quarta-feira, 7 de maio de 2008

Correcção

No dia 10 de Janeiro escrevi um post a agradecer ao sr. Primeiro-Ministro o facto de só ter 1.65% de aumento, o que muito contribuiria para a salvação da minha alma.

Estranhando não ser aumentado até Abril, fui ao site da C.G.A., onde li a legislação o concluí que afinal o meu aumento este ano é zero, nada, népias, a ponta dum corno.

Vi ainda que não se trata de um decreto-lei, da responsabilidade do governo, mas de uma lei, da responsabilidade da Assembleia da República, dos tais senhores a que bastam 12 anos de trabalho para terem a reforma por inteiro.

Agradeço-lhes muito o terem estabelecido que os pensionistas e reformados só têm aumento a partir do segundo ano após a aposentação e, mesmo assim, com um processo tão complicado que depende dos valores de inflação e PIB que o governo queira publicar e, ainda assim, se não prejudicar o princípio da estabilidade orçamental, o que se poderá arguir a qualquer momento....

Assim, não só terei um desconto mais substancial nos meus pecados, como me arrisco mesmo à santidade!

Queria agradecer pessoalmente, mas não sei quem foi a mente iluminada (eu não disse o cabrão!) que teve a ideia....

Publico o link do site da C.G.A. para que não haja dúvidas....

http://www.cga.pt/FAQ_Aumentos_2008.pdf

terça-feira, 29 de abril de 2008

Moralidades...

Está na moda alguns políticos que se dizem herdeiros do anticlericalismo da 1.ª República afirmarem: "A moral da República é a Lei!" Como se a moral fosse exclusivo de determinada religião, em contraponto com a lei civil.

Esta afirmação pode significar que a moral fica cativa da vontade dos legisladores, o que pode resvalar perigosamente para uma moral oficial, familiar próxima das "verdades oficiais", próprias de regimes que não são propriamente democráticos.

Poderá ainda querer dizer que a moral se esgota estritamente na lei, isto é, que só o que está na lei é moral e que tudo o que está na lei é moral.

Ora vejamos exemplos:
  • Um agente da PSP ou da GNR persegue um criminoso e tem um acidente com a viatura. É sabido que é responsável pelos danos causados, uma vez que as viaturas das forças de segurança não têm seguro. Poderá ser muito legal, mas será minimamente moral?
  • O Estado, por interpostos institutos "autónomos", expropria terrenos para construção de auto-estradas e outros PIN e não paga atempadamente aos expropriados, a quem foi imposta a expropriação, ordenando até cargas policiais contra os que se opõem à ocupação. Será isto legal? Moral não é certamente!
  • Ouviu-se há dias a história de um cidadão a quem foi comunicado pelo tribunal que teria de pagar as custas de um processo de reivindicação de paternidade movido contra ele por um outro indivíduo e relativamente a uma criança de 4 anos que julgava ser sua filha e de sua mulher. Tinha-se demonstrado que a filha era do outro. Como o outro ganhou o processo, concluiu-se que ele o perdeu e, portanto, teve de pagar as custas. Pode ser muito legal, mas não me parece que seja muito moral.

Temos que a diferença entre lei e moral é a mesma que existe entre direito e justiça. Nada de confusões!

Quanto a moralidades e verdades oficiais, faço minhas as palavras do José Mário Branco: Nesse peditório o pessoal já deu!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Finalmente uma alternativa!

É público e notório que o actual governo é um acérrimo defensor dos funcionários públicos, sobressaindo a sr.ª ministra da Educação pelo desvelo verdadeiramente maternal que dedica aos professores.

Do lado da oposição, o dr. Menezes, contrariamente aos seus antecessores, também não regateia demonstrações de carinho pelos funcionários públicos, tendo até apoiado a manifestação dos professores.

Claro que é esta situação a causa de todos os males do país.

Não desanimem, que vem aí a alternativa! A dr.ª Manuela vai concorrer a líder da oposição e, consequentemente a chefe do governo. Essa sim! Como ministra das Finanças desancou nos funcionários públicos e, como ministra da Educação, dizia não falar com professores nem com alunos.

