência profissional. Não conheço nenhum exército só de generais...
Julgo ter contribuído para a reposição da verdade, sendo que os factos que relato podem ser verificados por qualquer um que o queira fazer. É só ir ver às leis.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Integracionismo, multiculturalismo e interculturalismo
Acontecimentos de um passado relativamente recente envolvendo indivíduos de origens culturais diferentes, principalmente na região da Grande Lisboa, trouxeram a terreiro defensores dos mais variados conceitos, que podemos agrupar nos três que constituem o título desta reflexão: integracionismo, multiculturalismo e interculturalismo.
Vou tentar analisar a viabilidade e utilidade prática de cada um.
Os integracionistas radicais defendem que todos os indivíduos de origem cultural diferente da da maioria estabelecida, devem integrar-se totalmente na prática, usos e costumes dessa maioria, com abandono, e até repúdio, da sua herança cultural. Em extremo, todos deveriam passar a gostar de bacalhau com batatas e couratos e ser cristãos. Foi o exemplo pouco edificante da Santa Inquisição e é a prática, não mais edificante, dos regimes ditatoriais, portanto a rejeitar.
Por outro lado, os defensores radicais do multiculturalismo defenderão que cada um actue de acordo com a sua origem cultural. Para isto ser possível e não termos de aceitar, por exemplo, que os cidadãos ingleses conduzissem pela esquerda em Portugal, teríamos de ir para as soluções também nada edificantes do apartheid, dos guetos ou das reservas de índios das Américas. Rejeito totalmente.
Se estudarmos a história do povoamento desta terra onde hoje vivemos, chegaremos à conclusão de que os descendentes daquele povo que deixou a região onde hoje é o triste Darfur há 150.000 anos foram chegando aos poucos a este território, uns via Mediterrâneo, outros via Pirineus. Já vejo alguns a arrepiarem os cabelos (rapados) porque o avô era negro! Naturalmente que um povo que chegava não ia integrar-se imediatamente na cultura, usos e costumes dos que já cá estavam há séculos. Para coexistirem, certamente estabeleceram procedimentos comuns, independentemente de continuarem com as sua práticas culturais, obviamente na parte que não ofendesse esses procedimentos, e foram dando contributos para a criação gradual de uma nova cultura. Eles mostram-nos o caminho!
Defendo que a solução está no interculturalismo, que consiste em se estabelecer uma plataforma de coexistência comum, com a contribuição de todos, mantendo cada um a sua liberdade religiosa e cultural, com excepção das práticas que ofendam essa plataforma de coexistência plasmada nas leis.
É a tradição deste povo de Portugal, descendente das mais variadas culturas e que contribuiu em muito para o enriquecimento de muitas outras. Disso podemos e devemos orgulhar-nos!
Vou tentar analisar a viabilidade e utilidade prática de cada um.
Os integracionistas radicais defendem que todos os indivíduos de origem cultural diferente da da maioria estabelecida, devem integrar-se totalmente na prática, usos e costumes dessa maioria, com abandono, e até repúdio, da sua herança cultural. Em extremo, todos deveriam passar a gostar de bacalhau com batatas e couratos e ser cristãos. Foi o exemplo pouco edificante da Santa Inquisição e é a prática, não mais edificante, dos regimes ditatoriais, portanto a rejeitar.
Por outro lado, os defensores radicais do multiculturalismo defenderão que cada um actue de acordo com a sua origem cultural. Para isto ser possível e não termos de aceitar, por exemplo, que os cidadãos ingleses conduzissem pela esquerda em Portugal, teríamos de ir para as soluções também nada edificantes do apartheid, dos guetos ou das reservas de índios das Américas. Rejeito totalmente.
Se estudarmos a história do povoamento desta terra onde hoje vivemos, chegaremos à conclusão de que os descendentes daquele povo que deixou a região onde hoje é o triste Darfur há 150.000 anos foram chegando aos poucos a este território, uns via Mediterrâneo, outros via Pirineus. Já vejo alguns a arrepiarem os cabelos (rapados) porque o avô era negro! Naturalmente que um povo que chegava não ia integrar-se imediatamente na cultura, usos e costumes dos que já cá estavam há séculos. Para coexistirem, certamente estabeleceram procedimentos comuns, independentemente de continuarem com as sua práticas culturais, obviamente na parte que não ofendesse esses procedimentos, e foram dando contributos para a criação gradual de uma nova cultura. Eles mostram-nos o caminho!
Defendo que a solução está no interculturalismo, que consiste em se estabelecer uma plataforma de coexistência comum, com a contribuição de todos, mantendo cada um a sua liberdade religiosa e cultural, com excepção das práticas que ofendam essa plataforma de coexistência plasmada nas leis.
É a tradição deste povo de Portugal, descendente das mais variadas culturas e que contribuiu em muito para o enriquecimento de muitas outras. Disso podemos e devemos orgulhar-nos!
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Mais explicações esfarrapadas...
Divirto-me a ouvir e ver alguns dos diversos debates políticos apresentados na rádio e TV. Podem crer que são um valioso contributo para o anedotário nacional, rivalizando alguns com os mais cotados humoristas.
