terça-feira, 15 de julho de 2008
Despiques pacíficos
Era dia de feira em Vila Nova de Cerveira e a vila estava cheia de espanhóis, pois é a feira mais próxima para os lugares do outro lado do rio Minho. Depois de almoço, tomavam digestivos nas esplanadas e mitigavam o calor com umas cervejolas.
No interior de um dos cafés, um moço tocava modas do lado de cá do Minho num acordeon. Quando acabava uma moda, respondiam os espanhóis da esplanada com uma canção galega em coro. Como as gargantas estavam bem lavadas, o coro saía afinadinho.
E lá continuaram pela tarde fora naquele saudável "conflito".
Bem sei que não há problemas étnicos, porque o povo é o mesmo, embora pertença a paízes diferentes, mas que é um bom exemplo, lá isso é!
terça-feira, 24 de junho de 2008
Exemplos...
Ou seja: um militar que deu o melhor de dezenas de anos da sua vida à instituição militar e ao país é relegado como um trapo velho para a caixa das inutilidades, talvez em nome da eficiência de gestão, da moral desta sociedade de "sucesso" e outras baboseiras que nos impingem todos os dias.
Mal vai um país que trata assim aqueles que lhe deram o seu melhor!
O indivíduo que deu tal resposta, a que não chamo "senhor" por respeito a muitos SENHORES que conheço, esquece-se que, se lá chegar, vai para a mesma situação, onde certamente os do "activo" o tratarão, merecidamente, como eu não trato um cão.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Sociedade de sucesso
Revoltante, mas esclarecedor exemplo do individualista "american way of life", que nos estão a impingir desde os governos do prof. Cavaco, com a designação de "sociedade de sucesso".
Infelizmente caso semelhante já aconteceu em Lisboa com um cidadão romeno.
Se para ter sucesso é necessário perder qualquer resquício de solidariedade, esquecer a camaradagem e entrar no vale-tudo, no momento de escolher, se ainda for possível votar, EU VOTO CONTRA!
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Cartel nos combustíveis?
A conclusão foi de que não há evidências de combinação de preços, embora haja alguns paralelismos.
Claro que houve logo aqueles mal intencionados que sublinharam as conclusões com uma sonora gargalhada.
Não vejo razões para duvidar e passo a explicar:
- Não houve evidência de concertação de preços, porque as empresas petrolíferas não lavraram um acordo nesse sentido, com assinaturas reconhecidas notarialmente, o que certamente aconteceria em caso de cartelização;
- Os paralelismos são certamente devidos ao facto de os gestores das petrolíferas terem frequentado as mesmas universidades (seriam as tais...?), com os mesmos professores, o que os levou a tomar soluções semelhantes nos valores e no tempo.
Qual é a admiração?
Como fica demonstrado, com boa-fé tudo se explica, até aquela brilhante e lapalissiana conclusão de os nossos impostos não serem altos; os espanhóis é que são humilhantemente baixos.
Os espanhóis devem estar envergonhadíssimos!!!!
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Pena de morte
Muito embora a aplicação da pena de morte e da pena de Talião tenham sido práticas ao longo de vários séculos, até por povos que se diziam defensores da Fé Cristã, incluindo a própria Igreja, não há dúvida de que contrariam e ofendem gravemente a doutrina libertadora de Cristo.
Ninguém tem o direito de tirar deliberadamente a vida a um ser humano. É punir um suposto crime com outro!
Por outro lado, onde está o castigo em acabar com o sofrimento do condenado?
Se querem um castigo exemplar para quem se considera irrecuperável (acredito que os há), têm o recurso a prisão por longo tempo com trabalhos forçados. Isso tira a vontade de voltar à prisão e serve de exemplo aos outros.
sábado, 17 de maio de 2008
Fumaças e notícias
Oh senhores jornalistas! Então a incoerência dos políticos agora também é notícia? Tinha a ideia de que notícia era só o que saía da normalidade, tipo "o homem mordeu o cão".
Vou dar exemplos do que poderia ser notícia:
- A legislação de higiene e segurança no trabalho está a ser escrupulosamente aplicada em todos os organismos do Estado, incluindo forças armadas e de segurança;
- Na ASAE há alguns elementos que pensam;
- Nos tribunais está a ser aplicada Justiça, para além do simples Direito.
Outro bom exemplo de não noticiar factos normais:
Um senhor, presidente de um clube de futebol que, tendo um grande nome, vai participar na Champions League na realidade virtual, acompanhado de um capanga agrediram barbaramente um cidadão no interior de uma agência bancária.
