Do meu post anterior sobre o assunto, poderão tirar-se conclusões erradas, dada a confusão existente à volta do assunto. Quero pois esclarecer.
Gerou-se polémica porque ninguém se dignou explicar o que se passava.
O governo, do alto do seu autoritarismo e incapacidade explicativa - julgo ser critério básico para ser membro do governo a incapacidade de explicar a um tasqueiro para que serve um copo - arranjou uma trapalhada que ninguém percebeu.
A oposição, aproveitou-se dos bairrismos e falta de informação das pessoas para criar uma onda contra o governo.
Claro que, quando o partido do governo passar à oposição, se invertem as posições sobre o assunto, como é exemplo o, agora, defensor acérrimo dos funcionários públicos, dr. Marques Mendes.
A comunicação social, aproveita-se sempre destas confusões para vender papel e encher tempos de antena com "especialistas".
O Zé Povo, crédulo e ludibriado como sempre, foi levado a acreditar ser possível a existência de uma maternidade e uma urgência devidamente equipadas à porta de cada um.
Vou tentar dar uma explicação que toda a gente perceba:
Uma maternidade de 30 camas exige, em termos de pessoal, uma equipa mínima de cerca de 35 pessoas (médicos, enfermeiras, auxiliares), sendo que a maioria tem vencimentos superiores a 1.000 €. Acrescem ainda os custos de toda a logística de rectaguarda associada.
Embora se diga, em termos teóricos, que "a saúde não tem preço", as verbas dos nossos impostos devem ser bem administradas e criteriosamente aplicadas em prol do bem comum.
Assim, terá que haver números de partos mínimos para manter uma maternidade aberta a funcionar correctamente, que rentabilize e justifique as verbas dispendidas.
Se tivermos 1 parto por dia, basta fazer umas contas simples para perceber que esse parto fica extraordinariamente caro.
Isto não é econimicismo. É gestão.
Considero pois justificados os encerramentos das maternidades que não tivessem um número de partos considerado minimamente rentavel.
Claro que isso implica que as maternidades para onde os partos foram transferidos tenham as condições mínimas de acolhimento e equipamento para esta nova carga de trabalho, o que me parece que não foi devidamente acautelado. Algumas até têm condições técnicas inferiores às das que fecharam....
Como algumas grávidas têm de se deslocar distâncias consideraveis, devem ter instalações para aguardarem calmamente a sua hora, sem andarem a fazer estrada até que o parto aconteça onde é mais inconveniente.
Também, para os casos de emergência, deve haver uma rede de ambulâncias devidamente equipadas, que efectuem o transporte em tempo útil.
Julgo que, se isto tivesse sido explicado desta maneira, toda a gente percebia e se tinham evitado muitas complicações.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Parabéns aos Figueirenses
Li no "Figueirense" (http://www.ofigueirense.com/seccao.php?id_edi=22&id_sec=3), que foi assinado um protocolo para a criação de um serviço de apoio domiciliário (PCADI) entre o Hospital, o Centro de Saúde, a Câmara, a Segurança Social e 21 IPSS.
Não é necessário sublinhar o interesse deste serviço, sucessor tardio do PAII.
O que me parece de sublinhar é a possibilidade de juntar todas estas "quintinhas" num projecto comum. O projecto já tinha sido tentado há 5 anos, mas aparece sempre o problema da "ribalta".
Oxalá desta vez se esqueçam do "podium" e dos interessezinhos partidários e tratem realmente de quem necessita.
Parabéns a quem conseguiu este feito realmente notavel!
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Ainda as maternidades
Todos nos recordamos das polémicas do encerramento de maternidades em hospitais do SNS, algumas ainda em curso.
Os encerramentos foram feitos com base no relatório de uma Comissão Científica, que determinou as condições de funcionamento, tanto para as maternidades estatais como para as privadas, embora mais liberais para estas últimas. Tudo isto em nome da defesa das mães e dos bebés.
Embora o relatório nada tivesse de científico, pois não era repetível, não indicando para cada caso, item a item, as causas do encerramento ou manutenção, ao contrário do das Urgências, foi aceite como instrumento fundamental.
Numa sessão de esclarecimento sobre o assunto, na Figueira da Foz, o sr. presidente da Comissão, director da Maternidade Alfredo da Costa, ao tentar justificar os encerramentos, deixou-nos dados para concluirmos que a primeira a fechar por falta de condições seria a dele.
Deixou também descair que o problema era a falta de médicos e enfermeiros especializados para cobertura de todas as maternidades. Nesta conformidade, claro que fechavam as situadas nas localidades menos "importantes", independentemente das condições técnicas das que encerravam e das que se mantinham. Não afirmou isto, mas parece óbvio.
Aparecem agora a notícia e entrevista seguintes:
Então onde está a preocupação com a saúde das mães e dos bebés para não se encerrarem imediatamente as maternidades não conformes?
