Estamos naquela época do ano em que quase todos os povos do hemisfério Norte festejam o solstício de Inverno e consequente renovação da Natureza com os dias a crescerem. É a festa do Sol e da luz.
A Igreja Cristã escolheu esta época para situar o nascimento de Cristo, associado à nova luz do mundo. É irrelevante a data exacta do nascimento. O importante é a sua mensagem e os seus actos.
Também é a época em que tradicionalmente se festejam a família e a solidariedade, desdobrando-se os políticos em apologias dos velhinhos, a que não ligaram peva todo o ano, dos desempregados, cujo desemprego não quiseram evitar a bem da economia, e dos meninos coitadinhos, mas a cujos pais não se dão as condições para deles cuidarem.
De entre todas as já fastidiosas, por repetidas, mensagens, sobressaiu uma, curiosamente de um "inimigo" do cristianismo, o islâmico fundamentalista presidente do Irão, que pôs a pergunta que todos os que se intitulam cristãos deveriam pôr a cada hora do dia: "Se Cristo vivesse agora, que posição tomaria perante os problemas actuais?"
Por uma pergunta semelhante foi S. Francisco de Assis considerado herético, escapando por pouco à correspondente execução.
Sim. Que posição tomaria ao ver a sua doutrina transformada em Igreja institucional pelo imperador Constantino para servir de cimento agregador do império a desmoronar-se. Não seria "dar a César o que é de Deus"?
Que posição tomaria ao ver praticar em seu nome os roubos, violações e atrocidades dos cruzados medievais que, em nome da religião, só pretendiam o saque e as honrarias cavaleirescas?
Que posição tomaria ao ver, em seu nome, os genocídios da Santa Inquisição?
Que posição tomaria perante empresários que se intitulam seus fervorosos servidores e não esitam em roubar escandalosamente aqueles que neles confiam?
Certamente apoiaria homens como Francisco de Assis, António Vieira e os padres da "Igreja da Libertação" da América do Sul.
Pensemos nisto e certamente contribuiremos para um melhor 2009.
FELIZ ANO NOVO!
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sábado, 29 de novembro de 2008
Vamos falar de avaliações e carreiras
Desde 2002 que os sucessivos governos se têm afadigado a injectar na população a "verdade oficial" de que anteriormente os funcionários públicos não eram avaliados e que agora surge a salvação da Pátria e, quem sabe, do próprio planeta, com o estabelecimento do sistema SIADAP, o sistema de avaliação dos professores e respectivas cotas (questão de fé!).
Ora vamos lá analisar a verdade dos factos. É que eu aprendi a não gostar de verdades oficiais.
Antes do governo do dr. Barroso, os funcionários eram já avaliados há muitos anos. Todos os anos as chefias preenchiam uma ficha de avaliação dos seus subordinados, onde eram avaliados os parâmetros qualidade de trabalho, quantidade de trabalho, aperfeiçoamento, assiduidade e pontualidade, responsabilidade, iniciativa e criatividade, relações com o público, relações humanas no trabalho, respeito pela segurança, conservação do material e capacidade de direcção, sendo retirados os parâmetros que não se aplicavam ao funcionário em concreto.
A cada parâmetro correspondiam 5 perguntas objectivas, que permitiam a classificação de 1 a 10. Ao fim, fazia-se a média das classificações, sendo que se classificava de BOM quem tivesse 6 ou mais e MUITO BOM acima de 9.
Só quem fosse classificado de BOM poderia progredir na carreira, tanto a nível de escalões (que substituíram as diuturnidades e a que asneaticamente chamam de promoções automáticas) quer de acesso a concurso para promoção. O MUITO BOM implicava diminuição de 1 ano no tempo na categoria para ter acesso a concurso de promoção.
Nesse tempo, que se teima em classificar de "balda", as promoções na carreira eram por concurso e não por cartão partidário ou simpatia das chefias.
Claro que se poderá arguir que 60% é pouco para se ser considerado BOM. Concordo plenamente com os que assim pensarem. Deveria ter-se criado a classificação de SUFICIENTE entre os 50 e os 70% e o BOM só daí para cima.
O governo do dr. Barroso, com a responsabilidade directa da dr.ª Ferreira Leite (que nunca esqueça!), na sua fúria privatista, impôs a aplicação de um sistema vindo da indústria e do comércio, o SIADAP, que nunca se conseguiu aplicar decentemente e duvido muito que se consiga. É que os objectivos de uma actividade privada, obviamente virada para o lucro e para fazer o cliente consumir o mais possível, não podem aplicar-se a serviços públicos, cuja função é servir as necessidades dos utentes com a máxima economia possível.
Por outro lado, com a finalidade óbvia de escolher quem progride na carreira, criaram-se as famigeradas "cotas" de avaliação, que introduzem logo à partida um enviesamento na seriedade do sistema. Quando se impõem limites à quantidade de determinada classificação, está-se logo a introduzir a mais abjecta injustiça.
Se à entrada de um exame um professor dissesse aos examinandos: "- Independentemente do que fizerem, só 25% é que podem ter mais que 16", que lhe chamavam? Eu chamava-lhe vigarista!