A notícia foi dada por 2 jornais, não tendo tido importância de publicação nos restantes órgãos de comunicação social. Correcto! Atendendo à pessoa que é, nada de anormal que mereça notícia. Foi o cão que mordeu no homem.
Já se fosse o presidente de qualquer outro clube dos chamados grandes, o facto teria honras de abertura de telejornais. Correctíssimo! Nesse caso tratava-se de uma anormalidade, já que não se trata de gente do mesmo jaez.
Perceberam a diferença?
terça-feira, 13 de maio de 2008
Os dicionários da droga
A dr. Teresa Caeiro mostrou-se escandalizada com a publicação num site do IDT (http://www.tu-alinhas.pt/InfantoJuvenil/displayconteudo.do2?numero=19221) de dicionários referentes ao calão actual relacionado com a droga, interpretando essa publicação com um incentivo ao consumo.
Eu, que nem sonhava com a existência de tais dicionários, não resisti a uma visita. Agradeço ao IDT a possibilidade de actualização do vocabulário. É que, para compreendermos o mundo que nos rodeia temos que compreender a sua linguagem e confesso que já estou um pouco desactualizado!
Não vejo dramatismo algum na publicação daqueles dicionários, que não são diferentes do que seriam os de gíria médica ou dos dialectos Patuá ou Minderico: um contributo para a cultura.
A discussão caiu depois nos métodos de luta contra a droga, com as posições que são conhecidas dos dois interlocutores. A direita defende o processo repressivo do consumo, enquanto a esquerda tem uma posição mais moderada.
A meu ver, o caminho seria o seguinte:
- Porque há incentivos ao consumo de drogas? Porque é um bom negócio.
- Então o caminho não é reprimir os consumidores, vítimas do processo, mas estragar o negócio. Aqui começa o problema. É que grande parte da economia, não só nacional, mas mundial, passa pelo tráfico de droga e quem domina a economia domina o mundo.
- Para estragar o negócio, poderia aproveitar-se a ideia das "casas de chuto", com fornecimento gratuito de droga e tratamento para os viciados. Se a droga é gratuita estraga-se o negócio. Ao mesmo tempo atraem-se os doentes para processos de tratamento.
- Quanto aos traficantes, agravamento das penas e diminuição das garantias de defesa. Com o fim do campo de tiro de Alcochete, a Força Aérea podia treinar nas lanchas rápidas dos traficantes. Só se perdem as que caírem no mar!
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Correcção
Estranhando não ser aumentado até Abril, fui ao site da C.G.A., onde li a legislação o concluí que afinal o meu aumento este ano é zero, nada, népias, a ponta dum corno.
Vi ainda que não se trata de um decreto-lei, da responsabilidade do governo, mas de uma lei, da responsabilidade da Assembleia da República, dos tais senhores a que bastam 12 anos de trabalho para terem a reforma por inteiro.
Agradeço-lhes muito o terem estabelecido que os pensionistas e reformados só têm aumento a partir do segundo ano após a aposentação e, mesmo assim, com um processo tão complicado que depende dos valores de inflação e PIB que o governo queira publicar e, ainda assim, se não prejudicar o princípio da estabilidade orçamental, o que se poderá arguir a qualquer momento....
Assim, não só terei um desconto mais substancial nos meus pecados, como me arrisco mesmo à santidade!
Queria agradecer pessoalmente, mas não sei quem foi a mente iluminada (eu não disse o cabrão!) que teve a ideia....
Publico o link do site da C.G.A. para que não haja dúvidas....
http://www.cga.pt/FAQ_Aumentos_2008.pdf
terça-feira, 29 de abril de 2008
Moralidades...
Esta afirmação pode significar que a moral fica cativa da vontade dos legisladores, o que pode resvalar perigosamente para uma moral oficial, familiar próxima das "verdades oficiais", próprias de regimes que não são propriamente democráticos.
Poderá ainda querer dizer que a moral se esgota estritamente na lei, isto é, que só o que está na lei é moral e que tudo o que está na lei é moral.
Ora vejamos exemplos:
- Um agente da PSP ou da GNR persegue um criminoso e tem um acidente com a viatura. É sabido que é responsável pelos danos causados, uma vez que as viaturas das forças de segurança não têm seguro. Poderá ser muito legal, mas será minimamente moral?
