quarta-feira, 4 de junho de 2008

Cartel nos combustíveis?

Ontem fomos brindados com as conclusões de mais uma comissão de inquérito, não sei se "científica", sobre a cartelização, ou não, dos preços dos combustíveis.

A conclusão foi de que não há evidências de combinação de preços, embora haja alguns paralelismos.

Claro que houve logo aqueles mal intencionados que sublinharam as conclusões com uma sonora gargalhada.

Não vejo razões para duvidar e passo a explicar:
  • Não houve evidência de concertação de preços, porque as empresas petrolíferas não lavraram um acordo nesse sentido, com assinaturas reconhecidas notarialmente, o que certamente aconteceria em caso de cartelização;
  • Os paralelismos são certamente devidos ao facto de os gestores das petrolíferas terem frequentado as mesmas universidades (seriam as tais...?), com os mesmos professores, o que os levou a tomar soluções semelhantes nos valores e no tempo.

Qual é a admiração?

Como fica demonstrado, com boa-fé tudo se explica, até aquela brilhante e lapalissiana conclusão de os nossos impostos não serem altos; os espanhóis é que são humilhantemente baixos.

Os espanhóis devem estar envergonhadíssimos!!!!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pena de morte

A notícia http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=95024, que ilustra bem a irreparabilidade de um erro judicial, em caso de aplicação da pena de morte, é mais um trunfo irrefutável contra tão primitiva e hedionda forma de "justiça".

Muito embora a aplicação da pena de morte e da pena de Talião tenham sido práticas ao longo de vários séculos, até por povos que se diziam defensores da Fé Cristã, incluindo a própria Igreja, não há dúvida de que contrariam e ofendem gravemente a doutrina libertadora de Cristo.

Ninguém tem o direito de tirar deliberadamente a vida a um ser humano. É punir um suposto crime com outro!

Por outro lado, onde está o castigo em acabar com o sofrimento do condenado?

Se querem um castigo exemplar para quem se considera irrecuperável (acredito que os há), têm o recurso a prisão por longo tempo com trabalhos forçados. Isso tira a vontade de voltar à prisão e serve de exemplo aos outros.

sábado, 17 de maio de 2008

Fumaças e notícias

Todos os órgãos de comunicação gastaram enormes espaços de página e tempos de emissão com a notícia de umas fumaças do sr. Primeiro-Ministro num avião fretado, querendo salientar a evidente incoerência do mesmo senhor como legislador e como (não) cumpridor da mesma lei.

Oh senhores jornalistas! Então a incoerência dos políticos agora também é notícia? Tinha a ideia de que notícia era só o que saía da normalidade, tipo "o homem mordeu o cão".

Vou dar exemplos do que poderia ser notícia:
  • A legislação de higiene e segurança no trabalho está a ser escrupulosamente aplicada em todos os organismos do Estado, incluindo forças armadas e de segurança;
  • Na ASAE há alguns elementos que pensam;
  • Nos tribunais está a ser aplicada Justiça, para além do simples Direito.

Outro bom exemplo de não noticiar factos normais:

Um senhor, presidente de um clube de futebol que, tendo um grande nome, vai participar na Champions League na realidade virtual, acompanhado de um capanga agrediram barbaramente um cidadão no interior de uma agência bancária.

A notícia foi dada por 2 jornais, não tendo tido importância de publicação nos restantes órgãos de comunicação social. Correcto! Atendendo à pessoa que é, nada de anormal que mereça notícia. Foi o cão que mordeu no homem.

Já se fosse o presidente de qualquer outro clube dos chamados grandes, o facto teria honras de abertura de telejornais. Correctíssimo! Nesse caso tratava-se de uma anormalidade, já que não se trata de gente do mesmo jaez.

Perceberam a diferença?

terça-feira, 13 de maio de 2008

Os dicionários da droga

Ontem, 12 de Maio, a rubrica Frente-a-Frente do Jornal das Nove da SIC-Notícias, apresentou um interessante debate entre os deputados prof. Fernando Rosas, pela esquerda, e dr.ª Teresa Caeiro, pela direita.

A dr. Teresa Caeiro mostrou-se escandalizada com a publicação num site do IDT (http://www.tu-alinhas.pt/InfantoJuvenil/displayconteudo.do2?numero=19221) de dicionários referentes ao calão actual relacionado com a droga, interpretando essa publicação com um incentivo ao consumo.

Eu, que nem sonhava com a existência de tais dicionários, não resisti a uma visita. Agradeço ao IDT a possibilidade de actualização do vocabulário. É que, para compreendermos o mundo que nos rodeia temos que compreender a sua linguagem e confesso que já estou um pouco desactualizado!

Não vejo dramatismo algum na publicação daqueles dicionários, que não são diferentes do que seriam os de gíria médica ou dos dialectos Patuá ou Minderico: um contributo para a cultura.

A discussão caiu depois nos métodos de luta contra a droga, com as posições que são conhecidas dos dois interlocutores. A direita defende o processo repressivo do consumo, enquanto a esquerda tem uma posição mais moderada.