Argumentam os defensores de tão estranha coisa que, se não fosse assim, eram todos promovidos. Asneira! Todas as carreiras tinham determinado número de lugares em cada categoria. Como havia concursos, só os melhores eram promovidos, se e quando houvesse vagas.
Claro que concordo que todas as carreiras tenham diversas categorias, incluindo os professores, uma vez que, como é natural, as pessoas vão aumentando as suas competências com a experiência profissional. Não conheço nenhum exército só de generais...
Julgo ter contribuído para a reposição da verdade, sendo que os factos que relato podem ser verificados por qualquer um que o queira fazer. É só ir ver às leis.
Ora vamos lá analisar a verdade dos factos. É que eu aprendi a não gostar de verdades oficiais.
Antes do governo do dr. Barroso, os funcionários eram já avaliados há muitos anos. Todos os anos as chefias preenchiam uma ficha de avaliação dos seus subordinados, onde eram avaliados os parâmetros qualidade de trabalho, quantidade de trabalho, aperfeiçoamento, assiduidade e pontualidade, responsabilidade, iniciativa e criatividade, relações com o público, relações humanas no trabalho, respeito pela segurança, conservação do material e capacidade de direcção, sendo retirados os parâmetros que não se aplicavam ao funcionário em concreto.
A cada parâmetro correspondiam 5 perguntas objectivas, que permitiam a classificação de 1 a 10. Ao fim, fazia-se a média das classificações, sendo que se classificava de BOM quem tivesse 6 ou mais e MUITO BOM acima de 9.
Só quem fosse classificado de BOM poderia progredir na carreira, tanto a nível de escalões (que substituíram as diuturnidades e a que asneaticamente chamam de promoções automáticas) quer de acesso a concurso para promoção. O MUITO BOM implicava diminuição de 1 ano no tempo na categoria para ter acesso a concurso de promoção.
Nesse tempo, que se teima em classificar de "balda", as promoções na carreira eram por concurso e não por cartão partidário ou simpatia das chefias.
Claro que se poderá arguir que 60% é pouco para se ser considerado BOM. Concordo plenamente com os que assim pensarem. Deveria ter-se criado a classificação de SUFICIENTE entre os 50 e os 70% e o BOM só daí para cima.
O governo do dr. Barroso, com a responsabilidade directa da dr.ª Ferreira Leite (que nunca esqueça!), na sua fúria privatista, impôs a aplicação de um sistema vindo da indústria e do comércio, o SIADAP, que nunca se conseguiu aplicar decentemente e duvido muito que se consiga. É que os objectivos de uma actividade privada, obviamente virada para o lucro e para fazer o cliente consumir o mais possível, não podem aplicar-se a serviços públicos, cuja função é servir as necessidades dos utentes com a máxima economia possível.
Por outro lado, com a finalidade óbvia de escolher quem progride na carreira, criaram-se as famigeradas "cotas" de avaliação, que introduzem logo à partida um enviesamento na seriedade do sistema. Quando se impõem limites à quantidade de determinada classificação, está-se logo a introduzir a mais abjecta injustiça.
Se à entrada de um exame um professor dissesse aos examinandos: "- Independentemente do que fizerem, só 25% é que podem ter mais que 16", que lhe chamavam? Eu chamava-lhe vigarista!
Argumentam os defensores de tão estranha coisa que, se não fosse assim, eram todos promovidos. Asneira! Todas as carreiras tinham determinado número de lugares em cada categoria. Como havia concursos, só os melhores eram promovidos, se e quando houvesse vagas.
Claro que concordo que todas as carreiras tenham diversas categorias, incluindo os professores, uma vez que, como é natural, as pessoas vão aumentando as suas competências com a experiência profissional. Não conheço nenhum exército só de generais...
Julgo ter contribuído para a reposição da verdade, sendo que os factos que relato podem ser verificados por qualquer um que o queira fazer. É só ir ver às leis.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Integracionismo, multiculturalismo e interculturalismo
Acontecimentos de um passado relativamente recente envolvendo indivíduos de origens culturais diferentes, principalmente na região da Grande Lisboa, trouxeram a terreiro defensores dos mais variados conceitos, que podemos agrupar nos três que constituem o título desta reflexão: integracionismo, multiculturalismo e interculturalismo.
Vou tentar analisar a viabilidade e utilidade prática de cada um.
Os integracionistas radicais defendem que todos os indivíduos de origem cultural diferente da da maioria estabelecida, devem integrar-se totalmente na prática, usos e costumes dessa maioria, com abandono, e até repúdio, da sua herança cultural. Em extremo, todos deveriam passar a gostar de bacalhau com batatas e couratos e ser cristãos. Foi o exemplo pouco edificante da Santa Inquisição e é a prática, não mais edificante, dos regimes ditatoriais, portanto a rejeitar.