Onde está a coerência do Ministério da Saúde?
Excelentes!!!!!
Depois de ler esta inacreditavel notícia http://jn.sapo.pt/2007/06/27/porto/ambulancia_retida_ipo_causa_15_centi.html, só reforço a minha ideia sobre alguns dos gestores hospitalares actuais.
Certamente são considerados "excelentes", por terem estas ideias sobre gestão económica e de espaços. Só não têm o Prémio Nobel, por ser pequena recompensa para tão grandes cabeças...
Também as justificações são dignas de qualquer prémio de humor.
Não me admira que os intervenientes passem a fazer parte das comissões científicas, técnicas ou de peritos dos estudos governamentais, que tão belos produtos nos têm proporcionado.
Declarações ministeriais
Depois de ler esta notícia: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/AZNmNUM7kVEXhVuxxCxQXA.html, só posso concordar com o sr. Ministro.
Se fosse um histórico de esquerda, como ele, e visse transcritas algumas das afirmações que faz, com aquele jeito especial que tem para dar tiros nos pés, certamente me sentiria ofendido e apoucado.
Se fosse um histórico de esquerda, como ele, e visse transcritas algumas das afirmações que faz, com aquele jeito especial que tem para dar tiros nos pés, certamente me sentiria ofendido e apoucado.
terça-feira, 26 de junho de 2007
O S.João do Porto
Este ano fui finalmente participar no S. João do Porto, o que não fazia há mais de 20 anos.
Portuense com muito orgulho, por razões profissionais estive afastado durante muitos anos, embora celebrando sempre a festa, nos mais diversos locais, como Quelimane, Macau ou Figueira da Foz.
Digo que fui participar, porque é impossível ir ao Porto "ver" a festa, como quem vê um filme ou as marchas de Lisboa.
No Porto, quem está, seja quem for, participa. Ao sorrir quando apanha com o martelo ou com o alho, já está a participar.
Esta festa do solestício, muito anterior ao nascimento do santo que ficou com a culpa, é de facto algo de telúrico. De união do Homem com a Natureza.
Como não participava, no Porto, há mais de 20 anos, quero transmitir as diferenças que encontrei:
Portuense com muito orgulho, por razões profissionais estive afastado durante muitos anos, embora celebrando sempre a festa, nos mais diversos locais, como Quelimane, Macau ou Figueira da Foz.
Digo que fui participar, porque é impossível ir ao Porto "ver" a festa, como quem vê um filme ou as marchas de Lisboa.
No Porto, quem está, seja quem for, participa. Ao sorrir quando apanha com o martelo ou com o alho, já está a participar.
Esta festa do solestício, muito anterior ao nascimento do santo que ficou com a culpa, é de facto algo de telúrico. De união do Homem com a Natureza.
Como não participava, no Porto, há mais de 20 anos, quero transmitir as diferenças que encontrei:
- Há 20 anos estávamos no auge dos martelos de plástico, sendo muito raros os alhos porros e, ainda mais, os balões.
- Este ano, vi com muito agrado a volta do velho alho, em quantidades consideraveis, e uma quantidade de balões como nunca tinha visto.
- Há 20 anos, a festa era da cidade do Porto. Hoje, já não há razão para a existência de duas cidades separadas pelo rio. Vi que há uma grande cidade composta de duas partes ligadas pelo rio. O entusiasmo em Gaia era tanto como no Porto.
Um grande e grato abraço ao pessoal do Porto e de Gaia.
Deixei de fumar
Depois de mais de 40 anos a fumar cerca de maço e meio por dia, decidi deixar de fumar.
Julgava ser muito difícil, mas com a ajuda do medicamento "Champix" (não ganho nada pela publicidade) consegui deixar de fumar no dia 10 de Abril, até hoje.
A princípio tinha, ocasionalmente, vontade de dar umas "puxas", mas nada de inultrapassavel, como resistir aqueles camarões que se estão a rir para nós, ou a dar dois murros no chefe em ocasiões mais conturbadas.
Não quero dar o testemunho de "convertido fundamentalista", mas dar informação a quem também queira deixar.
O tratamento é de 3 meses e custa omesmo que 1 maço de tabaco por dia (cerca de 250 €).
Julgava ser muito difícil, mas com a ajuda do medicamento "Champix" (não ganho nada pela publicidade) consegui deixar de fumar no dia 10 de Abril, até hoje.
A princípio tinha, ocasionalmente, vontade de dar umas "puxas", mas nada de inultrapassavel, como resistir aqueles camarões que se estão a rir para nós, ou a dar dois murros no chefe em ocasiões mais conturbadas.
Não quero dar o testemunho de "convertido fundamentalista", mas dar informação a quem também queira deixar.
O tratamento é de 3 meses e custa omesmo que 1 maço de tabaco por dia (cerca de 250 €).
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