Finalmente vai ser posta na ordem a cambada dos funcionários e a chusma dos professores.

Chamam alternativa a cada coisa!....

terça-feira, 8 de abril de 2008

Tenho vergonha....

Nos noticiários de hoje da RTP-1 (a tal dos "fretes" ao governo...) mostraram uma notícia da televisão espanhola sobre a continuação das multas aos trabalhadores (médicos, enfermeiros e outros) que residem em Espanha e trabalham em Portugal, por andarem naturalmente com os seus carros de matrícula espanhola.

Lembra-me de, em Janeiro passado e durante uma cimeira luso-espanhola em Braga, o sr. primeiro-ministro, com ar de muito admirado, ter considerado essa situação inadmissível e que iria legislar devidamente na próxima reunião do governo. Disse e cumpriu. No comunicado do Conselho de Ministros lá estava a anulação da medida.

Ficámos todos muito convencidos de que as multas tinham acabado.
A notícia de hoje diz-nos que, para além de as multas se manterem, a GNR faz "emboscadas" nos acessos aos hospitais para apanhar os "infractores".
Ficámos ainda a saber que a resolução foi para a Assembleia da República, onde não se sabe quando será discutida.

Não culpo a GNR por, na qualidade de força militar, fazer emboscadas para melhor neutralizar o "inimigo".

Que o respeito pela palavra dada e contratos feitos não tem qualquer valor para alguns políticos, sabem-no sobejamente os funcionários públicos, que o sentiram na carne.

No entanto, num contexto internacional, era de esperar que se suspendesse imediatamente a aplicação da norma e se envidassem todos os esforços para cumprir a palavra dada.

Como vejo que os exemplos internacionais de gente séria como Egas Moniz de Ribadouro ou Afonso de Albuquerque não são seguidos, venho declarar ter vergonha dos políticos do meu país e pedir desculpa aos profissionais espanhóis.

domingo, 6 de abril de 2008

Campeões da gestão

A 5 jogos do fim do campeonato, o F.C. Porto é novamente campeão. Mai' nada!

Os que não têm capacidades para perceber porquê, inventam logo mil argumentos do seu cardápio de actuações, desde corrupção da arbitragem, a compadrios políticos, a Carolinas, a Marias, cafés com leite e outras especialidades de cafetaria, não conseguindo chegar ao obviamente principal - boa gestão.

Vê-se de facto em campo uma EQUIPA, sem constelações estelares, mas onde todos jogam com todos e para todos, isto é, cada um sabe exactamente o que anda lá a fazer, bem como os papéis dos outros. A isto chama-se ORGANIZAÇÃO!

Qualquer empresa, começando pelo Estado, que trabalhe nos mesmos moldes, só poderá ter êxito, mesmo sem recurso aos iluminados "excelentes", que muitas vezes desaparecem quando falta a "luz", leia-se cobertura dos padrinhos políticos.

Estamos pois, como é evidente há muitos anos, perante um caso de êxito por boa gestão.
Não percam tempo a culpá-los. Basta imitá-los!

Parabéns aos CAMPEÕES!

domingo, 30 de março de 2008

O engenheiro do hospital

Quando em 1969, terminados os estágios de fim de curso, procurava o primeiro emprego, soube da existência de uma vaga no Hospital de S. João e fiz a pergunta: Engenheiro num hospital?! A fazer o quê?!
Do pouco que conhecia dos hospitais só sabia da existência de uns senhores e senhoras de bata branca e que tratavam da saúde à gente. Não via a ligação das engenharias a tal ambiente.
Como tinha de arranjar emprego, lá concorri e entrei. Só então é que encontrei as respostas à minha pergunta.

A pergunta perseguiu-me durante toda a vida profissional. Quando dizia a alguém que trabalhava num hospital, lá vinha a pergunta: Engenheiro num hospital?! A fazer o quê?!

Vou tentar explicar, até porque já encontrei pessoas ligadas aos Recursos Humanos do Ministério da Saúde (princípio da década de 1980) que não sabiam, embora estivessem a elaborar quadros de pessoal para hospitais.