Por outro lado, os defensores radicais do multiculturalismo defenderão que cada um actue de acordo com a sua origem cultural. Para isto ser possível e não termos de aceitar, por exemplo, que os cidadãos ingleses conduzissem pela esquerda em Portugal, teríamos de ir para as soluções também nada edificantes do apartheid, dos guetos ou das reservas de índios das Américas. Rejeito totalmente.
Se estudarmos a história do povoamento desta terra onde hoje vivemos, chegaremos à conclusão de que os descendentes daquele povo que deixou a região onde hoje é o triste Darfur há 150.000 anos foram chegando aos poucos a este território, uns via Mediterrâneo, outros via Pirineus. Já vejo alguns a arrepiarem os cabelos (rapados) porque o avô era negro! Naturalmente que um povo que chegava não ia integrar-se imediatamente na cultura, usos e costumes dos que já cá estavam há séculos. Para coexistirem, certamente estabeleceram procedimentos comuns, independentemente de continuarem com as sua práticas culturais, obviamente na parte que não ofendesse esses procedimentos, e foram dando contributos para a criação gradual de uma nova cultura. Eles mostram-nos o caminho!
Defendo que a solução está no interculturalismo, que consiste em se estabelecer uma plataforma de coexistência comum, com a contribuição de todos, mantendo cada um a sua liberdade religiosa e cultural, com excepção das práticas que ofendam essa plataforma de coexistência plasmada nas leis.
É a tradição deste povo de Portugal, descendente das mais variadas culturas e que contribuiu em muito para o enriquecimento de muitas outras. Disso podemos e devemos orgulhar-nos!
Vou tentar analisar a viabilidade e utilidade prática de cada um.
Os integracionistas radicais defendem que todos os indivíduos de origem cultural diferente da da maioria estabelecida, devem integrar-se totalmente na prática, usos e costumes dessa maioria, com abandono, e até repúdio, da sua herança cultural. Em extremo, todos deveriam passar a gostar de bacalhau com batatas e couratos e ser cristãos. Foi o exemplo pouco edificante da Santa Inquisição e é a prática, não mais edificante, dos regimes ditatoriais, portanto a rejeitar.
Por outro lado, os defensores radicais do multiculturalismo defenderão que cada um actue de acordo com a sua origem cultural. Para isto ser possível e não termos de aceitar, por exemplo, que os cidadãos ingleses conduzissem pela esquerda em Portugal, teríamos de ir para as soluções também nada edificantes do apartheid, dos guetos ou das reservas de índios das Américas. Rejeito totalmente.
Se estudarmos a história do povoamento desta terra onde hoje vivemos, chegaremos à conclusão de que os descendentes daquele povo que deixou a região onde hoje é o triste Darfur há 150.000 anos foram chegando aos poucos a este território, uns via Mediterrâneo, outros via Pirineus. Já vejo alguns a arrepiarem os cabelos (rapados) porque o avô era negro! Naturalmente que um povo que chegava não ia integrar-se imediatamente na cultura, usos e costumes dos que já cá estavam há séculos. Para coexistirem, certamente estabeleceram procedimentos comuns, independentemente de continuarem com as sua práticas culturais, obviamente na parte que não ofendesse esses procedimentos, e foram dando contributos para a criação gradual de uma nova cultura. Eles mostram-nos o caminho!
Defendo que a solução está no interculturalismo, que consiste em se estabelecer uma plataforma de coexistência comum, com a contribuição de todos, mantendo cada um a sua liberdade religiosa e cultural, com excepção das práticas que ofendam essa plataforma de coexistência plasmada nas leis.
É a tradição deste povo de Portugal, descendente das mais variadas culturas e que contribuiu em muito para o enriquecimento de muitas outras. Disso podemos e devemos orgulhar-nos!
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Mais explicações esfarrapadas...
Divirto-me a ouvir e ver alguns dos diversos debates políticos apresentados na rádio e TV. Podem crer que são um valioso contributo para o anedotário nacional, rivalizando alguns com os mais cotados humoristas.
Ora vejam só estes primores:
Um senhor, com alto cargo no ministério da Educação, explicava o facto de os miúdos hoje saírem do 4.º ano de escolaridade a saber muito menos que nós à saída da 4.ª classe, com o prolongamento da escolaridade obrigatória. Esclarecia o senhor que, como antigamente a maioria ficava somente com a 4.ª classe, tinham de aprender o mais possível até essa altura. Hoje, com a escolaridade até ao 9.º ano, têm mais 5 anos para aprender.
Não é notável?
Segundo a teoria exposta, com o prolongamento da escolaridade obrigatória não se pretende ensinar mais aos jovens. Pretende-se ensinar o mesmo em mais tempo!!!!
Quem teve esta ideia, deve ter ficado cheio de dores...nos pés.
Outra conclusão extraordinária prende-se com o facto de os aposentados da Função Pública descontarem para a A.D.S.E. sobre os subsídios de Natal e 14.º mês, ao contrário dos funcionários do activo que não descontam. Em Abril passado, em frente às reportagens televisivas, o sr. Ministro das Finanças, posto perante esta desigualdade, declarou que o assunto se iria resolver.
Apareceu agora a resolução. Não só se mantém o desconto para os aposentados, como se estenderá aos funcionários que entrem de novo.