Ora vejam só estes primores:
Um senhor, com alto cargo no ministério da Educação, explicava o facto de os miúdos hoje saírem do 4.º ano de escolaridade a saber muito menos que nós à saída da 4.ª classe, com o prolongamento da escolaridade obrigatória. Esclarecia o senhor que, como antigamente a maioria ficava somente com a 4.ª classe, tinham de aprender o mais possível até essa altura. Hoje, com a escolaridade até ao 9.º ano, têm mais 5 anos para aprender.
Não é notável?
Segundo a teoria exposta, com o prolongamento da escolaridade obrigatória não se pretende ensinar mais aos jovens. Pretende-se ensinar o mesmo em mais tempo!!!!
Quem teve esta ideia, deve ter ficado cheio de dores...nos pés.
Outra conclusão extraordinária prende-se com o facto de os aposentados da Função Pública descontarem para a A.D.S.E. sobre os subsídios de Natal e 14.º mês, ao contrário dos funcionários do activo que não descontam. Em Abril passado, em frente às reportagens televisivas, o sr. Ministro das Finanças, posto perante esta desigualdade, declarou que o assunto se iria resolver.
Apareceu agora a resolução. Não só se mantém o desconto para os aposentados, como se estenderá aos funcionários que entrem de novo.
Um senhor com sorriso alvar, que julgo ser Secretário de Estado, argumentava que se tratava de uma recomendação do senhor Provedor de Justiça e que, descontando os funcionários do activo 1,5% para a A.D.S.E. e os aposentados 1%, 1% x 14 é menos que 1,5% x 12, pelo que os aposentados ainda estavam em vantagem.
Brilhante matemático!
A lei que determinou o desconto dos aposentados para a A.D.S.E. estabelece que o desconto se inicie por 1% em 2007, aumentando progressivamente 0,1% ao ano até atingir os 1,5% dos funcionários do activo. Assim, o desconto actual é de 1,1%. A partir de 2010, já os reformados passam a descontar mais que os colegas do activo, excepto os que entrem de novo.
O senhor do sorriso alvar, ou ignora a lei, ou está a enganar deliberadamente as pessoas.
Se ignora a lei, merece a designação adequada. Se está a enganar deliberadamente as pessoas, isso também tem nome...
Quanto à recomendação do sr. Provedor de Justiça, acredito que fosse no sentido de acabar com a desigualdade de tratamento. O Governo nivela por baixo...
No entanto, surge deste triste facto uma nova teoria:
Se tiver um furo num pneu do carro, não repare esse pneu. Fure os outros 3!
Igualdade Teixeira-style!
Ora vejam só estes primores:
Um senhor, com alto cargo no ministério da Educação, explicava o facto de os miúdos hoje saírem do 4.º ano de escolaridade a saber muito menos que nós à saída da 4.ª classe, com o prolongamento da escolaridade obrigatória. Esclarecia o senhor que, como antigamente a maioria ficava somente com a 4.ª classe, tinham de aprender o mais possível até essa altura. Hoje, com a escolaridade até ao 9.º ano, têm mais 5 anos para aprender.
Não é notável?
Segundo a teoria exposta, com o prolongamento da escolaridade obrigatória não se pretende ensinar mais aos jovens. Pretende-se ensinar o mesmo em mais tempo!!!!
Quem teve esta ideia, deve ter ficado cheio de dores...nos pés.
Outra conclusão extraordinária prende-se com o facto de os aposentados da Função Pública descontarem para a A.D.S.E. sobre os subsídios de Natal e 14.º mês, ao contrário dos funcionários do activo que não descontam. Em Abril passado, em frente às reportagens televisivas, o sr. Ministro das Finanças, posto perante esta desigualdade, declarou que o assunto se iria resolver.
Apareceu agora a resolução. Não só se mantém o desconto para os aposentados, como se estenderá aos funcionários que entrem de novo.
Um senhor com sorriso alvar, que julgo ser Secretário de Estado, argumentava que se tratava de uma recomendação do senhor Provedor de Justiça e que, descontando os funcionários do activo 1,5% para a A.D.S.E. e os aposentados 1%, 1% x 14 é menos que 1,5% x 12, pelo que os aposentados ainda estavam em vantagem.
Brilhante matemático!
A lei que determinou o desconto dos aposentados para a A.D.S.E. estabelece que o desconto se inicie por 1% em 2007, aumentando progressivamente 0,1% ao ano até atingir os 1,5% dos funcionários do activo. Assim, o desconto actual é de 1,1%. A partir de 2010, já os reformados passam a descontar mais que os colegas do activo, excepto os que entrem de novo.
O senhor do sorriso alvar, ou ignora a lei, ou está a enganar deliberadamente as pessoas.
Se ignora a lei, merece a designação adequada. Se está a enganar deliberadamente as pessoas, isso também tem nome...
Quanto à recomendação do sr. Provedor de Justiça, acredito que fosse no sentido de acabar com a desigualdade de tratamento. O Governo nivela por baixo...
No entanto, surge deste triste facto uma nova teoria:
Se tiver um furo num pneu do carro, não repare esse pneu. Fure os outros 3!
Igualdade Teixeira-style!
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