A meu ver, o caminho seria o seguinte:
  1. Porque há incentivos ao consumo de drogas? Porque é um bom negócio.
  2. Então o caminho não é reprimir os consumidores, vítimas do processo, mas estragar o negócio. Aqui começa o problema. É que grande parte da economia, não só nacional, mas mundial, passa pelo tráfico de droga e quem domina a economia domina o mundo.
  3. Para estragar o negócio, poderia aproveitar-se a ideia das "casas de chuto", com fornecimento gratuito de droga e tratamento para os viciados. Se a droga é gratuita estraga-se o negócio. Ao mesmo tempo atraem-se os doentes para processos de tratamento.
  4. Quanto aos traficantes, agravamento das penas e diminuição das garantias de defesa. Com o fim do campo de tiro de Alcochete, a Força Aérea podia treinar nas lanchas rápidas dos traficantes. Só se perdem as que caírem no mar!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Correcção

No dia 10 de Janeiro escrevi um post a agradecer ao sr. Primeiro-Ministro o facto de só ter 1.65% de aumento, o que muito contribuiria para a salvação da minha alma.

Estranhando não ser aumentado até Abril, fui ao site da C.G.A., onde li a legislação o concluí que afinal o meu aumento este ano é zero, nada, népias, a ponta dum corno.

Vi ainda que não se trata de um decreto-lei, da responsabilidade do governo, mas de uma lei, da responsabilidade da Assembleia da República, dos tais senhores a que bastam 12 anos de trabalho para terem a reforma por inteiro.

Agradeço-lhes muito o terem estabelecido que os pensionistas e reformados só têm aumento a partir do segundo ano após a aposentação e, mesmo assim, com um processo tão complicado que depende dos valores de inflação e PIB que o governo queira publicar e, ainda assim, se não prejudicar o princípio da estabilidade orçamental, o que se poderá arguir a qualquer momento....

Assim, não só terei um desconto mais substancial nos meus pecados, como me arrisco mesmo à santidade!

Queria agradecer pessoalmente, mas não sei quem foi a mente iluminada (eu não disse o cabrão!) que teve a ideia....

Publico o link do site da C.G.A. para que não haja dúvidas....

http://www.cga.pt/FAQ_Aumentos_2008.pdf

terça-feira, 29 de abril de 2008

Moralidades...

Está na moda alguns políticos que se dizem herdeiros do anticlericalismo da 1.ª República afirmarem: "A moral da República é a Lei!" Como se a moral fosse exclusivo de determinada religião, em contraponto com a lei civil.

Esta afirmação pode significar que a moral fica cativa da vontade dos legisladores, o que pode resvalar perigosamente para uma moral oficial, familiar próxima das "verdades oficiais", próprias de regimes que não são propriamente democráticos.

Poderá ainda querer dizer que a moral se esgota estritamente na lei, isto é, que só o que está na lei é moral e que tudo o que está na lei é moral.

Ora vejamos exemplos:
  • Um agente da PSP ou da GNR persegue um criminoso e tem um acidente com a viatura. É sabido que é responsável pelos danos causados, uma vez que as viaturas das forças de segurança não têm seguro. Poderá ser muito legal, mas será minimamente moral?
  • O Estado, por interpostos institutos "autónomos", expropria terrenos para construção de auto-estradas e outros PIN e não paga atempadamente aos expropriados, a quem foi imposta a expropriação, ordenando até cargas policiais contra os que se opõem à ocupação. Será isto legal? Moral não é certamente!
  • Ouviu-se há dias a história de um cidadão a quem foi comunicado pelo tribunal que teria de pagar as custas de um processo de reivindicação de paternidade movido contra ele por um outro indivíduo e relativamente a uma criança de 4 anos que julgava ser sua filha e de sua mulher. Tinha-se demonstrado que a filha era do outro. Como o outro ganhou o processo, concluiu-se que ele o perdeu e, portanto, teve de pagar as custas. Pode ser muito legal, mas não me parece que seja muito moral.

Temos que a diferença entre lei e moral é a mesma que existe entre direito e justiça. Nada de confusões!

Quanto a moralidades e verdades oficiais, faço minhas as palavras do José Mário Branco: Nesse peditório o pessoal já deu!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Finalmente uma alternativa!

É público e notório que o actual governo é um acérrimo defensor dos funcionários públicos, sobressaindo a sr.ª ministra da Educação pelo desvelo verdadeiramente maternal que dedica aos professores.

Do lado da oposição, o dr. Menezes, contrariamente aos seus antecessores, também não regateia demonstrações de carinho pelos funcionários públicos, tendo até apoiado a manifestação dos professores.

Claro que é esta situação a causa de todos os males do país.

Não desanimem, que vem aí a alternativa! A dr.ª Manuela vai concorrer a líder da oposição e, consequentemente a chefe do governo. Essa sim! Como ministra das Finanças desancou nos funcionários públicos e, como ministra da Educação, dizia não falar com professores nem com alunos.

Finalmente vai ser posta na ordem a cambada dos funcionários e a chusma dos professores.

Chamam alternativa a cada coisa!....