Um senhor com sorriso alvar, que julgo ser Secretário de Estado, argumentava que se tratava de uma recomendação do senhor Provedor de Justiça e que, descontando os funcionários do activo 1,5% para a A.D.S.E. e os aposentados 1%, 1% x 14 é menos que 1,5% x 12, pelo que os aposentados ainda estavam em vantagem.
Brilhante matemático!
A lei que determinou o desconto dos aposentados para a A.D.S.E. estabelece que o desconto se inicie por 1% em 2007, aumentando progressivamente 0,1% ao ano até atingir os 1,5% dos funcionários do activo. Assim, o desconto actual é de 1,1%. A partir de 2010, já os reformados passam a descontar mais que os colegas do activo, excepto os que entrem de novo.
O senhor do sorriso alvar, ou ignora a lei, ou está a enganar deliberadamente as pessoas.
Se ignora a lei, merece a designação adequada. Se está a enganar deliberadamente as pessoas, isso também tem nome...
Quanto à recomendação do sr. Provedor de Justiça, acredito que fosse no sentido de acabar com a desigualdade de tratamento. O Governo nivela por baixo...
No entanto, surge deste triste facto uma nova teoria:
Se tiver um furo num pneu do carro, não repare esse pneu. Fure os outros 3!
Igualdade Teixeira-style!
Ora vejam só estes primores:
Um senhor, com alto cargo no ministério da Educação, explicava o facto de os miúdos hoje saírem do 4.º ano de escolaridade a saber muito menos que nós à saída da 4.ª classe, com o prolongamento da escolaridade obrigatória. Esclarecia o senhor que, como antigamente a maioria ficava somente com a 4.ª classe, tinham de aprender o mais possível até essa altura. Hoje, com a escolaridade até ao 9.º ano, têm mais 5 anos para aprender.
Não é notável?
Segundo a teoria exposta, com o prolongamento da escolaridade obrigatória não se pretende ensinar mais aos jovens. Pretende-se ensinar o mesmo em mais tempo!!!!
Quem teve esta ideia, deve ter ficado cheio de dores...nos pés.
Outra conclusão extraordinária prende-se com o facto de os aposentados da Função Pública descontarem para a A.D.S.E. sobre os subsídios de Natal e 14.º mês, ao contrário dos funcionários do activo que não descontam. Em Abril passado, em frente às reportagens televisivas, o sr. Ministro das Finanças, posto perante esta desigualdade, declarou que o assunto se iria resolver.
Apareceu agora a resolução. Não só se mantém o desconto para os aposentados, como se estenderá aos funcionários que entrem de novo.
Um senhor com sorriso alvar, que julgo ser Secretário de Estado, argumentava que se tratava de uma recomendação do senhor Provedor de Justiça e que, descontando os funcionários do activo 1,5% para a A.D.S.E. e os aposentados 1%, 1% x 14 é menos que 1,5% x 12, pelo que os aposentados ainda estavam em vantagem.
Brilhante matemático!
A lei que determinou o desconto dos aposentados para a A.D.S.E. estabelece que o desconto se inicie por 1% em 2007, aumentando progressivamente 0,1% ao ano até atingir os 1,5% dos funcionários do activo. Assim, o desconto actual é de 1,1%. A partir de 2010, já os reformados passam a descontar mais que os colegas do activo, excepto os que entrem de novo.
O senhor do sorriso alvar, ou ignora a lei, ou está a enganar deliberadamente as pessoas.
Se ignora a lei, merece a designação adequada. Se está a enganar deliberadamente as pessoas, isso também tem nome...
Quanto à recomendação do sr. Provedor de Justiça, acredito que fosse no sentido de acabar com a desigualdade de tratamento. O Governo nivela por baixo...
No entanto, surge deste triste facto uma nova teoria:
Se tiver um furo num pneu do carro, não repare esse pneu. Fure os outros 3!
Igualdade Teixeira-style!
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Vida de enfermeiro
Os meus amigos Celso e Alcina enviaram-me, em forward, um texto que relata o dia de um enfermeiro em visita domiciliária.
Considero o texto um testemunho exemplar da dedicação, abnegação, profissionalismo e respeito pelo "outro" que tantas vezes testemunhei ao longo de 37 anos de trabalho ombro-a-ombro com aqueles profissionais tão maltratados e vilipendiados que nem o seu grau académico é devidamente reconhecido pelo mesmo Estado que lho conferiu.
É que, embora o texto se refira a visitas domiciliárias, as situações nos hospitais, e sentimentos correspondentes, não são diferentes. Lembra-me de ver algumas enfermeiras a chorar perante a impotência de manterem a vida ao seu doente.
Os locais descritos são, infelizmente, a imagem real de grande parte do País, que se esconde atrás dos hiper-centros comerciais, dos hotéis de luxo e do que se considera publicável pela comunicação social.