- O Estado, por interpostos institutos "autónomos", expropria terrenos para construção de auto-estradas e outros PIN e não paga atempadamente aos expropriados, a quem foi imposta a expropriação, ordenando até cargas policiais contra os que se opõem à ocupação. Será isto legal? Moral não é certamente!
- Ouviu-se há dias a história de um cidadão a quem foi comunicado pelo tribunal que teria de pagar as custas de um processo de reivindicação de paternidade movido contra ele por um outro indivíduo e relativamente a uma criança de 4 anos que julgava ser sua filha e de sua mulher. Tinha-se demonstrado que a filha era do outro. Como o outro ganhou o processo, concluiu-se que ele o perdeu e, portanto, teve de pagar as custas. Pode ser muito legal, mas não me parece que seja muito moral.
Temos que a diferença entre lei e moral é a mesma que existe entre direito e justiça. Nada de confusões!
Quanto a moralidades e verdades oficiais, faço minhas as palavras do José Mário Branco: Nesse peditório o pessoal já deu!
terça-feira, 22 de abril de 2008
Finalmente uma alternativa!
Do lado da oposição, o dr. Menezes, contrariamente aos seus antecessores, também não regateia demonstrações de carinho pelos funcionários públicos, tendo até apoiado a manifestação dos professores.
Claro que é esta situação a causa de todos os males do país.
Não desanimem, que vem aí a alternativa! A dr.ª Manuela vai concorrer a líder da oposição e, consequentemente a chefe do governo. Essa sim! Como ministra das Finanças desancou nos funcionários públicos e, como ministra da Educação, dizia não falar com professores nem com alunos.
Finalmente vai ser posta na ordem a cambada dos funcionários e a chusma dos professores.
Chamam alternativa a cada coisa!....
terça-feira, 8 de abril de 2008
Tenho vergonha....
Lembra-me de, em Janeiro passado e durante uma cimeira luso-espanhola em Braga, o sr. primeiro-ministro, com ar de muito admirado, ter considerado essa situação inadmissível e que iria legislar devidamente na próxima reunião do governo. Disse e cumpriu. No comunicado do Conselho de Ministros lá estava a anulação da medida.
Ficámos todos muito convencidos de que as multas tinham acabado.
A notícia de hoje diz-nos que, para além de as multas se manterem, a GNR faz "emboscadas" nos acessos aos hospitais para apanhar os "infractores".
Ficámos ainda a saber que a resolução foi para a Assembleia da República, onde não se sabe quando será discutida.
Não culpo a GNR por, na qualidade de força militar, fazer emboscadas para melhor neutralizar o "inimigo".
Que o respeito pela palavra dada e contratos feitos não tem qualquer valor para alguns políticos, sabem-no sobejamente os funcionários públicos, que o sentiram na carne.
No entanto, num contexto internacional, era de esperar que se suspendesse imediatamente a aplicação da norma e se envidassem todos os esforços para cumprir a palavra dada.
Como vejo que os exemplos internacionais de gente séria como Egas Moniz de Ribadouro ou Afonso de Albuquerque não são seguidos, venho declarar ter vergonha dos políticos do meu país e pedir desculpa aos profissionais espanhóis.
domingo, 6 de abril de 2008
Campeões da gestão
Os que não têm capacidades para perceber porquê, inventam logo mil argumentos do seu cardápio de actuações, desde corrupção da arbitragem, a compadrios políticos, a Carolinas, a Marias, cafés com leite e outras especialidades de cafetaria, não conseguindo chegar ao obviamente principal - boa gestão.
Vê-se de facto em campo uma EQUIPA, sem constelações estelares, mas onde todos jogam com todos e para todos, isto é, cada um sabe exactamente o que anda lá a fazer, bem como os papéis dos outros. A isto chama-se ORGANIZAÇÃO!
Qualquer empresa, começando pelo Estado, que trabalhe nos mesmos moldes, só poderá ter êxito, mesmo sem recurso aos iluminados "excelentes", que muitas vezes desaparecem quando falta a "luz", leia-se cobertura dos padrinhos políticos.
Estamos pois, como é evidente há muitos anos, perante um caso de êxito por boa gestão.
Não percam tempo a culpá-los. Basta imitá-los!
Parabéns aos CAMPEÕES!
domingo, 30 de março de 2008
O engenheiro do hospital
Do pouco que conhecia dos hospitais só sabia da existência de uns senhores e senhoras de bata branca e que tratavam da saúde à gente. Não via a ligação das engenharias a tal ambiente.
Como tinha de arranjar emprego, lá concorri e entrei. Só então é que encontrei as respostas à minha pergunta.