No caso dos Hospital de S. João, trata-se de um edifício com milhares de portas, dezenas de quilómetros de canalizações eléctricas, de águas, de esgotos, de gases medicinais, milhares de aparelhos de toda a ordem, desde os enormes aparelhos de raios X ao agrafador da secretaria. Alguém tem de tratar daquilo tudo! Terá de haver uma equipa técnica, onde cabe sem dúvida a função de engenheiro. Nos hospitais mais pequenos, tudo se mantém, evidentemente na sua devida escala.

Dizia o Prof. Eng.º Eduardo Caetano, autoridade mundial no assunto, que o funcionamento do hospital assenta em 4 "pilares": o pessoal, o material (de consumo), as instalações e os equipamentos, considerando-se instalações o edifício e tudo que lhe é solidário e equipamentos todos os artefactos que se ligam, ou não, às instalações.

Temos portanto que caberá à equipa técnica tratar de 2 dos 4 "pilares" do hospital: das instalações e dos equipamentos.
Para tal existe um serviço que tem exactamente esse nome - Serviço de Instalações e Equipamentos - cuja função é fazer a gestão e manutenção desses 2 "pilares".

Aqui começam os problemas com que os profissionais se debatem diariamente. É que se trata de uma função não existente expressamente na lei, Estatuto Hospitalar, cuja última actualização é de 1964, quando a realidade era muito diferente. Nessa altura falava-se muito vagamente de "manutenção do património", dependente dos Serviços de Aprovisionamentos e verdadeiramente um apêndice.
Era frequente, nos velhos hospitais da Misericórdia, que a função fosse exercida pelo jardineiro "jeitoso", não raramente semi-analfabeto.

Com a passagem dos hospitais das Misericórdias a públicos, decorrente do 25 de Abril, criaram-se em todos eles equipas técnicas com engenheiros, embora se mantivesse a omissão legal das respectivas funções, o que levou a que os engenheiros tivessem uma função fundamental nos hospitais - serem os culpados. Como não estão definidas as funções, não podem argumentar que qualquer problema não é com eles, desde a avaria de um equipamento até ao facto de a sopa estar fria... Logo, são os culpados!

Para além das funções de gestão da manutenção e exploração das instalações e dos equipamentos, cabem ainda ao engenheiro, sempre informalmente, funções de colaboração na escolha e aquisição de equipamentos, processos relacionados com obras, questões ambientais, etc....

Espero ter levantado um pouco o véu sob o qual estes funcionários têm vivido, numa profissão sem dúvida aliciante e exigente - estão a suportar vidas - , embora muitas vezes incompreendida, e deixo uma homenagem a todos esses meus colegas, esperando que tenha contribuído para o seu reconhecimento a nível dos restantes cidadãos.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Avaliações

O tema avaliações está indubitavelmente na moda. No entanto, parece-me que lhe dão um significado parcial e, a meu ver, menor.

A meu ver, avaliação é aquele acto através do qual analisamos a nossa actuação, ou a de outros, no sentido de determinarmos o que está bem, o que está menos bem e o que está errado, com vista a emendar o que esteja mal e menos bem para melhorar a actuação. Passada esta fase, a avaliação também pode servir para distribuir os avaliados numa tabela de mérito.

Este acto é tão importante para o desempenho profissional, que os cursos de enfermagem têm uma disciplina chamada "Prática Reflexiva", que trata de uma auto-avaliação contínua dos profissionais em todas as suas actuações.

Temos, portanto, que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.

Parece-me que o governo esqueceu o aspecto de valorização profissional da avaliação, para lhe dar só o aspecto de pontuar os avaliados para acções de promoção ou castigo. Trata-se de trocar um valor de ética profissional pela concorrência, sem dúvida mais actual. É como no futebol: não interessa se a equipa joga bem ou não; interessa é passar a eliminatória.

As televisões mostraram o porta-voz do P.S., dr. Vitalino Canas, perguntado se na reunião do partido tinham analisado o que tinha corrido mal nos 3 anos de governo, afirmar em jeito de quem nunca se engana e raramente tem dúvidas: - "Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal"!

Já tinhamos concluído que a auto-avaliação é um exercício próprio dos profissionais competentes.....