Como defendo que as pessoas devem ser melhor informadas do que se passa atrás das batas brancas e outros aspectos visíveis das instituições de saúde, não resisto a transcrever o texto recebido, com a minha homenagem a tão abnegados profissionais. Cá vai:
A casa dos outros
A D. Maria tem 47 anos... e um cancro do ovário. O marido, já reformado, quis satisfazer-lhe o desejo de não morrer no hospital.
Têm uma filha, a acabar o curso na universidade: boa aluna, em altura de exames... precisa de estudar e a sua mãe está a terminar os seus dias de vida no quarto ao lado.
A D. Maria está em cuidados paliativos... e sabe disso! Já não quer comer, bebe apenas alguns goles de água. Tem um soro para que lhe possamos dar a medicação. Tem uma perfusão permanente de morfina, cuja eficácia não é total. A barriga... como descrever? Tem uma colostomia,que mal funciona... está inchada, como um balão que vai rebentar... e de facto, começa a rebentar: abrem-se fístulas espontaneamente e as fezes saem por todo o lado. O cheiro? Não consigo descrever! O corpo? Pele e osso, para ser mais exacta! Há metástases no fígado, no pulmão... a respiração é ofegante... já lá vão 5 semanas...
Diariamente desloco-me a casa da D. Maria, duas ou três vezes: para dar medicação, para cuidar daquela barriga... para falar com ela, para dar o apoio possível ao marido que tenta fazer o que sabe e o que pode. O sofrimento? É grande... de todos!
Mas eu sou enfermeira: não é suposto que me seja difícil ver sofrimento dos outros!
Tudo se torna mais difícil quando estou a sós com a D. Maria, que me agarra na mão e me pede insistentemente... que termine com a vida dela! Os apelos são cada vez mais frequentes, mais desesperados: 'Por favor! Se tem compaixão de mim, injecte-me qualquer coisa para terminar de vez com esta agonia! Pela sua felicidade, por favor, acabe com a minha vida...'
E eu tenho compaixão... mas nada posso fazer! A dor não se consegue controlar, é impossível cuidar dela sem lhe provocar ainda mais dores? O que faz uma enfermeira? Vai-se embora, para casa, a sentir-se inútil... A sentir-se incapaz... Ao ouvir repetidamente aquele apelo... e a desejar, embora lhe custe muito, que a eutanásia fosse possível! Mas, se fosse possível... e a praticasse, como iria para casa?
Mas para quê falar disto?... Os enfermeiros não têm sentimentos!
Saio dali, continuo o meu trabalho domiciliário: agora entro numa barraca, onde chove dentro, onde há ratos, pulgas, lixo... onde o cheiro nos faz perder o apetite...
O Sr. José tem 87 anos e vive sozinho. Tem uma úlcera varicosa. Tenho que fazer o penso. Não há água... nem sequer as mãos posso lavar. Passo-as por álcool à saída e lavo-as na casa do próximo utente.Chove desalmadamente. Volto para o carro, pelo meio da lama. Carrego as malas do material para os cuidados.
Mas para quê falar disto?... A minha profissão não é penosa!...
Próxima paragem: D. Joaquina, 92 anos, vive numas águas furtadas, 5ºandar, sem elevador. Subo as escadas de madeira, apodrecidas,obscuras, com medo que alguma tábua se parta. Carrego com as malas do material...
A D. Joaquina vive com uma irmã, naquele espaço exíguo. Teve uma trombose.Tem úlceras de pressão. O tecto é baixo, inclinado, a cama está encostada à parede. Para lhe prestar cuidados tenho que me pôr de joelhos no chão e ficar inclinada.
Quando me tento endireitar as minhas costas doem... tenho as pernas dormentes... pego nas malas, desço as escadas... continua a chover...procuro o carro que tive que estacionar a 500 metros!
Mas, para quê falar disso? Os enfermeiros não se queixam...
Próximo desafio: a Helena! Toxicodependente... tem SIDA, continua a consumir... com sorte, ainda lá encontro o traficante em casa... mas as enfermeiras não têm medo!
Continuo: o Sr. Manuel é diabético, divorciado, tem 50 anos, foi amputado de uma perna, vive sozinho num 3º andar. Há 2 anos que não sai de casa: como fazer? Das poucas pessoas, com quem convive, são as enfermeiras! Precisa de conversar... como lhe dizer que ainda tenho mais 4, ou 8 pessoas e que não tenho tempo para estar ali a ouvi-lo?
Mas para quê falar disso? Os enfermeiros só dão injecções e fazem pensos... tudo o resto é supérfluo!
Para quê falar da solidão do outro, da minha impotência, do pedido da eutanásia, da chuva, do frio, do sol, do calor, do mau cheiro, das minhas dores nas pernas, do material do penso a conspurcar o meu carro (a seguir vou buscar a minha filha à escola!), das dores nas costas,do medo, da insegurança, do ventre desfeito, da tristeza, da compaixão...
Não, a penosidade e o risco devem ser uma ilusão minha...
Não, as enfermeiras não choram!
Mas sabem?... as lágrimas que mais doem são aquelas que não correm!'
