terça-feira, 15 de julho de 2008

Despiques pacíficos

Enquanto num bairro de Loures se desenrolava um conflito de que tivemos as tristes notícias que pontificam na comunicação social, eu assistia a um outro saudável conflito, que há uns séculos seria mais grave que o de Loures, mas que hoje, felizmente, é de natureza oposta.

Era dia de feira em Vila Nova de Cerveira e a vila estava cheia de espanhóis, pois é a feira mais próxima para os lugares do outro lado do rio Minho. Depois de almoço, tomavam digestivos nas esplanadas e mitigavam o calor com umas cervejolas.

No interior de um dos cafés, um moço tocava modas do lado de cá do Minho num acordeon. Quando acabava uma moda, respondiam os espanhóis da esplanada com uma canção galega em coro. Como as gargantas estavam bem lavadas, o coro saía afinadinho.

E lá continuaram pela tarde fora naquele saudável "conflito".

Bem sei que não há problemas étnicos, porque o povo é o mesmo, embora pertença a paízes diferentes, mas que é um bom exemplo, lá isso é!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Exemplos...

Esta noite fui alertado pela notícia de que a um reformado da Força Aérea que tinha reclamado sobre os Serviços de Saúde daquele ramo das Forças Armadas, foi respondido que os Serviços de Saúde eram preferencialmente para os elementos do activo e só depois para os reformados.

Ou seja: um militar que deu o melhor de dezenas de anos da sua vida à instituição militar e ao país é relegado como um trapo velho para a caixa das inutilidades, talvez em nome da eficiência de gestão, da moral desta sociedade de "sucesso" e outras baboseiras que nos impingem todos os dias.

Mal vai um país que trata assim aqueles que lhe deram o seu melhor!

O indivíduo que deu tal resposta, a que não chamo "senhor" por respeito a muitos SENHORES que conheço, esquece-se que, se lá chegar, vai para a mesma situação, onde certamente os do "activo" o tratarão, merecidamente, como eu não trato um cão.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sociedade de sucesso

O noticiário das 13 horas de hoje, da SIC, mostrou um vídeo de câmara de vigilância de uma cidade dos EUA, onde se vê um homem ser atropelado por dois carros, à vista de muitos passantes que não fazem um gesto para ajudar, o mesmo acontecendo com os ocupantes de vários carros que continuam a passar.

Revoltante, mas esclarecedor exemplo do individualista "american way of life", que nos estão a impingir desde os governos do prof. Cavaco, com a designação de "sociedade de sucesso".

Infelizmente caso semelhante já aconteceu em Lisboa com um cidadão romeno.

Se para ter sucesso é necessário perder qualquer resquício de solidariedade, esquecer a camaradagem e entrar no vale-tudo, no momento de escolher, se ainda for possível votar, EU VOTO CONTRA!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Cartel nos combustíveis?

Ontem fomos brindados com as conclusões de mais uma comissão de inquérito, não sei se "científica", sobre a cartelização, ou não, dos preços dos combustíveis.

A conclusão foi de que não há evidências de combinação de preços, embora haja alguns paralelismos.

Claro que houve logo aqueles mal intencionados que sublinharam as conclusões com uma sonora gargalhada.

Não vejo razões para duvidar e passo a explicar:
  • Não houve evidência de concertação de preços, porque as empresas petrolíferas não lavraram um acordo nesse sentido, com assinaturas reconhecidas notarialmente, o que certamente aconteceria em caso de cartelização;
  • Os paralelismos são certamente devidos ao facto de os gestores das petrolíferas terem frequentado as mesmas universidades (seriam as tais...?), com os mesmos professores, o que os levou a tomar soluções semelhantes nos valores e no tempo.

Qual é a admiração?

Como fica demonstrado, com boa-fé tudo se explica, até aquela brilhante e lapalissiana conclusão de os nossos impostos não serem altos; os espanhóis é que são humilhantemente baixos.

Os espanhóis devem estar envergonhadíssimos!!!!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pena de morte

A notícia http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=95024, que ilustra bem a irreparabilidade de um erro judicial, em caso de aplicação da pena de morte, é mais um trunfo irrefutável contra tão primitiva e hedionda forma de "justiça".

Muito embora a aplicação da pena de morte e da pena de Talião tenham sido práticas ao longo de vários séculos, até por povos que se diziam defensores da Fé Cristã, incluindo a própria Igreja, não há dúvida de que contrariam e ofendem gravemente a doutrina libertadora de Cristo.