A pergunta perseguiu-me durante toda a vida profissional. Quando dizia a alguém que trabalhava num hospital, lá vinha a pergunta: Engenheiro num hospital?! A fazer o quê?!
Vou tentar explicar, até porque já encontrei pessoas ligadas aos Recursos Humanos do Ministério da Saúde (princípio da década de 1980) que não sabiam, embora estivessem a elaborar quadros de pessoal para hospitais.
No caso dos Hospital de S. João, trata-se de um edifício com milhares de portas, dezenas de quilómetros de canalizações eléctricas, de águas, de esgotos, de gases medicinais, milhares de aparelhos de toda a ordem, desde os enormes aparelhos de raios X ao agrafador da secretaria. Alguém tem de tratar daquilo tudo! Terá de haver uma equipa técnica, onde cabe sem dúvida a função de engenheiro. Nos hospitais mais pequenos, tudo se mantém, evidentemente na sua devida escala.
Dizia o Prof. Eng.º Eduardo Caetano, autoridade mundial no assunto, que o funcionamento do hospital assenta em 4 "pilares": o pessoal, o material (de consumo), as instalações e os equipamentos, considerando-se instalações o edifício e tudo que lhe é solidário e equipamentos todos os artefactos que se ligam, ou não, às instalações.
Temos portanto que caberá à equipa técnica tratar de 2 dos 4 "pilares" do hospital: das instalações e dos equipamentos.
Para tal existe um serviço que tem exactamente esse nome - Serviço de Instalações e Equipamentos - cuja função é fazer a gestão e manutenção desses 2 "pilares".
Aqui começam os problemas com que os profissionais se debatem diariamente. É que se trata de uma função não existente expressamente na lei, Estatuto Hospitalar, cuja última actualização é de 1964, quando a realidade era muito diferente. Nessa altura falava-se muito vagamente de "manutenção do património", dependente dos Serviços de Aprovisionamentos e verdadeiramente um apêndice.
Era frequente, nos velhos hospitais da Misericórdia, que a função fosse exercida pelo jardineiro "jeitoso", não raramente semi-analfabeto.
Com a passagem dos hospitais das Misericórdias a públicos, decorrente do 25 de Abril, criaram-se em todos eles equipas técnicas com engenheiros, embora se mantivesse a omissão legal das respectivas funções, o que levou a que os engenheiros tivessem uma função fundamental nos hospitais - serem os culpados. Como não estão definidas as funções, não podem argumentar que qualquer problema não é com eles, desde a avaria de um equipamento até ao facto de a sopa estar fria... Logo, são os culpados!
Para além das funções de gestão da manutenção e exploração das instalações e dos equipamentos, cabem ainda ao engenheiro, sempre informalmente, funções de colaboração na escolha e aquisição de equipamentos, processos relacionados com obras, questões ambientais, etc....
Espero ter levantado um pouco o véu sob o qual estes funcionários têm vivido, numa profissão sem dúvida aliciante e exigente - estão a suportar vidas - , embora muitas vezes incompreendida, e deixo uma homenagem a todos esses meus colegas, esperando que tenha contribuído para o seu reconhecimento a nível dos restantes cidadãos.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Avaliações
A meu ver, avaliação é aquele acto através do qual analisamos a nossa actuação, ou a de outros, no sentido de determinarmos o que está bem, o que está menos bem e o que está errado, com vista a emendar o que esteja mal e menos bem para melhorar a actuação. Passada esta fase, a avaliação também pode servir para distribuir os avaliados numa tabela de mérito.
Este acto é tão importante para o desempenho profissional, que os cursos de enfermagem têm uma disciplina chamada "Prática Reflexiva", que trata de uma auto-avaliação contínua dos profissionais em todas as suas actuações.
Temos, portanto, que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.
Parece-me que o governo esqueceu o aspecto de valorização profissional da avaliação, para lhe dar só o aspecto de pontuar os avaliados para acções de promoção ou castigo. Trata-se de trocar um valor de ética profissional pela concorrência, sem dúvida mais actual. É como no futebol: não interessa se a equipa joga bem ou não; interessa é passar a eliminatória.
As televisões mostraram o porta-voz do P.S., dr. Vitalino Canas, perguntado se na reunião do partido tinham analisado o que tinha corrido mal nos 3 anos de governo, afirmar em jeito de quem nunca se engana e raramente tem dúvidas: - "Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal"!