Considero o texto um testemunho exemplar da dedicação, abnegação, profissionalismo e respeito pelo "outro" que tantas vezes testemunhei ao longo de 37 anos de trabalho ombro-a-ombro com aqueles profissionais tão maltratados e vilipendiados que nem o seu grau académico é devidamente reconhecido pelo mesmo Estado que lho conferiu.
É que, embora o texto se refira a visitas domiciliárias, as situações nos hospitais, e sentimentos correspondentes, não são diferentes. Lembra-me de ver algumas enfermeiras a chorar perante a impotência de manterem a vida ao seu doente.
Os locais descritos são, infelizmente, a imagem real de grande parte do País, que se esconde atrás dos hiper-centros comerciais, dos hotéis de luxo e do que se considera publicável pela comunicação social.
Como defendo que as pessoas devem ser melhor informadas do que se passa atrás das batas brancas e outros aspectos visíveis das instituições de saúde, não resisto a transcrever o texto recebido, com a minha homenagem a tão abnegados profissionais. Cá vai:
A casa dos outros
A D. Maria tem 47 anos... e um cancro do ovário. O marido, já reformado, quis satisfazer-lhe o desejo de não morrer no hospital.
Têm uma filha, a acabar o curso na universidade: boa aluna, em altura de exames... precisa de estudar e a sua mãe está a terminar os seus dias de vida no quarto ao lado.
A D. Maria está em cuidados paliativos... e sabe disso! Já não quer comer, bebe apenas alguns goles de água. Tem um soro para que lhe possamos dar a medicação. Tem uma perfusão permanente de morfina, cuja eficácia não é total. A barriga... como descrever? Tem uma colostomia,que mal funciona... está inchada, como um balão que vai rebentar... e de facto, começa a rebentar: abrem-se fístulas espontaneamente e as fezes saem por todo o lado. O cheiro? Não consigo descrever! O corpo? Pele e osso, para ser mais exacta! Há metástases no fígado, no pulmão... a respiração é ofegante... já lá vão 5 semanas...
Diariamente desloco-me a casa da D. Maria, duas ou três vezes: para dar medicação, para cuidar daquela barriga... para falar com ela, para dar o apoio possível ao marido que tenta fazer o que sabe e o que pode. O sofrimento? É grande... de todos!
Mas eu sou enfermeira: não é suposto que me seja difícil ver sofrimento dos outros!
Tudo se torna mais difícil quando estou a sós com a D. Maria, que me agarra na mão e me pede insistentemente... que termine com a vida dela! Os apelos são cada vez mais frequentes, mais desesperados: 'Por favor! Se tem compaixão de mim, injecte-me qualquer coisa para terminar de vez com esta agonia! Pela sua felicidade, por favor, acabe com a minha vida...'
E eu tenho compaixão... mas nada posso fazer! A dor não se consegue controlar, é impossível cuidar dela sem lhe provocar ainda mais dores? O que faz uma enfermeira? Vai-se embora, para casa, a sentir-se inútil... A sentir-se incapaz... Ao ouvir repetidamente aquele apelo... e a desejar, embora lhe custe muito, que a eutanásia fosse possível! Mas, se fosse possível... e a praticasse, como iria para casa?
Mas para quê falar disto?... Os enfermeiros não têm sentimentos!
Saio dali, continuo o meu trabalho domiciliário: agora entro numa barraca, onde chove dentro, onde há ratos, pulgas, lixo... onde o cheiro nos faz perder o apetite...
O Sr. José tem 87 anos e vive sozinho. Tem uma úlcera varicosa. Tenho que fazer o penso. Não há água... nem sequer as mãos posso lavar. Passo-as por álcool à saída e lavo-as na casa do próximo utente.Chove desalmadamente. Volto para o carro, pelo meio da lama. Carrego as malas do material para os cuidados.
Mas para quê falar disto?... A minha profissão não é penosa!...
Próxima paragem: D. Joaquina, 92 anos, vive numas águas furtadas, 5ºandar, sem elevador. Subo as escadas de madeira, apodrecidas,obscuras, com medo que alguma tábua se parta. Carrego com as malas do material...
A D. Joaquina vive com uma irmã, naquele espaço exíguo. Teve uma trombose.Tem úlceras de pressão. O tecto é baixo, inclinado, a cama está encostada à parede. Para lhe prestar cuidados tenho que me pôr de joelhos no chão e ficar inclinada.
Quando me tento endireitar as minhas costas doem... tenho as pernas dormentes... pego nas malas, desço as escadas... continua a chover...procuro o carro que tive que estacionar a 500 metros!
Mas, para quê falar disso? Os enfermeiros não se queixam...
Próximo desafio: a Helena! Toxicodependente... tem SIDA, continua a consumir... com sorte, ainda lá encontro o traficante em casa... mas as enfermeiras não têm medo!
Continuo: o Sr. Manuel é diabético, divorciado, tem 50 anos, foi amputado de uma perna, vive sozinho num 3º andar. Há 2 anos que não sai de casa: como fazer? Das poucas pessoas, com quem convive, são as enfermeiras! Precisa de conversar... como lhe dizer que ainda tenho mais 4, ou 8 pessoas e que não tenho tempo para estar ali a ouvi-lo?