Ninguém tem o direito de tirar deliberadamente a vida a um ser humano. É punir um suposto crime com outro!

Por outro lado, onde está o castigo em acabar com o sofrimento do condenado?

Se querem um castigo exemplar para quem se considera irrecuperável (acredito que os há), têm o recurso a prisão por longo tempo com trabalhos forçados. Isso tira a vontade de voltar à prisão e serve de exemplo aos outros.

sábado, 17 de maio de 2008

Fumaças e notícias

Todos os órgãos de comunicação gastaram enormes espaços de página e tempos de emissão com a notícia de umas fumaças do sr. Primeiro-Ministro num avião fretado, querendo salientar a evidente incoerência do mesmo senhor como legislador e como (não) cumpridor da mesma lei.

Oh senhores jornalistas! Então a incoerência dos políticos agora também é notícia? Tinha a ideia de que notícia era só o que saía da normalidade, tipo "o homem mordeu o cão".

Vou dar exemplos do que poderia ser notícia:
  • A legislação de higiene e segurança no trabalho está a ser escrupulosamente aplicada em todos os organismos do Estado, incluindo forças armadas e de segurança;
  • Na ASAE há alguns elementos que pensam;
  • Nos tribunais está a ser aplicada Justiça, para além do simples Direito.

Outro bom exemplo de não noticiar factos normais:

Um senhor, presidente de um clube de futebol que, tendo um grande nome, vai participar na Champions League na realidade virtual, acompanhado de um capanga agrediram barbaramente um cidadão no interior de uma agência bancária.

A notícia foi dada por 2 jornais, não tendo tido importância de publicação nos restantes órgãos de comunicação social. Correcto! Atendendo à pessoa que é, nada de anormal que mereça notícia. Foi o cão que mordeu no homem.

Já se fosse o presidente de qualquer outro clube dos chamados grandes, o facto teria honras de abertura de telejornais. Correctíssimo! Nesse caso tratava-se de uma anormalidade, já que não se trata de gente do mesmo jaez.

Perceberam a diferença?

terça-feira, 13 de maio de 2008

Os dicionários da droga

Ontem, 12 de Maio, a rubrica Frente-a-Frente do Jornal das Nove da SIC-Notícias, apresentou um interessante debate entre os deputados prof. Fernando Rosas, pela esquerda, e dr.ª Teresa Caeiro, pela direita.

A dr. Teresa Caeiro mostrou-se escandalizada com a publicação num site do IDT (http://www.tu-alinhas.pt/InfantoJuvenil/displayconteudo.do2?numero=19221) de dicionários referentes ao calão actual relacionado com a droga, interpretando essa publicação com um incentivo ao consumo.

Eu, que nem sonhava com a existência de tais dicionários, não resisti a uma visita. Agradeço ao IDT a possibilidade de actualização do vocabulário. É que, para compreendermos o mundo que nos rodeia temos que compreender a sua linguagem e confesso que já estou um pouco desactualizado!

Não vejo dramatismo algum na publicação daqueles dicionários, que não são diferentes do que seriam os de gíria médica ou dos dialectos Patuá ou Minderico: um contributo para a cultura.

A discussão caiu depois nos métodos de luta contra a droga, com as posições que são conhecidas dos dois interlocutores. A direita defende o processo repressivo do consumo, enquanto a esquerda tem uma posição mais moderada.

A meu ver, o caminho seria o seguinte:
  1. Porque há incentivos ao consumo de drogas? Porque é um bom negócio.
  2. Então o caminho não é reprimir os consumidores, vítimas do processo, mas estragar o negócio. Aqui começa o problema. É que grande parte da economia, não só nacional, mas mundial, passa pelo tráfico de droga e quem domina a economia domina o mundo.
  3. Para estragar o negócio, poderia aproveitar-se a ideia das "casas de chuto", com fornecimento gratuito de droga e tratamento para os viciados. Se a droga é gratuita estraga-se o negócio. Ao mesmo tempo atraem-se os doentes para processos de tratamento.
  4. Quanto aos traficantes, agravamento das penas e diminuição das garantias de defesa. Com o fim do campo de tiro de Alcochete, a Força Aérea podia treinar nas lanchas rápidas dos traficantes. Só se perdem as que caírem no mar!