Já tinhamos concluído que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.....
quinta-feira, 6 de março de 2008
Associações de ideias
A afirmação foi da senhora ministra, não foi da Ana Avoila. Ela lá saberá os meandros destas coisas!
A propósito de avaliações, foi hoje noticiado que um funcionário (desculpem, agora diz-se "trabalhadores do emprego público" - Lei 12-A/2008, de 27 de Fevereiro) que tenha duas classificações negativas será sujeito a uma acção de formação e, se não tiver aproveitamento, será objecto de inquérito e processo disciplinar tendente ao despedimento.
Lembrou-me o que se passou em Moçambique logo após a independência: quem não alinhasse activamente com os novos governantes, ia para um campo de reabilitação (trabalhos forçados). Se após o tratamento continuasse a não alinhar, era fuzilado.
Afinal os trabalhadores do emprego público não se podem queixar muito. Ainda não se fala em fuzilamentos!
Também foi hoje noticiado que passa a constituir falta grave o facto de um trabalhador não denunciar erros de um colega, o que poderá levar à situação do parágrafo anterior.
Lá me veio à ideia aquela cena dos colaboracionistas durante a guerra 39-45. Até o pai denunciavam!
Foi aí que percebi porque é que os dirigentes dos hospitais que passaram a S.A./E.P.E. começaram a tratar os funcionários por "colaboradores". Já deviam saber desta proposta!
A nossa cabeça faz cada associação!!!!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Upgrades à portuguesa
Na década de 1950 os comboios ainda tinham 3 classes - 1.ª, 2.ª e 3.ª - indicadas nas carruagens por 1, 2, 3 ou I, II, III (a chamada primeira entre parêntesis). A 1.ª classe tinha bastante conforto, com estofos macios e instalações sanitárias. A 2.ª tinha estofos mais duros, como os comboios urbanos actuais, e também instalações sanitárias, enquanto a 3.ª tinha bancos de madeira e, na maioria dos casos, não tinha instalações sanitárias.
Como apontamento sociológico, esta divisão dirigia-se às três grandes divisões da sociedade - classe alta, média e baixa - a ponto de, enquanto militares, os oficiais só poderem andar em 1.ª classe, os sargentos em 2.ª e as praças em 3.ª.
Nos anos 60, considerou-se que esta estrutura era digna de países primitivos e decidiu-se actualizar o país, acabando com a 3.ª classe. Claro que, com a nossa proverbial argúcia empresarial, não se atiraram as velhas carruagens para a sucata. Pintou-se um 2 ou apagou-se um I, onde estava um 3 ou um III, fazendo-se assim uma considerável melhoria (upgrade) na qualidade dos comboios e na vida dos portugueses.
Anos mais tarde, foi a febre da promoção de aldeias a vilas e de vilas a cidades. Em dezenas de casos, passou-se como nos comboios. Muitas dessas terras têm as mesmas condições - e cada vez menos - que anteriormente, mas somos um país tão desenvolvido, que quase não tem aldeias.
Agora, fala-se na "promoção" das pensões e motéis a hotéis. Claro que "pensão", é de país atrasado. E depois é de difícil tradução para os turistas. A designação é muito diferente da inglesa. Simplifica-se, e melhoram-se as condições (?) com o nome de "hotel".
O que temo é que se esteja a passar um processo semelhante com o ensino.
É que, o banco ser de madeira, a terra mudar de nome só porque se chamava Vila ou a chafarica chamar-se hotel, só é anedótico. Aldrabar no ensino é trágico para o futuro de todos nós.....
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
O carnaval do Porto
Comecei por almoçar na incortornável Travessa dos Congregados, onde tive a recordação duma tradição da casa dos meus pais, de que já não me lembrava: no carnaval come-se orelheira fumada com feijão branco. Claro que não resisti, nem às papas de sarrabulho (qualquer dia, lembram-se que ofendem as directivas da CE), rematando com um pudim francês bastante parecido com o que a minha mãe fazia.
Cumprida a primeira parte da tradição, lá fomos para a festa na Avenida. Uma peça de teatro, com actores e humor do Porto, talvez na linha da velha "Voz dos Ridículos". Um texto que o Gil Vicente não desdenharia de assinar! Actores com um desempenho que se via que era por gosto e não por "frete profissional". Gente bem disposta e que transmitia alegria à imensa plateia.
Demonstrou-se que um acto cultural não tem de ser chato nem elitista e que, para ser do agrado popular, não é necessário ser ordinário nem populista.
Parabéns aos autores, aos actores e aos organizadores!
Se para o ano houver mais, lá estarei...