Mas para quê falar disso? Os enfermeiros só dão injecções e fazem pensos... tudo o resto é supérfluo!
Para quê falar da solidão do outro, da minha impotência, do pedido da eutanásia, da chuva, do frio, do sol, do calor, do mau cheiro, das minhas dores nas pernas, do material do penso a conspurcar o meu carro (a seguir vou buscar a minha filha à escola!), das dores nas costas,do medo, da insegurança, do ventre desfeito, da tristeza, da compaixão...
Não, a penosidade e o risco devem ser uma ilusão minha...
Não, as enfermeiras não choram!
Mas sabem?... as lágrimas que mais doem são aquelas que não correm!'
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Da pena de lousa ao Magalhães
Hoje, bombardeado pelas referências noticiosas ao Magalhães, o computador para os miúdos da primária, dei comigo a recordar os tempos da minha escola primária e a evolução dos meios de escrita e de cálculo desde aí.
Sim, porque continuo a afirmar que o computador é uma ferramenta, como a esferográfica, que pode ser benéfico ou maléfico conforme o uso que se fizer dele. Não faz milagres nem substitui o professor.
Mas entrando nas recordações, quando entrei para a primária, em 1953, as escolas também não tinham aquecimento nem espaços desportivos, nem transportes, nem cantina, só que ninguém as fechava por causa disso. Escrevia-se nos cadernos e nas provas (havia várias sem que ficássemos psicologicamente afectados) com canetas de molhar no tinteiro, que fazia parte da carteira de madeira. As coisas temporárias de acompanhamento das aulas (principalmente contas) faziam-se num pequeno quadro de ardósia- a lousa -, onde se escrevia com um pedaço do mesmo material - a pena de lousa -, sendo que duas custavam 1 tostão.
Reprovava-se (ficava-se retido) em todas as classes, só se avançando se se soubesse mesmo a matéria.
Passado para o liceu, em 1956, já se escrevia com caneta de tinta permanente, o que nos conferia um ar "importante".
Quando, talvez por 1958, apareceu a esferográfica, foi considerada objecto pernicioso, sendo proibida nos pontos (testes), exames e documentos oficiais. Todos estes escritos tinham de ser feitos a tinta líquida azul. O regime abominava "modernices". Não obrigarem à pena de pato, já era um grande salto tecnológico e demonstração de modernidade!
Mais tarde, 1963, no ensino superior, já se podia utilizar a régua de cálculo, ferramenta utilíssima e bastante rápida para a realização de cálculos complexos. Nessa época, um computador ocupava um andar e não tinha maior capacidade que a mais barata das nossas calculadoras de bolso actuais. Não se vendiam. As empresas de informática - IBM, NCR - alugavam-nos aos bancos e outras empresas do género.
Hoje, nas discussões e comentários sobre o assunto, ainda lá estavam os que consideram o computador pernicioso - já aceitaram a esferográfica! - e causador de os meninos não saberem nada. Outros, no extremo oposto e com a mesma dose de ignorância, acham que ficam resolvidos todos os problemas da educação. Como se a ferramenta ensinasse alguém a trabalhar!
Se queremos formar os jovens para o futuro, claro que temos de os habituar a utilizar os meios do mundo moderno, o que não impede, pelo contrário, que saibam fazer os cálculos e a escrita de modo manual, até para programarem o computador.
Benvindo, Magalhães!
Sim, porque continuo a afirmar que o computador é uma ferramenta, como a esferográfica, que pode ser benéfico ou maléfico conforme o uso que se fizer dele. Não faz milagres nem substitui o professor.
Mas entrando nas recordações, quando entrei para a primária, em 1953, as escolas também não tinham aquecimento nem espaços desportivos, nem transportes, nem cantina, só que ninguém as fechava por causa disso. Escrevia-se nos cadernos e nas provas (havia várias sem que ficássemos psicologicamente afectados) com canetas de molhar no tinteiro, que fazia parte da carteira de madeira. As coisas temporárias de acompanhamento das aulas (principalmente contas) faziam-se num pequeno quadro de ardósia- a lousa -, onde se escrevia com um pedaço do mesmo material - a pena de lousa -, sendo que duas custavam 1 tostão.
Reprovava-se (ficava-se retido) em todas as classes, só se avançando se se soubesse mesmo a matéria.
Passado para o liceu, em 1956, já se escrevia com caneta de tinta permanente, o que nos conferia um ar "importante".
Quando, talvez por 1958, apareceu a esferográfica, foi considerada objecto pernicioso, sendo proibida nos pontos (testes), exames e documentos oficiais. Todos estes escritos tinham de ser feitos a tinta líquida azul. O regime abominava "modernices". Não obrigarem à pena de pato, já era um grande salto tecnológico e demonstração de modernidade!
Mais tarde, 1963, no ensino superior, já se podia utilizar a régua de cálculo, ferramenta utilíssima e bastante rápida para a realização de cálculos complexos. Nessa época, um computador ocupava um andar e não tinha maior capacidade que a mais barata das nossas calculadoras de bolso actuais. Não se vendiam. As empresas de informática - IBM, NCR - alugavam-nos aos bancos e outras empresas do género.
Hoje, nas discussões e comentários sobre o assunto, ainda lá estavam os que consideram o computador pernicioso - já aceitaram a esferográfica! - e causador de os meninos não saberem nada. Outros, no extremo oposto e com a mesma dose de ignorância, acham que ficam resolvidos todos os problemas da educação. Como se a ferramenta ensinasse alguém a trabalhar!
Se queremos formar os jovens para o futuro, claro que temos de os habituar a utilizar os meios do mundo moderno, o que não impede, pelo contrário, que saibam fazer os cálculos e a escrita de modo manual, até para programarem o computador.
Benvindo, Magalhães!
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Há cada explicação....
Há dias, a propósito da polémica das grandes melhorias na performance do ensino, que alguns ligaram ao "aconselhamento" aos professores para que não houvesse retenções (agora não se chama chumbo por razões ecológicas relacionadas com a nocividade dos metais pesados...), um senhor ministro, que se intitulou professor catedrático, veio negar quaisquer interferências do governo em tais matérias, mas defender o fim das retenções.
Dizia o senhor ministro haver um estudo que demonstrava que os alunos que estavam num ano escolar correspondente à sua idade eram melhores alunos que aqueles que estavam num ano escolar atrasado em relação à idade, concluindo-se que os segundos não eram bons alunos por terem sido retidos, colocando-os em anos atrasados.
BRILHANTE!!!!! Os alunos que estão em anos escolares correspondentes à sua idade não estão lá por serem bons alunos. São bons alunos porque estão lá!!!!!
Concluía o senhor ministro que, se evitássemos as retenções, colocando todos os alunos nos anos correspondentes à sua idade, acabaríamos com o insucesso escolar. Notável!!!
Seguindo o raciocínio do senhor ministro, se dermos a um licenciado em direito um certificado de doutoramento em física nuclear, corremos o risco de ter um prémio Nobel da física.
Para ajudar a dar-nos um nó na inteligência, vêm agora os senhores das petrolíferas explicar que os combustíveis aumentaram imediata e brutalmente devido ao aumento dos preços do petróleo, sendo irrelevante para o caso a queda livre do dólar em relação ao euro. Já quando os preços do petróleo baixam drasticamente, os combustíveis não podem baixar imediatamente devido à pequena subida do dólar em relação ao euro.
Então em que ficamos? A fórmula só funciona num sentido? A relação euro-dólar só é relevante para baixar os preços?
Para rematar as explicações esfarrapadas, parece que o governo não quer considerar na carreira de técnicos superiores (licenciados) os enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica, cujos cursos são de licenciatura.
Porquê? Será por causa do título genérico de "doutor", usado abusivamente pelos licenciados em geral? Depois haveria confusões com os médicos, farmacêuticos e outros? Então e o "respeitinho"?
Será que há licenciaturas de 1.ª e de 2.ª?
Desculpem estes desabafos, mas tenho a sensação de que, ou me andam a tentar vigarizar ou estou atacado com o síndroma da PDI.
Dizia o senhor ministro haver um estudo que demonstrava que os alunos que estavam num ano escolar correspondente à sua idade eram melhores alunos que aqueles que estavam num ano escolar atrasado em relação à idade, concluindo-se que os segundos não eram bons alunos por terem sido retidos, colocando-os em anos atrasados.
BRILHANTE!!!!! Os alunos que estão em anos escolares correspondentes à sua idade não estão lá por serem bons alunos. São bons alunos porque estão lá!!!!!
Concluía o senhor ministro que, se evitássemos as retenções, colocando todos os alunos nos anos correspondentes à sua idade, acabaríamos com o insucesso escolar. Notável!!!
Seguindo o raciocínio do senhor ministro, se dermos a um licenciado em direito um certificado de doutoramento em física nuclear, corremos o risco de ter um prémio Nobel da física.
Para ajudar a dar-nos um nó na inteligência, vêm agora os senhores das petrolíferas explicar que os combustíveis aumentaram imediata e brutalmente devido ao aumento dos preços do petróleo, sendo irrelevante para o caso a queda livre do dólar em relação ao euro. Já quando os preços do petróleo baixam drasticamente, os combustíveis não podem baixar imediatamente devido à pequena subida do dólar em relação ao euro.
Então em que ficamos? A fórmula só funciona num sentido? A relação euro-dólar só é relevante para baixar os preços?
Para rematar as explicações esfarrapadas, parece que o governo não quer considerar na carreira de técnicos superiores (licenciados) os enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica, cujos cursos são de licenciatura.
Porquê? Será por causa do título genérico de "doutor", usado abusivamente pelos licenciados em geral? Depois haveria confusões com os médicos, farmacêuticos e outros? Então e o "respeitinho"?
Será que há licenciaturas de 1.ª e de 2.ª?
Desculpem estes desabafos, mas tenho a sensação de que, ou me andam a tentar vigarizar ou estou atacado com o síndroma da PDI.
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