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Jornalismo de investigação
Devo dizer que tenho pelo eng.º Sócrates a mesma consideração que ele teve por mim, na qualidade de funcionário e reformado: enganado, desprezado e altamente prejudicado. Só que fico com dores no fígado em presença da nacional-mesquinhice-cusquice.
O escrevente pode atacar o homem como político e, certamente, terá muito por onde....
Já que pretendem fazer jornalismo de investigação, podem começar por investigar as denúncias do sr. bastonário da Ordem dos Advogados e mais umas dicas que lhes deixo aqui.
Há um político que se diz ter fanado uma galinha, quando vivia numa república em Coimbra. Outro, que também estudou em Coimbra, apanhou uma homérica bebedeira no cortejo da queima das fitas. Outro ainda, este de Porto, andou "de gunas" no eléctrico, quando andava no liceu. Diz-se ainda que o Presidente não pagou um café que tomou, há 40 anos, em Portimão.
Para finalizar, uma "caixa" que pode valer o prémio Pulitzer: consta que o Papa se masturbou quando tinha 13 anos...
Boas investigações e... tenham vergonha!
sábado, 26 de janeiro de 2008
A montante de Alijó
Qualquer português que tenha ouvido as gravações, passadas na comunicação social, da conversa entre o call center do CODU do INEM e o telefonista dos bombeiros de Alijó, ficou estarrecido. Os habitantes das grandes cidades e desconhecedores do que se passa no restante país, certamente duvidaram estar-se a falar do Darfur ou dos confins do Afeganistão. Os que conhecem a triste realidade, só constataram que tudo continua como sempre...
A triste realidade é que, na maior parte do território nacional, a protecção civil e assistência pré-hospitalar estão entregues a voluntários, de inequívoca boa vontade, mas sem meios para resposta atempada e eficaz. Principalmente nos meses de verão pode ver-se a revoltante imagem dos bombeiros a fazerem barragem nas estradas aos carros, para pedirem uma "esmola" para comprar umas mangueiritas, pois as que têm estão podres, ou para substituir o UNIMOG oferecido pelo Estado, que já fez a guerra de África e foi oferecido aos bombeiros em vez de ser abatido. Andam aí muitos!
O Estado, que deveria cobrir as necessidades de protecção das populações, descansa nas boas vontades e altruísmo dos voluntários, que dão o físico, e não lhes dá os meios mínimos para actuarem. Uma vergonha!
Claro que os bombeiros de Alijó, como os outros voluntários, não têm possibilidades de manter uma equipa nocturna de resposta imediata. Os voluntários trabalham durante o dia e necessitam naturalmente da noite para descansar. Para ter uma equipa nocturna, teriam de lhes pagar, como é natural. Quem dá o dinheiro?
O voluntariado faz parte das nossas tradições e é um forte contributo para a coesão e sentido de identidade locais, mas deverá ser complementar de um sistema profissional de protecção das populações, obviamente pago pelo Estado. O sistema de Protecção Civil (chamem-lhe o que quiserem) deve ser uma força de segurança como qualquer outra e integrado em rede com todas as outras. Não estou a inventar nada. Em Macau, administração portuguesa, era assim.
Claro que a situação não é nova e escusam as carpideiras políticas do costume de vir chorar. Todos têm culpas!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Agradecimento
Vi que, como reformado, sou aumentado 1.65% enquanto os meus colegas do activo são aumentados 2.1%.
A princípio estranhei, mas, depois de pensar melhor, vi que o sr. primeiro-ministro me estava a dar uma oportunidade de fazer o BEM, contribuindo assim para o aumento dos meus créditos nas contas finais com o Criador.
Digo fazer o BEM, porque certamente a diferença entre o meu aumento de reforma e os fabulosos 2.1% dos meus colegas do activo, servirão para compensar a falta de contribuições daqueles pobres nomeados para as administrações de certas empresas públicas onde, por estatuto, entram logo a contar com 15 a 25 anos de descontos.
Também devo estar a contribuir para os vencimentos daqueles desgraçados que não sabem nem nunca fizeram a ponta dum corno, se filiaram num partido e são nomeados para altos cargos, onde exercem o que sempre fizeram.
Pode ainda dar-se o caso de estar a contribuir para a atribuição de um carrito de alta gama a algum nomeado que, devido ao baixíssimo vencimento, não pode andar no carro dele.
Por me ajudar a ter esta contribuição para a salvação da minha alma, muito obrigado sr. primeiro-ministro!
